terça-feira, 20 de agosto de 2013

Desabafos

A vida dá voltas e sem querer ao virar de uma esquina tudo nos pode acontecer. Claro que nesta sociedade cada vez menos solidária, ainda acabamos por ser criticados por virar aquela esquina sem nos certificarmos se do outro lado havia algum perigo.
Vivemos numa sociedade em que se somos enganados ainda somos acusados com uma série de epítetos do tipo: Nabo, Vacão, Passarinho e muitos outros etc…s
Se assinamos um qualquer contrato e não lemos nas entrelinhas habitualmente miudinhas, lá somos nós os culpados.
Se caímos num qualquer conto do Vigário, o palerma fomos nós. Caíste? Não caísses!
 
Se vítimas de uma qualquer vigarice, fizermos queixa na instituição respectiva, o mais provável é uns meses depois sermos chamados à presença de um agente duma força policial para dar mais alguns dados e ficar à espera e ir desesperando porque a nossa vida foi sendo destruída mercê dessa vigarice.
 
Claro que se perdermos as estribeiras e fizermos justiça com as próprias mãos resolve-se tudo rapidamente e nem sequer nos preocupamos em arranjar dinheiro para pagar a um advogado ou esperar pelo apoio judiciário.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Só se morre uma vez .



Imaginemos que um qualquer País é assolado por uma qualquer pandemia que provoca um número avassalador de mortos atacando em primeiro plano os mais frágeis e débeis.
No primeiro e segundo ano o número de vítimas é avassalador. Disso nos iam dando conta os jornais e demais órgãos de comunicação.
 
Embora a pandemia não tenha sido controlada no 3º ano após surgir, começa a decrescer o número de mortos, apesar dos hospitais estarem apinhados de doentes, mas efectivamente há um decréscimo até porque o número de candidatos também diminuiu.
 
Desculpem a comparação mas foi o que me ocorreu ao ler esta “notícia”. Cujo link junto.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Uma terra sem amos…



Já há largos anos que deixei a política activa, o que não significa que me tornasse num Cidadão apático ou amorfo e muito menos um abstencionista.
Em nenhum acto eleitoral deixei de tomar posição a favor daqueles que me pareciam os melhores. Até ao momento fi-lo sempre a favor de formações partidárias, mas em relação às próximas autárquicas decidi apoiar um dos movimentos independentes.
 
Como já afirmei nada me move contra a existência de partidos políticos, base essencial da existência da Democracia. Em qualquer das listas tenho amigos e pessoas a quem reconheço capacidades de gestão autárquica e também como já disse se o voto fosse nominal alguns deles recolheriam o meu voto.
Sente-se que a participação nestas eleições vai ser muito superior. A discussão e o número de iniciativas assim o indicam. O aparecimento de protagonistas não habituais nestas andanças pode propiciar isso mesmo.
Que esta dinâmica incentive a uma maior discussão sobre os grandes problemas da nossa terra e que não se troque a discussão de ideias e projectos para que a Democracia e o poder local saiam reforçados pela maledicência e o denegrir de pessoas integras, independentemente da sua opção.
 
Deixo aqui uma palavra de apreço aos dois movimentos independentes que surpreendidos por uma ratoeira burocrática/ legal conseguiram vencer esta prova de fogo o que augura que vencerão certamente outras que lhe vão tentar atalhar o caminho

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eu tomo partido pela minha terra.

Sou apologista de que a Democracia assenta na base do funcionamento de partidos políticos. Não vale a pena referenciar o autor deste princípio por ser suficientemente conhecido há largas décadas e na verdade ainda não foi inventado um melhor sistema Democrático.
Claro que a ideia adjacente, pressupõe a existência de movimentos de cidadãos organizados nos variados campos sociais e sindicais. Não concebo a Democracia refém dos partidos e em movimentos (exclusivamente satélites dos mesmos) pois se assim fosse, deixava de o ser.
 
Mas para que os partidos cumpram a sua função é absolutamente necessário que no seu interior funcione uma ampla democracia interna, o que pelo que conheço está cada vez mais reduzida.
Apesar do momento politico que vivemos no País, é um facto que as estruturas partidárias locais estão bastante atarefadas com as próximas eleições para o poder local. Atrevo-me até a dizer que a intensidade da luta necessária para derrubar esta calamidade que dá pelo nome de governo estará a ser prejudicada pela ânsia de um lugar numa qualquer lista a um qualquer dos milhares de lugares disponíveis, pois grande parte deles são remunerados e em alturas de crise, nem que sejam só uns trocos, dão sempre jeito.
 
