quinta-feira, 28 de maio de 2015

Cidadania Republicana.


Chegam noticias que a candidatura cidadã Livre/tempo de avançar encerrou a recepção de candidaturas às 23,59h de ontem com 420 candidatos propostos cada um por 12 proponentes o que envolveu pelo menos 5040 cidadãos.
Numa altura em que se diz que há uma desmobilização e desinteresse pela "coisa" politica não deixa de ser um dado interessante e a carecer de uma análise séria.
Numa volta pelos candidatos, encontram-se para além de um conjunto muito diversificado de mulheres e homens jovens e outros mais velhos unidos na ideia de que "é tempo de avançar"
Desde a Ana Drago até ao José Manuel Tengarrinha, passando pelo Rui Pato. Há uma grande diversidade de gente da politica e da cidadania. Que se cuidem os que pensam que a Democracia lhes pertence por inteiro e que é refém das suas estruturas anquilosadas.

sábado, 16 de maio de 2015

Sábado à tarde (divagações).

Durante algum tempo era quase o dia em que não mandava para aqui e ali uns palpites. Era tempo em que a disponibilidade rareava. Hoje, atirado por várias razões para a inactividade vou lendo e “mastigando” tudo o que por aí se vai dizendo e depois de tudo pouco resta a acrescentar.
Recordo o tempo em que uma bobine magnética ou uma cassete nos chegava trazendo uma música, do Luís Cília, do José Mário Branco, do Zeca, do Adriano, do José Jorge Letria e de alguns outros que cantavam coisas que nos proibiam de ouvir mas que e por esse facto a apetência era ainda maior e a nossa irreverência de jovens ávidos de fazer couro com as palavras cantadas que à “surraipa” bebíamos e cujos meios de gravação e reprodução eram tão retrógrados que para além de ter que perscrutar as entrelinhas ainda tínhamos que repetir a audição para receber a mensagem no seu todo, isso “receber a mensagem”.

Recuso-me a fazer comparações entre a minha juventude e a actual. As perspectivas de vida de uma e de outra têm diferenças abismais. Se no primeiro caso havia uma sociedade a virar do avesso, no segundo, parte disso foi sendo feito. Se no primeiro caso frequentar e concluir o simples ensino secundário era uma raridade, no segundo não frequentar o universitário foi-se transformando na excepção.

Ainda recordo a avidez com que terminei a minha quarta classe (guardo o diploma) condição indispensável para poder trabalhar na abundante oferta de empregos na indústria vidreira onde ingressei aos 10 anos. Estranho, mas era encarado com a maior das normalidades.

Bem, este tema tem “pano para mangas” (que saudades do João Gobern) mas como tudo o que escrevi nesta tentativa de post foi inspirada numa notícia que me levou a ouvir uma canção, fico por aqui deixando os respectivos links, coisas de um Sábado à tarde.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Todos por si e nada pelos outros.

Li durante a manhã em qualquer lado que as próximas legislativas vão ter um número recorde de partidos concorrentes, parece que se prevêem 24. Não tenho nada contra, a democracia isso permite. No entanto preocupo-me com o resultado de toda esta caldeirada e sobretudo com a forma como se escolhem os candidatos a deputados. Convidado acabei por entrar num processo em que os candidatos não são escolhidos por uma qualquer cúpula instalada, mas por um processo inovador e ao que julgo único relativo às próximas eleições.

Algumas notas: ainda sobre esta divisão. Julgo que grande parte dos partidos (ou forças que se juntaram) são tendencialmente de esquerda. Ao contrário da direita ultraliberal que soube juntar os trapinhos (mesmo com algumas estaladas no percurso) a esquerda está aí orgulhosamente só, arrumada nos seus coitos e incapaz de qualquer cedência ao serviço de um povo que tanto precisa de um governo que ponha termo ao esbulho de que tem sido vitima e que pelos vistos corre o risco de assim continuar. Poder-me-ão chamar pessimista e derrotista, chamem à vontade porque é esse o meu estado de espírito. Tenho no entanto alguma esperança de que face à ameaça e indícios reais, façam tocar algumas campainhas e acordar alguns líderes partidários, abrindo os olhos para a realidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

De um dia para outro.

Há 41 anos exactamente neste dia e a esta hora (embora se sentisse um leve cheiro no ar) era quase impossível imaginar que estávamos na véspera de um dos acontecimentos mais marcantes do século XX. Era um jovem operário vidreiro com 19 anos. A única perspectiva de vida existente, era a de ir daí a algum tempo ir para a tropa e mais que certo ser enviado como carne para canhão para uma das “províncias ultramarinas” combater numa guerra que sabia ser injusta e sem sentido. A outra (em preparação) era dar o salto para França não por cobardia mas por convicção. Enquanto por cá andasse ia dando o meu modesto contributo no combate ao regime fascista que nos oprimia.
Mas de um dia para o outro tudo se alterou. As dúvidas iniciais foram sendo esclarecidas o povo da grande Lisboa veio para a rua em apoio dos corajosos militares e rapidamente aqui chegavam ecos de que desta vez era a sério. O regime fascista foi derrubado.

Hoje 41 anos depois sabemos que nem tudo correu bem. Mais do que historiar, sou dos que me interrogo dos porquês. Estamos longe da grande capacidade de mobilização popular vista nesses tempos. A classe política actual é olhada com desconfiança. Muitas das conquistas de então vão sendo roubadas. Portugal de Abril já não é o País em construção a que muitos de nós aderimos entusiasticamente.

Que neste Abril saibamos erguer bem alto os nossos sonhos e continuar a transmitir aos mais jovens que só com a luta e a participação cívica é possível inverter o caminho e voltar a ter o direito ao sonho.