domingo, 30 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"Contrastes" ou ?



O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, manifestou-se hoje convencido que é possível atingir os 5% por cento de défice no final do ano, meta estabelecida pelo Governo em acordo com a ´troika'. VER MAIS


 
Os tribunais declararam 52 falências judiciais por dia em 2012. Particulares foram os mais afectados com 12.405 processos, e representam já 67% do total. Região norte é a que tem mais casos registados. VER MAIS

 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Dia de Natal"

Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Meu Postal de Boas Festas

Ao reler alguns posts anteriores choquei com este, escrito no natal de 2010 reedito-o porque infelizmente está actualizado e de que maneira.
Talvez porque os meus Natais nunca foram de grande felicidade. Talvez porque, apesar de tudo a minha família mais próxima, esteve sempre fisicamente perto. Os meus Natais nunca foram de grandes festas. Talvez porque alguns dos meus Natais foram tristes. Talvez porque alguns dos meus Natais foram passados no desemprego (sim no tempo em que nem subsidio para isso havia)
Encaro os Natais como períodos de uma certa tristeza, quando o contrário como manda o senso comum é que que devia valer.
Para além disso, continuo a olhar para este período como daqueles em que a hipocrisia mais se faz notar.
Como encarar a “felicidade” de um Natal, olhando para aqueles que não têm possibilidades de consumir o mais que trivial bolo-rei? Quando sei que muitos Pais não podem fingir de Pais Natais, metendo umas simples figuras de ”chocolate mesmo ocas nos sapatos dos seus filhos”, porque o orçamento não dá para isso e muito menos para um prato de bacalhau com couves na consoada.
Pode-se ser feliz num Natal destes? Pode-se ser feliz num Natal que antecede o princípio de um ano que ameaça lançar para o desemprego, para a miséria, para abaixo do limiar da pobreza muitas e muitas mais famílias? Pode-se ser feliz, quando o futuro nos é apresentado, muito mais difícil e onde a única certeza, é precisamente a incerteza sobre o nosso futuro colectivo.
Aos meus amigos e amigas que por aqui me visitam , desejo o melhor possível. No Natal, no início do próximo ano e no seu decorrer.
Abraços.


Como para a mim a solidariedade não é uma palavra vã deixo-vos em baixo uma canção (pedida por empréstimo ao José Mário Branco) que fala precisamente nisso.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"Quando um homem quiser".


Um dos mais belos poemas de Ary dos Santos. Desta vez na voz de Viviane. Um bom Natal para todos.

Post scriptum: Já depois de editar este post (se assim se pode chamar) estive com um amigo que me acompanha nestas andanças. Disse-me que perdi a pedalada e encho o blog de vídeos, mas que o pessoal gosta é de ler.
De facto, tenho usado e abusado na publicação de vídeos. Em geral ponho os outros a falar por mim. As músicas são aquelas com que me identifico, claro que tenho muito para dizer, mas confesso que ando assim um bocado para o engasgado.
Pronto não há mais desculpas.
Reitero os votos de um bom Natal.

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Manuel Freire - "Poema da Malta das Naus"



Poema de António Gedeão.
Música de Manuel Freire.


POEMA DA MALTA DAS NAUS

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo,
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sonhos, ilusões ou vice-versa?

Desde muito cedo aprendi a sonhar com um mundo justo onde o homem não vivesse à custa da exploração dos seus semelhantes.
Digo desde muito cedo, porque soube também demasiado cedo o que era isso, quando com 10 anos saí da escola primária e fui directo para a fábrica de vidros trabalhar por turnos. Também demasiado cedo fui confrontado com o facto do meu avô paterno ter passado 14 anos nos carceres fascistas porque foi uns dos que em 18 de Janeiro de 1934 quis realizar o sonho de acabar com a ditadura fascista que oprimia o povo Português.
 
Durante a minha vida sempre acalentei o sonho de um dia viver numa sociedade onde cada um de nós a ela desse a nossa capacidade de trabalho e dela recebesse o que necessitava em todos os campos. Em cada dia que passa começa a nascer em mim a sensação de que que este sonho continua a ser lindo, mas cada vez mais se torna numa terrível ilusão.
 