O que digo no parágrafo anterior não tem a pretensão de caracterizar a situação a nível nacional. Como vivo na província, mas numa terra que desde sempre foi bastante politizada, limito-me (provavelmente errando) a projectar para outros Concelhos a situação aqui vivida.
Se nos partidos do arco do poder (aqui assenta no PS e PCP) houvesse Democracia interna a escolhas das listas seria antecedida de um amplo debate interno para que fossem escolhidos os melhores e mais capazes. De facto não aconteceu. Se de um lado se pratica a velha ideia de que em equipa que ganha não se mexe, do outro apresentam-se os disponíveis e “oferecidos”, não significa de forma alguma, que não reconheça no conjunto dos candidatos, membros bastante válidos que se o voto fosse nominal não teria duvidas em votar nalguns.
 
Toda esta conversa para me questionar se não estarei a cair em contradição. Se defendo que os partidos políticos são a base da democracia, porque é que me tornei apoiante de um movimento independente? Fi-lo porque não encontro num dos dois partidos potencialmente ganhadores e onde me situo ideologicamente, listas capazes de gerir os destinos da minha terra, como ela necessita. Fi-lo porque encontro na lista independente do + Concelho, essa lista.
 
Eu tomo partido pela minha terra.
 


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Relembrar Zeca Afonso é lutar contra os "Vampiros"

No passado sábado a AJA-Lisboa promoveu a propósito do 50º aniversário da gravação de uma da mais emblemáticas canções de José Afonso os "Vampiros" um espectáculo na em Lisboa.
Adepto da velha ideia de que a “cantiga é uma arma” creio que este espectáculo veio em boa altura, ou seja a data escolhida foi premonitória, dado o desenrolar (digo desenrolar, porque certamente as coisas não ficam por aqui) de mais um episódio da farsa com que nos têm brindado nestes últimos tempos.
 
Dado que em tão curto espaço de tempo já muito foi dito e escrito, aqui deixo os Vampiros na versão original.

Muitos foram os amigos que participaram (VER AQUI) no entanto realço a participação do Rui Pato que com a mesma viola da gravação original, esteve mais uma vez presente.

domingo, 21 de julho de 2013

Queria dar-te uma prenda…


Fez precisamente hoje 38 anos que nasceste. Sim mal tive tempo para te visitar (soubeste-o mais tarde) porque a defesa da democracia conquistada há pouco mais de 1 ano obrigava-me a estar presente por imperativo de consciência onde fosse necessário, era então um jovem acabado de se tornar Pai com 20 anos.
Fazia parte duma geração a quem queriam roubar o futuro, mas graças ao 25 de Abril recuperámos parte dele. Era para os vindouros que queríamos construir uma nova sociedade sem os constrangimentos porque passámos. Queríamos transformar em realidade os nossos sonhos guiados pela utopia das canções que cantávamos.
Não, não chegámos ao fim, muito ficou por fazer, mas resta-nos ainda muito daquilo que conquistámos, sobretudo a liberdade. Se a tua geração a souber usar este País pode de novo florir e a esperança renascer desde que juntos façamos o que tem de ser feito.
Digo que te queria dar uma prenda, mas para além do beijo que já te dei, não tenho mais nada para te dar. Até a esperança num futuro melhor me está vedado prometer-te. Sim depois de ambos trabalharmos quase a nossa vida inteira (eu comecei aos 10 e tu aos 15) fomos atirados quase para a indigência sem disso nos apercebermos,  mas garanto-te que não vou ficar a definhar à espera que outros resolvam por mim o que tenho que ser eu a fazer.
Amo-te!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Governação"

Numa altura em que anda tudo envolvido à procura de uma coisa que não existe "Governação" e de gente capaz de "Cagarrar" devidamente o nosso País. Que tal ouvir este poema do Pedro Barroso por si brilhantemente declamado.
Via Albano Laranjeira no Facebook

sábado, 13 de julho de 2013

Bana. Querida


Falar de Adriano Gonçalves, ou Bana como era conhecido, é ter contacto com história viva da música de Cabo-Verde. Bana começou a cantar muito jovem, encorajado pelo sei "padrinho" B.Leza.
Imortalizou para sempre os maiores temas da música cabo-verdiana, com o conjunto Voz de Cabo Verde e o saudoso Luís Morais.
Neste vídeo, Bana actua na Aula Magna com amigos, para uma plateia cheia para ouvir o Rei das Mornas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Ontem, hoje e amanhã"


Há alguns anitos que ando nestas andanças da “ bloga”. Tempos houve em que o meu despertador tocava 1 hora antes do habitual para manter vivo um blog colectivo que por razões que ainda hoje não percebi, foi perdendo pedalada e eu teimei em mantê-lo vivo.
 
Na verdade vivo um período na minha vida em que o tempo sobra, mas na verdade a força anímica falta. Não me parece que um blog deva ser um muro de lamentações, até porque cada vez mais os problemas que cada um de nós enfrenta, são tantos que a muitos falta pachorra para o dos outros. Não significa que a solidariedade e a amizade deixaram de existir, conheço até situações de através da blogosfera se desencadearem movimentos de apoio e solidariedade que ajudaram pelo menos a minorar situações gritantes.
 
