terça-feira, 5 de abril de 2011

Apenas um poema surripiado algures...

TIMONEIRO LOUCO

Num mar sem rumo ou maré,

águas vivas imprecisas e soltas,

ora se caminha ora se perde o pé,

ora são mansas ora revoltas.

Silencioso barco de névoa solitária

e brumas por velas cinzentas,

onde o timoneiro é uma alma pária

de mágoas duras e pardacentas

que navega sem destino ou rumo.

Olhos glaucos, ou nuvens de fumo,

mãos crispadas no leme inerte,

vazio, eterno, à espera que desperte

ao som estrepitoso de uma vaga,

ao pio estridente da gaivota solitária,

tão solitária como a negra fraga

que no horizonte se ergue. Calcária

de tão fria, basáltica de tão negra.

Num mar sem rumo, calenda grega,

que de eterna tem a condenação

escrita e assinada a esmerilado carvão.

E de olhos perdidos na liquida imensidão

vai o timoneiro louco, alma desnuda

num grito calado de dor e solidão,

que o coração cala e o mar não muda.


surripiado aqui

4 comentários:

Fê-blue bird disse...

Como uma vez o meu amigo salientou , a poesia consegue transmitir exactamente o que nos vai na alma.

"E de olhos perdidos na liquida imensidão
vai o timoneiro louco, alma desnuda
num grito calado de dor e solidão,
que o coração cala e o mar não muda."

Um poema revelador da nossa condição, adorei!

Bjos

Fê-blue bird disse...

Já me esquecia de lhe agradecer o destaque que fez ao meu selo de amizade.Obrigada!

Bjos

Rogério Pereira disse...

"o coração cala e o mar não muda"

Que falem
com vozes de poema
e de mudança

(poema bem surripiado)

Pedro Coimbra disse...

Bem surripiado!!!
E bem a propósito....