Começo a sentir que ainda tem de nascer o homem novo capaz de concretizar esse lindo sonho. Sou dos que pensa que “a Democracia é o pior de todos os sistemas, mas ainda não foi inventado outro melhor”. O que conhecemos em alternativa, ruiu como um castelo de areia destruindo o “sonho” de milhões de homens que nele acreditavam.
 
Não sendo um estudioso da matéria em termos do nascimento de novas realidades que pelo mundo se vão desenvolvendo, vivo preocupado com o pior animal que a natureza criou, sim o homem com todos os defeitos que o leva a cometer os mais monstruosos actos com a ambição de poder, politico e económico. Vão sobrevivendo naturalmente aqueles que lutam por justiça.
 
Este post não é mais do que o seguimento do anterior em jeito de rescaldo de alguns acontecimentos dos últimos dias  e me levaram a sentir que o meu sonho estava de novo vivo, mas que aos poucos se foi tornando numa verdadeira desilusão.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"No Comboio Descendente"

Há dias que por razões profissionais passo bastante tempo frente a um monitor. Com esta invenção das janelas mantenho sempre 2 ou 3 abertas.
Subescrevo algumas Newsletters que me vão chamando a atenção para o que de mais relevante se vai passando no País e não só. Claro que também vou dando uns saltos ao facebook e ao blogguer, para aliviar os “apertos” do dia-a-dia. Pouco de bom chega, salve-se a boa disposição que alguns amigos ainda mantêm e conseguem tratar alguns assuntos com humor.
 
Para quem vive intensamente a situação politica e económica do País e percebe a queda a pique em todos os itens da nossa economia é com uma forte angustia que acaba o dia, até porque quase sem dar por ela, embarquei neste “comboio descendente”.
 
Mas verdadeiramente a minha grande angústia deve-se a que o pior governo, o mais desacreditado, o mais incompetente de que há memória depois de Abril continua a sua brutal caminhada na destruição do que ainda vai restando e não há quem lhe ponha travão. Retórica, análises aprofundadas discursos inflamados existem de facto, mas na prática não passam de um verdadeiro “seguro” de vida até 2015 porque na verdade é para aí que se preparam a "tropas". O resto é mesmo só para Inglês ver. 
 Entretanto o acto de fazer politica está cada vez mais desacreditado com todos os perigos que isso comporta.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Um azar nunca vem só.

Apesar de conhecer esta história (que presumo verdadeira) há bastante tempo, tive que fazer uma longa busca para a reencontrar. Não a publico com o objectivo de pôr ninguem a rir com o mal dos outros (coisa em que somos especialistas). Mas estava a pensar em tudo o que nos tem acontecido e do que ainda mais nos que nos vai acontecer e ocorreu-me esta tragédia.
A leitura não é fácil, mas acho que vale a pena usar os truques habituais, nem que seja com uma lupa. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"A crise pode ser boa oportunidade"



Apanha-se com este Orçamento no lombo, espera-se em Janeiro pelo encolhido recibo de ordenado (quem ainda o tiver) e dá-nos inevitavelmente para o queixume. É por isso que manchetes como a de ontem do Jornal de Notícias são um bálsamo: "Manifestações safam negócio de autocarros." O texto explica: no sector rodoviário, as empresas de aluguer ocasional de autocarros são as únicas a sorrir com a crise. Esta leva a manifestações, que vão até Lisboa protestar e os autocarros alugados andam numa roda-viva... Sorte a delas, das empresas, mas a lição a tirar da coisa é mais vasta. Um leitor na caixa de comentários do jornal topou: "Enquanto uns choram, outros vendem lenços." O Governo aperta, as manifestações desatam-se e, upa!, os donos da camionagem faturam. É uma forma de sair da crise, certamente melhor do que o marasmo. E há um lado, digamos, dialético desta história que me encanta. As manifestações são feitas para mostrar o lado perverso das políticas mas, ao mesmo tempo, alugando autocarros, tiram do sufoco um sector económico. Vítor Gaspar, graças ao empenho de Arménio Carlos, pode ficar na História como o político que mais fez pelas empresas de aluguer dos autocarros. Não se veja nisto nenhuma cumplicidade, que não há, mas tão só ironias da vida. Quanto ao mais, aquela manchete tem razão em ser esperançosa. Há improváveis nichos de mercado que a crise destapou: vender máquinas para fazer furos nos cintos é outro.