Hoje (tudo o indica) vai ser um dia marcante na história da nossa democracia em que a farsa da dita em que vivemos, vai assistir a mais um episodio desprestigiante para o regime restaurado em Abril de 1974 ou seja a declaração de que mais vale manter a farsa do que devolver a palavra ao povo, razão principal da motivação do movimento dos capitães.
 
Mas se podemos e devemos condenar os farsantes que detém actualmente os órgãos do poder, também é tempo de quem está na oposição (institucionalmente falando) olhar para a sua consciência colectiva e nos dizerem se fizeram tudo o que estava ao seu alcance para evitar a situação actual. Sim porque se queremos ser sérios temos que ir atrás (e 2 anos não chegam).
 
Se já não podemos fazer nada para alterar o passado e o presente imediato, podemos fazer (e muito) para alterar o futuro. Analisar as fórmulas e os procedimentos do passado e tirar as devidas ilações sob pena de que o clamor que por aí anda, de que os políticos no geral são os culpados de tudo, comece a ter alguma razão de ser.
 
Eu sou dos que pensa que o melhor sistema continua a ser a Democracia sustentada na existência de Partidos Políticos, movimentos e organizações sindicais e um vasto número de movimentos cívicos, sociais e de cidadania. Mas também sou dos que teme que alguns dos citados, estejam infestados de oportunistas em que a situação actual lhes traga benefícios e se orientem pelo critério do “quanto pior melhor”
 

sábado, 6 de julho de 2013

“Vem lá o Lobo”


Num local relativamente fresco (ao natural) vou lendo algumas noticias, uns posts,  respectivos comentários e algumas bocas.
Não preciso de justificar as razões que fizeram que não fosse à manifestação/concentração de Belém. Para além da distância há outras que não refiro porque não tenho que justificar a falta.
 
Recordo o verão quente de 1975 em que as condições climatéricas não eram tidas em conta para convocar uma manif. Quando o não era no próprio dia e o pessoal não tinha os avisos da D.G.S (saúde). Mas sabendo-se que o dia de hoje ia ser tórrido, tendo-se alterado alguns dos pressupostos da convocatória, mantê-la, foi um erro crasso no mínimo sabendo que grande parte dos habituais manifestantes são heróicos resistentes já com uns anitos em cima, era óbvio que o fracasso se adivinhava.
 
Pronto, isto sou eu que penso. Mas também penso (e não é de agora) que ou se alteram os métodos ou o desgaste tornar-se-á de tal forma que a fábula do “vem lá o Lobo” pode transpor-se para a necessidade de os antifascistas deste País responderem no momento certo, cansados de serem tantas vezes chamados e não sentirem a utilidade do seu esforço.
 
Não tenho qualquer dúvida de que este Governo mesmo que recauchutado tem que ser posto a andar. Mas também não tenho duvidas que as forças políticas, sindicais e outras têm muito que alterar nas suas tácticas e estratégias, sob pena de à força de usar sempre o mesmo medicamento, o dito deixar de fazer efeito

sexta-feira, 5 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

E a seguir?



 Quando ontem à tarde soube da demissão do Gaspar e sem me armar em adivinho, afirmei que o governo ia todo pelo mesmo caminho.
Se os dados eram insuficientes para ter certezas absolutas a demissão do nº 3 promovido a nº2 não deixa margens para duvidas. Este governo está podre e o caminho só pode ser a lixeira, de preferência, uma das equipadas com incineradora.
 
Quanto a mim não há lugar para festa o mal (irreparável) que causou a centenas de milhares de portugueses não pode ser um motivo de alegria mas antes de tristeza.
 
Muito provavelmente haverá eleições legislativas a curto prazo (a não ser que o P.R. tenha ensandecido de vez). Sou dos que há largos anos luta para que haja a capacidade de as forças de esquerda, sejam capaz de juntar o que as une deixando de parte o que as separa em nome de uma unidade que no essencial credibilize
uma alternativa. Creio que ao não o fazerem perdem uma oportunidade que poderá, não se repetir.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Poema a Salgueiro Maia

Ele ia de Santarém
a caminho de Lisboa
não sabia se ganhava
não sabia se perdia.
Ele ia de Santarém
para jogar a sua sorte
a caminho de Lisboa
em marcha de vida ou morte.
E dentro dele uma voz
todo o tempo lhe dizia:
Levar a carta a Garcia.

Ele ia de Santarém
todo de negro vestido
como um cavaleiro antigo
em cima do tanque verde
com o seu elmo e sua lança
ei-lo que avança e avança
ninguém o pode deter.

Ele ia de Santarém
para vencer ou morrer.

E em toda a estrada o ruído
da marcha do Capitão.
Eram lagartas rangendo
e mil cavalos correndo
contra o tempo sem sentido.
E aquela voz que dizia:
Levar a carta a Garcia.

