sábado, 16 de maio de 2015

Sábado à tarde (divagações).

Durante algum tempo era quase o dia em que não mandava para aqui e ali uns palpites. Era tempo em que a disponibilidade rareava. Hoje, atirado por várias razões para a inactividade vou lendo e “mastigando” tudo o que por aí se vai dizendo e depois de tudo pouco resta a acrescentar.
Recordo o tempo em que uma bobine magnética ou uma cassete nos chegava trazendo uma música, do Luís Cília, do José Mário Branco, do Zeca, do Adriano, do José Jorge Letria e de alguns outros que cantavam coisas que nos proibiam de ouvir mas que e por esse facto a apetência era ainda maior e a nossa irreverência de jovens ávidos de fazer couro com as palavras cantadas que à “surraipa” bebíamos e cujos meios de gravação e reprodução eram tão retrógrados que para além de ter que perscrutar as entrelinhas ainda tínhamos que repetir a audição para receber a mensagem no seu todo, isso “receber a mensagem”.

Recuso-me a fazer comparações entre a minha juventude e a actual. As perspectivas de vida de uma e de outra têm diferenças abismais. Se no primeiro caso havia uma sociedade a virar do avesso, no segundo, parte disso foi sendo feito. Se no primeiro caso frequentar e concluir o simples ensino secundário era uma raridade, no segundo não frequentar o universitário foi-se transformando na excepção.

Ainda recordo a avidez com que terminei a minha quarta classe (guardo o diploma) condição indispensável para poder trabalhar na abundante oferta de empregos na indústria vidreira onde ingressei aos 10 anos. Estranho, mas era encarado com a maior das normalidades.

Bem, este tema tem “pano para mangas” (que saudades do João Gobern) mas como tudo o que escrevi nesta tentativa de post foi inspirada numa notícia que me levou a ouvir uma canção, fico por aqui deixando os respectivos links, coisas de um Sábado à tarde.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Todos por si e nada pelos outros.

Li durante a manhã em qualquer lado que as próximas legislativas vão ter um número recorde de partidos concorrentes, parece que se prevêem 24. Não tenho nada contra, a democracia isso permite. No entanto preocupo-me com o resultado de toda esta caldeirada e sobretudo com a forma como se escolhem os candidatos a deputados. Convidado acabei por entrar num processo em que os candidatos não são escolhidos por uma qualquer cúpula instalada, mas por um processo inovador e ao que julgo único relativo às próximas eleições.

Algumas notas: ainda sobre esta divisão. Julgo que grande parte dos partidos (ou forças que se juntaram) são tendencialmente de esquerda. Ao contrário da direita ultraliberal que soube juntar os trapinhos (mesmo com algumas estaladas no percurso) a esquerda está aí orgulhosamente só, arrumada nos seus coitos e incapaz de qualquer cedência ao serviço de um povo que tanto precisa de um governo que ponha termo ao esbulho de que tem sido vitima e que pelos vistos corre o risco de assim continuar. Poder-me-ão chamar pessimista e derrotista, chamem à vontade porque é esse o meu estado de espírito. Tenho no entanto alguma esperança de que face à ameaça e indícios reais, façam tocar algumas campainhas e acordar alguns líderes partidários, abrindo os olhos para a realidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

De um dia para outro.

Há 41 anos exactamente neste dia e a esta hora (embora se sentisse um leve cheiro no ar) era quase impossível imaginar que estávamos na véspera de um dos acontecimentos mais marcantes do século XX. Era um jovem operário vidreiro com 19 anos. A única perspectiva de vida existente, era a de ir daí a algum tempo ir para a tropa e mais que certo ser enviado como carne para canhão para uma das “províncias ultramarinas” combater numa guerra que sabia ser injusta e sem sentido. A outra (em preparação) era dar o salto para França não por cobardia mas por convicção. Enquanto por cá andasse ia dando o meu modesto contributo no combate ao regime fascista que nos oprimia.
Mas de um dia para o outro tudo se alterou. As dúvidas iniciais foram sendo esclarecidas o povo da grande Lisboa veio para a rua em apoio dos corajosos militares e rapidamente aqui chegavam ecos de que desta vez era a sério. O regime fascista foi derrubado.