sábado, 24 de novembro de 2012

"Parabéns António Gedeão"

Se estivesse vivo o professor Rómulo de Carvalho faria hoje 106 anos. Para além de eminente cientista usando o seu nome próprio, escreveu intensa poesia usando o pseudónimo de António Gedeão. “Habitante” habitual neste blog, não podia deixar de assinalar a data, com aquela que para mim foi a forma mais brilhante de tratar um dos seus mais conhecidos poemas e dar a voz a um dos seus grandes divulgadores.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"O menino que Gaspar não conhece"

 
Nicolau Santos (www.expresso.pt)
13:59 Quarta feira, 21 de novembro de 2012

 

Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos.
 
Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros.
 
Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica.
 
Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não.
 
O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem.
 
Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante. 

"Queixas de um utente"



Pago os meus impostos, separo
o lixo, já não vejo televisão
há cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
...
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. seja como for,
não estou a ver resultado nenhum

_José Miguel Silva

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cravo de Abril Jorge Palma piano. Ilda Feteira voz


Prosa-excerto retirada do CD «25 Razões de Esperança», Voz de Ilda Feteira e Música de Jorge Palma.
Excerto retirado do livro «O Caminho das Aves» de José Casanova

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Não me apetece "ver, ouvir e ler".

Cada vez mais se ouve o cidadão comum afirmar que não ouve nem lê notícias, tal a confusão que as mesmas contêm e muito menos os debates, crónicas e opiniões que abundam nos nossos media. Na verdade também por vezes me apetece desligar e “não ver, ouvir e ler” para poder ignorar e viver alguns dias em paz.
 
Mas não, não sou capaz busco a cada momento uma notícia que me alegre, que me traga esperança me incentive me mostre algo mais do que o túnel cada vez mais escuro sem a mais pequena faísca no seu inalcançável (visualmente) final.
 
Mas de facto a minha maior angústia é sentir uma espécie de condenação perpétua e ter que gramar este estado de coisas. Sentir que temos um governo que com todas as patifarias que já fez e se prepara para fazer está para lavar e durar. Sim vão havendo uns fogachos, criticas, propostas acções de protesto de toda a maneira e feitio, mas algo em que se acredite, convincente e mobilizador, que se inicie e tenha consistência e continuidade, népias.
 
Sou tentado a pensar que há mudanças necessárias na imensa massa “oposicionista” não de personalidades mas sobretudo de estratégias, sim falta a capacidade de juntar esforços para evitar o verdadeiro desastre ou pelo menos estancar as feridas e “salvar os vivos “.

Sinto que há para aí gente com grandes "responsabilidades" que espera pela sua oportunidade e como tal “quanto pior melhor”.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Jorge Fernando - Desespero (com Virgul e Dino d´Santiago)


Jorge Fernando - Desespero (com Virgul e Dino d´Santiago)
"Chamam-lhe Fado" é o nome do 12º disco de originais de Jorge Fernando, editado no dia 10 de Setembro de 2012. Jorge Fernando é um nome incontornável da música portuguesa e, em particular, do Fado. Guitarrista e compositor de Amália Rodrigues, autor e compositor de alguns dos fados mais cantados, imortalizados em vozes sublimes como Amália, Mariza, Ana Moura, Fábia Rebordão e Fernando Maurício, Jorge Fernando é uma figura primordial do Fado em Portugal.

"Desespero" é o single de apresentação com a participação de Dino d´Santiago e Virgul, dos Nu Soul Family, e Guilherme Banza.

domingo, 18 de novembro de 2012

"Vigarices com desconto"


Dois meliantes cuja ocupação era o de roubar cheques e com os mesmos adquirir bens de alto valor, um dia param em frente de uma ourivesaria, montados num carro de gama alta e deviamente vestidos dando ar de gente rica e como tal se apresentando.
 