Era um cavaleiro andante
no peito do Capitão.
E o pulsar do coração
de quem já tomou partido.
Ele ia de Santarém
todo de negro vestido.

Manuel Alegre

sexta-feira, 28 de junho de 2013

"Já que há crime, que haja castigo."

E agora? …
Hoje, Sexta-Feira, é o dia seguinte à Greve Geral. Todos estamos de acordo em que ela teve aspetos muito positivos, o maior dos quais quanto a mim foi o de ter unido as duas centrais sindicais – CGTP e UGT, numa mesma luta, ainda que com objetivos distintos. A CGTP continua empenhada em, através de greves gerais ou parciais derrubar o governo. Este é o seu objetivo sempre confessado. É legítimo? Será suficiente? A UGT teve como principal objetivo obrigar o governo a negociar, a negociar seriamente, honradamente, honestamente, como o fariam ou fazem as pessoas de bem. Mas será que poderemos considerar este governo e outros negociadores como “pessoas de bem”? Só a UGT no-lo pode confirmar. Pessoalmente acho, estou certo, sem pretensões de futurólogo ou profeta que nem a CGTP derrubará o governo - por mais greves que faça, nem a UGT obrigará a uma negociação honesta, honrada. Está bem claro, por toda a política definida por este governo, que os problemas deste país serão resolvidos somente através das medidas de austeridade, o que em primeira e última análise significa desemprego, falências, emigração, suicídios, pobreza em crescimento, negação de direitos já adquiridos. Será através de todos estes processos políticos criminosos que este governo, pau mandado de uma União Europeia, que nem é União nem é Europeia, mas que corresponde apenas aos interesses da Alemanha, que já foi Império, que já foi nazista e que sempre usou o seu poder para explorar e oprimir os seus vizinhos. O objetivo final deste governo nem é sequer o empobrecimento do país é tão somente o de reduzi-lo à indignidade. Um país pode ser pobre mas pode reagir a essa situação mas quando perde a dignidade qualquer acto de resistência se torna inviável. Portugal é o exemplo acabado disso que acabo de dizer. O que a Inquisição e tudo o que se lhe seguiu até ao 25 de Abril fizeram do povo português não foi apenas empobrece-lo foi roubar-lhe a dignidade e assim impedi-lo de reagir. O 25 de Abril foi uma espécie de despertar, um acto de rejeição à indignidade estabelecida, infelizmente com o fim do PREC e o regresso dos retornados ao poder chegámos até onde estamos agora. Não creio por isso que apenas com greves gerais e conversas na concertação social possamos mudar esta situação de indignidade. Apesar disso sempre estou presente em todas as manifestações do povo, apesar dos meus 85 anos. Mas quem sabe talvez um dia veja avançar na frente da multidão em direção ao parlamento e a Belém as forcas tão urgentemente necessárias. Já que há crime, que haja castigo.

Alípio Cristiano de Freitas

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Tambem já fui brasileiro"


Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.
Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes.
Mas eram tantas, o céu tamanho,
minha poesia perturbou-se.
Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isto, dizia aquilo.
E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam.
Eu irônico deslizava
satisfeito de ter meu ritmo.
Mas acabei confundindo tudo.
Hoje não deslizo mais não,
não sou irónico mais não,
não tenho ritmo mais não.
 
De Alguma poesia (1930)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Canção com lágrimas (a um amigo)

Escrever qualquer coisa sobre um amigo que acaba de partir torna-se extremamente difícil a menos de 2 horas da notícia ter chegado. Muito há para escrever sobre alguém que teve uma vida cheia. Alguém certamente mais habilitado o fará. Deixo-te querido amigo Osvaldo Castro o Poema e Voz de 2 dos teus grandes amigos. Até sempre.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Porra! Devolvam-me a minha vida!


Depois de mais de 3 meses, em que só saio de casa para o estritamente necessário e obrigatório, hoje fui beber um café à beira mar.

Na verdade um amigo que assumiu a gestão de um restaurante mesmo em cima da Rocha da Praia do Pedrogão quis oferecer um almoço aos amigos de outros almoços e para tal me convidou. O problema é que tinha um compromisso demasiado cedo para aceitar, compromisso que foi desmarcado à última hora o que ainda permitiu ir beber um café com aquele grupo. Na verdade estava a cerca de 10 Km.

Senti o cheiro a iodo, olhei para o horizonte. Dali vê-se a Figueira da Foz e a Praia de Vieira e imagina-se o que está por trás.
 
Apeteceu-me gritar a plenos pulmões: Porra! Devolvam-me a minha vida!



Um post dedicado a alguem muito especial à laia de pedido de desculpas, mas sincero.

sábado, 8 de junho de 2013

Chove ? Nenhuma Chuva Cai...


Chove? Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia
Em que ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia ?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu...