Hoje 41 anos depois sabemos que nem tudo correu bem. Mais do que historiar, sou dos que me interrogo dos porquês. Estamos longe da grande capacidade de mobilização popular vista nesses tempos. A classe política actual é olhada com desconfiança. Muitas das conquistas de então vão sendo roubadas. Portugal de Abril já não é o País em construção a que muitos de nós aderimos entusiasticamente.

Que neste Abril saibamos erguer bem alto os nossos sonhos e continuar a transmitir aos mais jovens que só com a luta e a participação cívica é possível inverter o caminho e voltar a ter o direito ao sonho.

sábado, 4 de abril de 2015

Páscoa e bons "Padrinhos".

Em véspera do dia de Páscoa e como não tenho nem nunca tive afilhados e os padrinhos já foram, dei comigo a pensar no significado desta palavra “padrinho” sim porque madrinha é na nossa sociedade apenas o prolongamento do dito padrinho.
Pelo que sei e nesta área é muito pouco, padrinho significa uma espécie de segundo pai e consequentemente segunda mãe, ou seja em caso de uma qualquer fatalidade e pela tradição católica (nem sei como é nas outras) os padrinhos (e madrinhas) devem-se substituir aos pais (corrigiam-me por favor, se não for assim).

Ora bem. Como não me perguntaram se queria ser baptizado e em qual das religiões existentes à época, lá me lavaram a cabeça numa das pias da igreja católica, não me lembro mas deve ter sido mais ou menos isto. Nem me lembro sequer se barafustei, mas pelo que ainda hoje vejo, imagino que sim.
Mas esta conversa que não desata daqui tem outro objectivo, falar (ou tentar falar sobre padrinhos). Acho que sempre ouvi a utilização da expressão “padrinhos” muitas vezes relacionada com outros aspectos da vida que não o sentido canónico/religioso, mas no que diz respeito à “sorte” na vida. Embora me pareça que esteja um pouco em desuso esta expressão, ainda me lembro que por estas bandas quem ascendia a um lugar um pouco mais elevado, era por ter um canudo (coisa rara, noutro tempo) ou por ter um bom padrinho, para conseguir um emprego numa determinada empresa (independentemente do lugar, era precisa a cunha de um padrinho) consta até que um tal de primeiro-ministro deste desgraçado País, só lá chegou graças ao seu “padrinho” (um tal de Ângelo qualquer coisa).

Como dentro de alguns meses vamos eleger novamente uma catrefada de deputados e nessa altura a Páscoa já lá vai, certamente que os “padrinhos” vão continuar a ter a sua importância. Quatro anitos como deputado da Nação, vale mais que um bom folar e é a esses “padrinhos “que há que tratar bem. Né!?

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hoje é Sábado (desabafos).

Podia ser outro dia qualquer da semana, pois quando se é atirado para a inactividade, os dias da semana a pouco vão deixando de fazer sentido. Cada dia é apenas mais um. A única diferença que no dia se altera trata-se de ainda me poder dar ao luxo de neste dia da semana me juntar a um grupo de amigos, numa colectividade popular e mandar a dieta às urtigas e comer um bom cozido à portuguesa e pôr a escrita em dia (no que é possível).

Hoje a conversa descambou para um tema pouco habitual que apontava, para a quem pertence o futuro? Aos espertos (incluindo os Chicos) ou aos inteligentes? Na verdade e tendo em conta o conjunto de intervenientes não foi muito fácil concluir o que para mim sempre foi óbvio. Não preciso de enumerar os dados que vão aparecendo quase diariamente que mostram que neste Pais os espertos (e mais os Chicos) se foram safando à grande. Uns já estão a pagar por isso, certamente outros virão a pagar. Digo eu que acredito que a justiça é lenta mas funciona (graças a Deus, digo eu que sou ateu).

Aos que vão gozando impunemente, privilégios, surripiados aos incautos (que atiraram para a miséria) gozem, gozem pois, “chegará o dia das surpresas”!