Munidos de um cheque falso roubado algures, “compraram” vários objectos valiosos. Como se tratava de uma soma considerável um deles discute com o ourives o valor e não fechou o negócio sem que obtivesse um desconto considerável.
Já no carro o cúmplice, nervoso discutia a perda de tempo na discussão do preço, quando afinal o cheque nunca seria pago. Resposta calma do comparsa: Ó Pá assim o homem perde menos!
 
Lembrei esta anedota a propósito da sobretaxa de IRS e a redução de 0,5% que pretende ser apresentada como uma redução do roubo que a mesma representa.

sábado, 17 de novembro de 2012

"Ilumina-me"


Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Ergo uma rosa" para relembrar José saramago (hoje nos seus 90 anos)*

*poste reeditado
Ergo uma Rosa (Saramago, Luis Pastor e Maria Pagés)

"Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.

...Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.

Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.

Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros."

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

No Vale Escuro (Que Nunca Mais) - Adriano Correia Oliveira/Manuel da Fonseca


Adriano Canta Manuel da Fonseca - Que Nunca Mais

4. No Vale Escuro
Manuel da Fonseca/Adriano Correia de Oliveira.

Fausto (arranjos e direcção musical)
Fausto (guitarra acústuca, percussão, kazu,coros)
Júlio Pereira (guitarra solo, baixo, piano, bandolim, buzuku, cadeira, coros)
Zau e Pantera (percussões)
José Luis Simões (trombone de varas)
Vitorino (acordeão)
Carlos Paredes (guitarra portuguesa)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

De derrapagem em derrapagem até ao espalhanço final.


Governo vai dizer à troika que défice deste ano deve ficar em 5,5%

Derrapagem na execução orçamental em Outubro deve impossibilitar colocar o défice nos 5%, mesmo com a concessão da ANA, noticia o "Diário Económico".

A notícia é avançada na edição desta manhã do “Diário Económico”, que revela que dentro do Governo já é um dado adquirido que o défice deverá derrapar entre três a cinco décimas – ou até mais, caso a operação de concessão da gestora dos aeroportos ANA não possa ser abatida ao défice deste ano. Tudo vai depender da decisão do Eurostat. Passos Coelho já garantiu que, para este ano, estão excluídas mais medidas de austeridade. Se essa derrapagem acontecer, o jornal avança que o Eurogrupo deverá “fechar os olhos”, sem obrigar o Executivo a adoptar novas medidas para este ano. No fim-de-semana passado, Olli Rehn sustentou que a Comissão Europeia não se limita apenas a olhar para “as metas nominais”, mas também para a “sustentabilidade” e para “as finanças públicas a médio prazo”. VER MAIS

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

"Adeus Tristeza" Outra vez

Um pretenso bloguer que durante alguns tempos foi opinando sobre tudo e todos, quase que se cala e vai-se limitando a postar umas musicas de que gosta e que nelas vai encontrando algum conteúdo que corresponde ao estado de espirito do momento.
Na verdade o “folha seca” anda numa “secura” desgraçada apesar dos chuviscos que vão caindo, acha que a seu blogue não pode ser um muro de lamentações e aumentar a tristeza que por aí vai andando, por razões óbvias.
Também a minha participação em comentários em blogues amigos, tem sido muito reduzida… Talvez passe e apresento as devidas desculpas.
Pela enésima vez, aqui vou deixar, talvez aquilo que para mim é um verdadeiro Hino.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fernando Tordo canta Eu sou daqui



Estás de passagem.
Trazes um mapa com distâncias coloridas
apenas riscos e locai. Mas nunca vidas.
Tiras retratos ao que olhas mas não vês.

Vamos os dois.
Quero mostrar-te a paisagem interior
o Norte e o Sul a estrada da raíz à flor
a Pátria – mãe o ser humano o ser amor

Eu sou daqui deste País
nasci do vento norte e sul do que Deus quis
Sou das cidades e das serras das aldeias
do pão e vinho das idéias.