E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuro, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...

Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas...

No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés

No meu cansaço perdido entre os gelos,
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
 

terça-feira, 4 de junho de 2013

"Cantarei!"


Perdoem-me caras e caros amigos, mas pela enésima vez público esta canção do Pedro Barroso no meu blog.
Há fases na vida em que a música nos ajuda a ultrapassar os maus momentos com que a vida nos “brinda” talvez fosse melhor estar quieto, mas sou dos que acredita e luta para que esses maus momentos não nos roubem a vontade de dizer coisas a cantar, mas não só.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Georges Moustaki Portugal (fado tropical)



O cantor francês de origem grega Georges Moustaki, autor de canções que se tornaram clássicos como "Milrod" e "Le Métèque" , morreu esta manhã aos 79 anos.
Moustaki colaborou com nomes grandes da canção francesa como Édith Piaf e Yves Montand, mas a relação do cantor com vozes e poetas brasileiros e com Portugal foi também muito estreita.
 
George Moustaki teve uma forte ligação à lingua portuguesa sobretudo por causa da paixão pela música brasileira. Foi amigo de Vinicius de Moraes, Gilberto Gil e Elis Regina e também do escritor Jorge Amado.
 
A revolução dos cravos foi seguida com atenção por Moustaki que criou uma música dedicada ao tema chamada precisamente "Portugal".

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Chico Buarque - Construção


A música "Construção" é uma das obra-primas deste grande compositor, o Chico Buarque, inteligentemente mostra como o trabalhador, principalmente o braçal pode ser colocado na situação de máquina e sem o devido valor como ser humano chega a ser considerado um estorvo para o público, quando acaba, caindo da construção e morre . A sua morte atrapalhou o fluxo de tráfego, no quotidiano, que não pode parar  por um instante. Bem, é claro que "Construção" é rica em lições e apresenta subtilezas que só uma análise mais demorada poderia revelar. dada a profundidade desta obra musical.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

(Quando já não tiveres nada a perder, o que é que estás disposto a fazer?).

Um dos meus blogueiros de eleição, CBO manteve durante uns tempos no subtítulo do seu blog, uma frase que me bate todos os dias em cima: (Quando já não tiveres nada a perder, o que é que estás disposto a fazer?).
Envergonhadamente assumo, que já cheguei a esse ponto e caminho rapidamente para a indigência. Durante a minha vida nunca deixei de estar presente nas lutas que me pareciam justas e muito menos fui um cidadão amorfo, mas a vida tem destas coisas.
 
Sem que isso me dê qualquer tranquilidade de consciência, sei que somos muitos e com tendência a aumentar, muito rapidamente com um retorno muito improvável. Não, não sou dos que gastei mais do que podia.
 
Embora limitado ou mesmo quase impossibilitado de me movimentar por razões financeiras, não vou ficar a definhar à espera de que um “Santo” qualquer venha em meu socorro, vou continuar a lutar para que este bando que tomou conta do nosso País e o destruiu em três tempos e não satisfeitos preparam-se para lhe dar a machadada final, seja corrido, pois em cada dia que passa a situação piora.
 
No entanto assistimos a uma série de acções programadas para os próximos dias. No fundo as questões fundamentais e os objectivos são os mesmos. Porque não se juntam. Porque é que os dirigentes e promotores não conciliam as diversas acções programadas?
 
Sei que há uma certa necessidade de protagonismo e de auto afirmação, mas será que a unidade na acção que traga resultados concretos, não seja mais importante que alguns “vedetismos, balofos”?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1º de Maio dia de festa ou de luta?

Hoje comemora-se mais um dia mundial do trabalhador. Embora seja quase banal comemorar o dia disto e daquilo há comemorações diferentes. Neste caso o sangue vertido  nunca deverá ser esquecido e é daquelas datas que têm sempre significado. Mas se se trata de comemorar uma data que ficou bem marcada com o vermelho do sangue vertido naqueles dias de Chicago de 1886, pelo mundo inteiro e duma forma crescente o 1º de Maio é cada vez menos dia de festa (como foi no memorável dia primeiro, em Maio de 1974 em Portugal).
 
Mas na verdade quantos são os trabalhadores que mobilizados pelas duas centrais sindicais existentes em Portugal, vão participar nas acções promovidas? Quantos são os desempregados que se dispõe a gastar (se ainda o tiverem) algum dinheiro para se deslocarem? Quantos são os que à gula dumas monumentais promoções nos “magazans” do Sr. Soares dos Santos, para aí confluem em força?
 
