domingo, 17 de abril de 2011

Cagaréus e Ceboleiros*

Estamos a poucos dias de comemorar o 37º aniversário do 25 de Abril. Das conquistas dessa madrugada libertadora uma delas foi o direito ao voto para todos os cidadãos em plenos uso das suas capacidades eleitorais. Recordo que na altura a maioridade só era atingida ao 21 anos e como tal estava previsto que o direito ao voto só com essa idade. Tinha na altura 19 anos, um movimento em que participava (MJT- Movimento da Juventude Trabalhadora) desenvolveu uma campanha a nível Nacional para que esse direito fosse atribuído aos 18. Essa campanha deu os seus frutos e logo nas primeiras eleições livres usei esse direito. Não me recordo bem mas creio que as assembleias de voto abriram às 8 horas da manhã. Desde muito cedo que se formaram bichas. Toda a gente queria exercer um direito que durante quase cinco décadas só era dado a uns tantos escolhidos e em eleições “fantoches” Usando só a memória creio que mais de 90% dos eleitores exerceram esse direito.

Lembro-me que foi um dia de festa. Ouve ganhadores e perdedores, uns continuaram a festa pela noite dentro, outros assumiram a derrota com maior ou menor resignação. Era a Democracia a funcionar. Perdedores ou ganhadores, sentia-se que o dever estava cumprido e havia que esperar por outras para uns tentarem manter a vitória e outros obter a “desforra”.

Novamente vamos ser chamados às urnas, desta vez por uma razão que inicialmente até se percebia mas que ao conhecer-se o que se passou nos bastidores a razão que nos deram rapidamente se tornou numa verdadeira farsa. Mais alguns dias e quando o lençol destapar tudo e os tais armários se abrirem, a monstruosa farsa montada vai desmotivar mais gente a trocar a ida às urnas por uma outra qualquer actividade, dada a desmotivação já habitual mas agora acrescida pelo comportamento “aberrante” de alguns dos “nossos” políticos.

Provavelmente, somos um dos Países da Europa onde os nossos eleitos, menos eleitores representam. Atente-se no número de eleitores que o mais alto magistrado da Nação representa, apesar de se afirmar como o Presidente de todos os Portugueses e sendo Institucionalmente verdade, quantos de nós, os que votámos e os que não o fizeram, se revêem naquela Magistratura?

A mobilização do eleitorado não se faz assim. A necessária mobilização faz-se com ideias e gente mobilizadora. Os candidatos a deputados embora escolhidos pelos órgãos respectivos dos partidos políticos têm que ser cidadãos reconhecidos pelos eleitores e neles se sintam representados. Mas na verdade para além dos habituais “aparelhistas” aparecem mais uns tantos premiados pelos “bom” desempenho demonstrados em órgãos tutelados pelo aparelho do estado e pouco mais, para não falar de outras aberrantes escolhas.

Corremos o risco de comparativamente à situação anterior ao 25 de Abril a percentagem de eleitores não ser assim tão diferente. Antes porque os mesmos eram escolhidos pelo regime. Hoje porque não se revêem em boa parte nos candidatos escolhidos pelo “regime”.

*O titulo dado a este post é a utilização “abusiva” dum termo Usado em Aveiro para distinguir os habitantes de um e de outro lado da Ria.

4 comentários:

Isa GT disse...

Mesmo quando a lei mudou para os dezoito já eu estava cansadinha de esperar... paciência nunca foi um dos meus fortes lol
Por acaso houve uma coisa que o Daniel Oliveira disse e que eu concordo... acabámos com o refugo dos políticos e, agora acrescento, como refugo que são... nunca conseguirão mobilizar ninguém... estamos pior entregues do que se fosse aos Cagaréus ou aos Ceboleiros ;)

Bjos

Rogério Pereira disse...

O circo continua e a parelha de palhaços perpara-se para actuação a seguir ao ilusionista de fato escuro. Nem se dão conta de como as cadeiras se esvaziam. É hora de acabar com o triste espectáculo...

Luís Coelho disse...

Boa noite Amigo
O tempo passa mas as recordações ficam desses belos momentos que Abril nos trouxe de presente.
Será de todo impossível termos um Presidente que nos represente a todos
Por melhor que ele seja nunca agradará a todos e em muitos casos até nada faz o que também não é positivo.

Agradeço os teus simpáticos comentários no lidacoeho. São essas palavras que muitos dias me obrigam a continuar.

Ainda não me esqueci do teu convite que muito te agradeço. Um destes dias combinamos esses pormenores.
Tenho andado com bastante trabalho e o tempo passa-se tão rápido que não dá para tudo o que queremos.

Este fim de semana andamos por Santiago da Guarda, Rabaçal Pedrogão Pequeno e Barragem do Cabril e acabámos hoje numa aldeia de xisto na margens da Ribeira de Alge - Fragas de São Simão.
Maravilhoso, lindo e cansativo...

Teófilo Silva disse...

Como disse Luís Coelho é praticamente impossível termos um presidente ou governo que seja do agrado de todos. Aliás, não sabe governar, quem a todos quer contentar. Para mim um bom governo é aquele que governa com os olhos postos no interesse do país e não o que governa para elites. Que me desculpe aqueles que andam enganados, mas eu considero que o povo já não vota livremente. Vota depois de uma lavagem cerebral feita pelas SONDAGENS, que começou logo após a demissão do governo. Então o Luís andou aqui por estas bandas! Eu estive há pouco nas fragas de São Simão e também colhi imagens muito belas.
Um abraço.