Mas sobretudo quantos são os que ainda mantendo o seu emprego e vendo-lhes ser roubada uma fatia cada vez maior dos seus rendimentos, acham que vale a pena? Não nos podemos iludir e honra seja feita aqueles que estão sempre presentes. Há que fazer com que se acredite que vale de facto a pena. Em cada palavra de ordem, em cada cartaz ou faixa que se ostente é preciso que se sinta e faça sentido. Mais que uma data a comemorar é preciso apontar, sem tibiezas objectivos concretos e definidos. “É preciso empurrar e agitar a malta" e não  nos limitarmos a  entretê-la.

terça-feira, 23 de abril de 2013

E vão quatro…

Este blog faz hoje 4 anos (fazer é diferente de comemorar) . Nunca me preocupei muito em definir um rumo ou um objectivo para o “folha seca”. Nele inscrevi que “os temas são determinados pelo estado de espírito e disposição do momento”. Na verdade e como é visível o “ folha seca” não está nos seus melhores tempos, as razões prendem-se com o (mau) estado anímico do seu autor de que há uns tempos vem dado nota. Paciência a vida prega-nos partidas e claro que isso mexe connosco, tirando-nos capacidade interventiva de quem se propõe fazê-lo na defesa de causas justas.
 
Claro que enquanto tiver à minha disposição um computador (e as contas em ordem com a operadora) lá vai saindo qualquer coisa. Às amigas e amigos da “bloga” por onde vou andando sem deixar sinal, as minhas desculpas. Às seguidoras e seguidores, também.
A vida tem coisas lixadas.
Beijos Abraços

domingo, 14 de abril de 2013

Canção dos Despedidos

Canção dos Despedidos

Somos explorados no trabalho, e não só

Também somos o lixo

Lixo na tê-vê, quem lá está e quem vêLixo no jornal, voz do seu capital
Estamos entregues aos bichos
E o lixo produz mais lixo
E o tempo a passar
E eu a cantar
Eu também faço parte do lixo

Há quem viva bem do nosso mal-viver
Nós somos lixo
Somos só lixo
Já não há gente, há só lixo
Dispensável, descartável, reciclável
E agora parem um minuto p'ra pensar

Há que humanizar a humanidade, e não só
Há que varrer o lixo
O do Capital, que é o lixo global
O lixo do Estado, que é o seu braço armado
O mundo é de quem manda
E o resto é propaganda

Tudo é publicidade
Mas a liberdade
É escolher entre ser ou estar

Tens a boca cheia de palavras lindas
P'ra ti sou lixo
Somos só lixo
Nós não somos gente, somos lixo
Dispensável, descartável, reciclável
Mas vou parar mais um minuto p'ra pensar

Vamos a casa
Ao fim do dia
Só p'ra regenerar a mais-valia
Ganhar forças, fazer filhos
Cada um no seu caixote
E amanhã tomar o bote
Para o paraíso dos cadilhos

Quem é o lixo
Eles são o lixo do corpo e da alma
Como é que se pode ter calma
P'ra varrer este monturo
Dos escombros do futuro

[Letra e música José Mário Branco
«Resistir é Vencer» 2004
Arranjo de sopros: Tomás Pimentel
José Paulo Esteves da Silva - piano
Carlos Bica - contrabaixo
Rui Júnior - percussão
Rui Marques - flauta alto
Jorge Reis - saxofone soprano
Tomás Pimentel - flugelhorn
Paulo Gaspar - clarinete baixo
Grupo Coral «Os Escolhidos»,
João Afonso e Tomás Pimentel - coro]

sexta-feira, 12 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sabes Adriano!

Hoje farias 71 anos. Desculpa mas os anos dos amigos passam-me sempre ao lado a não ser que alguém me lembre. Foi o que aconteceu com mais este teu aniversário. Não sei se lá onde te encontras te vão chegando notícias, mas na verdade não tens sido esquecido. De norte a Sul do país tens sido lembrado e na verdade a tua obra está mais viva do que nunca, não só a tua mas também a do Zeca e de outros amigos, cuja obra se tornou imortal. Mas se isto é um motivo que certamente te anima há outros que não.
 
Desde Abril (para que tanto contribuíste) que Portugal e o seu Povo não eram tão mal tratados. Desde esses tempos em que a esperança tanto nos animou que a desesperança nunca foi tão grande. Sim Adriano Portugal está irreconhecível em termos de poder. Ainda te deves lembrar do tempo em que a direita queria ter um governo, uma maioria e um presidente. Na verdade conseguiram-no (só um aparte, com uma boa ajuda, mas isso fica para depois). Pronto hoje vou deixar, o que se a memória não me falha, a primeira canção que ouvi, cantada por ti e na verdade talvez a única que decorei integralmente.
Abraço

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A Naifa grava versão de «Inquietação»


3 anos de Inquietação

DESCRIÇÃO - A 29 de Março de 2013, o Canal Q celebrou o seu terceiro aniversário. Tal como nos outros anos, festejamos com uma nova versão de "Inquietação", a música original de José Mário Branco, que acolhemos como nosso hino.

Realizado por António Pinhão Botelho, e interpretado pelos "A Naifa", o vídeo conta ainda com a participação de várias personalidades como Pilar del Rio, Dalila Carmo, Nuno Lopes, Mário Laginha, António Pires, Kalaf, Rui Zink, entre outros.

terça-feira, 26 de março de 2013

"O Chipre e nós"

Artigo de Manuel Alegre
O Chipre e nós
26-03-2013 Manuel Alegre, jornal i

Estamos como aqueles prisioneiros dos campos de concentração que viviam na ilusão de que a vez deles talvez não chegasse, enquanto os outros iam sendo encaminhados para as câmaras de gás. Não se vê nenhuma cruz gamada, não há soldados a gritar ordens, a frase Arbeit macht frei ainda não aparece à entrada do nosso país.

 
Mas o ministro Schaulbe, Durão Barroso e os donos da Europa germanizada metem medo. Não precisam de invadir nem de bombardear. Tomam um decisão e exterminam um país. Ontem foi o Chipre. Os quinta colunas que governam os países europeus e os comentadores arregimentados acham que não se pega, o Chipre é um pequeno país. Já tinham dito o mesmo da Grécia. Enquanto não nos puserem uma marca na lapela, eles julgam que vamos escapar. Mas eu já estou a sentir-me condenado. Não consigo deixar de me sentir cipriota. Estava convencido que pertencíamos à União Europeia, um projecto de prosperidade partilhada entre estados iguais e soberanos. Mas o Chipre, depois da Grécia e, de certo modo, nós próprios, fez-me perceber que esta Europa é uma fraude. Deixou de ser um projecto de paz e liberdade, começa a ser uma ameaça de tipo totalitário, com o objectivo de empobrecer e escravizar os países do sul. Por isso é conveniente que nos sintamos todos cipriotas. Antes que chegue a nossa vez.
 

domingo, 24 de março de 2013

"Agarrem-me se não eu bato-lhe!"

"Ao contrário do que seria de esperar, e não deixa de ser paradigmático dos tempos que vivemos, as últimas sondagens demonstram à saciedade que a oposição, sobretudo a do “arco do poder”, continua sem capitalizar a seu favor o descontentamento colectivo pelo estado calamitoso a que o nosso país chegou.

As respostas a este paradigma são diversas e encontram fortes razões em fenómenos sociológicos e políticos de natureza vária.

A uma cultura cívica de reduzida exigência em relação aos políticos e às instituições, de insipiente contestação popular, de reduzida expressão e participação eleitoral e política da esmagadora maioria da sociedade civil, poderemos juntar realidades tão simples e evidentes como a falta de entendimentos à esquerda, a cumplicidade de todos (embora em graus diferenciados) no estado da nação, a falta de classe das lideranças políticas, a teia de cumplicidades entre o estado e a economia pseudo-liberal, e por aí adiante.

Há contudo para mim uma causa que se sobrepõe a todas as outras e mede-se em quilogramas, ou fracção desta objectiva unidade de medida. Refiro-me obviamente ao tamanho (peso) dos tomates.

É claro que a decisão de apresentação de uma moção de censura, que o emérito Seguro fez ontem aprovar em conclave extraordinário, se destina mais à ovação interna do que ao legítimo e urgente exercício de uma alternativa de esperança. É fácil trocar palmadinhas nos Costas por gestos inconsequentes e redundantes, face há realidade nua e crua de um hemiciclo que maioritariamente defende um governo incompetente, que vê no Estado um papel meramente assistencialista e de pseudo-regulação. Porque se o emérito realmente tivesse vontade (e capacidade) para mudar o estado das coisas, exporia toda artilharia em cima da banca e indicaria de forma clarividente o que faria de modo diferente, para além das intenções genéricas de “negociação com a troika” e de “adopção de medidas para o crescimento” que vai apregoando com olhar vago e mortíço. Mas quais e como? Qual a estratégia? Aliás, a tibieza é tal que à complexidade da pergunta - “E promoveria a descida dos impostos?” - Seguro responde com clareza sintomática - “Não me comprometo”.

E no fim de tudo isto perguntar-me-ão: mas Seguro é papável? Obviamente que sim, em função da posição anedoticamente incontestada que ocupa no seu partido e da benção que os Espírito Santo e toda a nação de anjos e arcanjos calmamente instalados na banca celestial lhe parecem reservar, face às investidas brincalhonas dos Costas. Mas claramente que não, em função da falta de qualidades políticas que demonstra e da exígua falta de peso da fruta. As sondagens demonstram-no de forma evidente. Seguro não é papável porque este tipo de produtos são facilmente perecíveis e por isso mesmo de curtíssimo prazo de validade.

Mas duma coisa estou certo, embora a validação dessa convicção esbarre na impossibilidade de o provar. Se a moção de censura tivesse consequências traduzidas na queda do governo, Seguro jamais a apresentaria. É por isso que eu estou farto de líderes com tomates cherry".

terça-feira, 19 de março de 2013

Pai! Afasta de mim esse “cale-se”


A música "Cálice", de autoria de Chico Buarque e Gilberto GIl, foi considerada subversiva pelos órgãos da ditadura militar brasileira e por isso teve que ser cantada com a letra modificada. As lembranças da repressão; a prisão de pessoas que simplesmente "sumiam"; a violência sofrida pelos que desafiavam o regime repressor - tudo isso atingia a todos que não pactuavam com o regime militar instalado no Brasil pós-64. Um grande "CALE-SE" se abateu sobre o povo brasileiro.

terça-feira, 12 de março de 2013

"Ei-los que partem novos e velhos"


Há canções que nos marcaram. Há letras de canções que nunca pensámos que nelas um dia nos iriamos rever. Acontece!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Esta Gente / Essa Gente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente

NENHUMA!

A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

Dia Internacional da Mulher

Reeditado porque faz todo o sentido.

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto se declarara um incêndio e 130 morreram queimadas.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

Infelizmente, 155 anos depois faz todo o sentido comemorar esta data e recordar aquele trágico acontecimento, pois "vemos ouvimos e lemos" que em grande parte do nosso planeta continuam a existir formas de exploração deploráveis onde as mulheres continuam escravizadas.

Nos tempos que correm poderemos interrogar-nos, se faz sentido dirigir a luta em defesa das mulheres quando há formas de exploração barbara que atingem de igual modo, homens e  crianças.

Em Portugal a luta de mulheres e homens (embora subsistam formas de exploração encapotadas, que competem com muitas das situações que se conhecem por esse mundo fora.) passa duma forma assustadoramente crescente, pura e simplesmente pelo direito ao trabalho com uma remuneração digna e pelo respeito pelos mais elementares direitos consignados na constituição da Republica Portuguesa.


Para as mulheres do meu País e do mundo inteiro deixo uma canção cantada por outra mulher que aqui recorda uma parte da história trágica de um outro País

Não apaguei os comentários feitos há um ano atrás por me parecer não ser correcto.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O MEU AMIGO MATOU-SE


 

O MEU AMIGO MATOU-SE


É um dos motivos porque vou à manifestação do dia 2 de Março.
Vou também em nome do meu amigo. No dia 18 de Fevereiro o meu amigo J. C. deu um tiro na cabeça. Já não vai a esta manifestação.
Era um indigente ou um faminto? Não. Era um exemplo da chamada classe média. Gostava da vida. De comer, de dançar, de ir à praia. Ele e a mulher comportavam-se como dois namorados, depois de todos estes anos. Gostava dos filhos, a quem era muito chegado, gostava da neta. Gostava do trabalho. Mas, a situação a que nos levaram criou um labirinto sem saída. De facto, sem saída para uma grande parte da população. Deixemo-nos de flores, de «há soluções para tudo», de «é preciso ter esperança» ou de «há-de correr bem».
Há certas situações que não têm solução à vista. Tinha os pais em casa com oitenta e tal anos e tinham chegado ao ponto de não conseguirem tratar de si próprios. Solução? Um «lar» custa 1300 euros para cada um. Uma empregada permanente anda por aí.
Tinha empregados a quem tinha que pagar salários todos os meses. Tinha empréstimos ao banco, crédito a cumprir, letras. Tinha clientes que não pagavam, porque por sua vez não lhes pagavam a eles.
Os filhos trabalhavam, mas havia um apoio indispensável, por causa da precariedade e por causa de situações de doença.
O senhorio acabava de, em concordância com a nova lei das rendas, passar-lhe a renda para o dobro.
Tinha solução para esta espiral que todos os dias se agravava? Não tinha.
Declarava insolvência, renunciava a todos os pequenos bens, ia para a rua, abandonava pais e filhos ao destino? Claro, tudo é possível.
Mas a dignidade tem um preço.
Os amigos podiam ajudar? Muito pouco.

Foi com certeza em nome da dignidade que teve a coragem de acabar com a vida.
Nesse mesmo dia veio ter ao Serviço de Urgência do Hospital de Santa Maria uma senhora que se atirou para debaixo do comboio do Metro. Salvaram-na, mas ficou sem um braço. Dias antes atirara-se a professora e o filho de uma janela em Bragança. Na ponte da Arrábida são frequentes os ajuntamentos porque alguém se atirou.
Estamos a assistir a uma epidemia?
Como os nossos governantes e as estruturas internacionais e o poder financeiro mundial já não distinguem entre o Bem e o Mal, temos nós que desobedecer às leis do Mal, protestar, mas não só. Encontrar o caminho para derrubar este Poder. No dia 2 de Março o meu caminho começará na Maternidade Alfredo da Costa na Maré Branca e continuará com todos os outros, através de Lisboa.
Também em nome do meu amigo que NÃO AGUENTOU.