Eu sou daqui sou desta gente
Sou dos silêncios que se dizem com voz quente
Sou do milagre das cantigas e da sorte
filho do vento Sul e Norte.

Estás de passagem.
Mais uma vez irás dizer que já estiveste,
mais uma vez irás dizer que conheceste,
mostras lembranças que não te deixam mentir…

Vamos os dois.
Quero mostrar-te a paisagem interior
o Norte e o Sul a estrada da raíz à flôr
a Pátria – mãe o ser humano o ser amor

Eu sou daqui. Desta paixão
o norte e o sul são a mãe terra e o pai irmão
Sou das montanhas e das praias eu sou mais
eu sou dos pontos cardeais.

Eu sou daqui para lá da morte
eternamente serei Sul e serei Norte
sou das vindimas dos pregões das romarias
eu sou daqui todos os dias.

Eu sou daqui. Deste País.

domingo, 28 de outubro de 2012

Chula da Merkel


Continuação(substituição) do post anterior apenas com o acrescento de que a letra é de Nuno Gomes dos Santos.

Chula da Merkel

Dado que este vídeo foi removido pelo ulilizador (pessoa que o publica no You Tube) e o substitui-o por outro, que já está no post seguinte. Peço desculpa.
Esta é a versão oficial já com o nome correcto A CHULA DA MERKEL (ela é muito mais Chula que Chulinha)para lhe ser cantada quando ela chegar a Portugal se alguém conseguir fazer uma versão em Alemão agradecia, para eu poder cantar na linguada CHULA (perdão) na língua da Merkel, assim ela irá certamente perceber. Vamos fazer também uma versão vídeo mais acabada e outra versão em estúdio com vários intervenientes...depois informo quando forem as gravações, porque vou precisar de figurantes.
Carlos Mendes

Surripiado ao Viriato Teles (via facebook)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Xutos & Pontapés - Chuva Dissolvente


Entre a chuva dissolvente
No meu caminho de casa
Dou comigo na corrente
Desta gente que se arrasta

Metro, túnel, confusão
Entre súor despertino
Mergulho na multidão
No dia a dia sem destino

Putos que crescem sem se ver
Basta pô-los em frente à televisão
Hão-de um dia se esquecer
Rasgar retratos, largar-me a mão
Hão-de um dia se esquecer
Como eu quando cresci
Será que ainda te lembras
Do que fizeram por ti?

E o que foi feito de ti?
E o que foi feito de mim?
E o que foi feito de ti?
Já me lembrei, já me esqueci

Quando te livrares do peso
Desse amor que não entendes
Vais sentir uma outra força
Como que uma falta imensa
E quando deres por ti
Entre a chuva dissolvente
És o pai de uma criança
No seu caminho de casa

E o que foi feito de ti?
E o que foi feito de mim?
E o que foi feito de ti?
Já me lembrei...
Já me lembrei, já me esqueci

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Se há alternativas, vamos a elas"


Se há alternativas, vamos a elas

Cipriano Justo (hoje no Publico)

Quando um povo coloca quem os governa em estado de recolher obrigatório, considerando as manifestações de protesto provocadas por qualquer dos seus membros sempre que põe a cabeça de fora do respectivo gabinete, é porque o grau de rejeição que se instalou tem uma tal intensidade que os governantes deixaram de ter condições para continuarem a exercer as suas funções. Nenhuma dessas manifestações é um inesperado acesso de mau-humor dos portugueses; elas têm uma história e uma base material, quantificável pelo valor da destruição do emprego, rendimento, expectativas e bem-estar social e individual. Por muito menos, a má moeda foi colocada fora de circulação. O princípio da precaução, bastante aplicado em saúde pública, deve igualmente estar presente sempre que as circunstâncias políticas e sociais o exigem, competindo ao vértice dos órgãos de soberania tomar as providências necessárias para o efeito. Em qualquer circunstância os benefícios resultantes da interrupção do curso dos acontecimentos são sempre superiores aos custos do prolongamento de uma doença.
 
O estado de desgraça do governo, da coligação e da maioria parlamentar é tal que os defensores de uma salvífica remodelação vão abandonando essa trincheira, transferindo-se para o desenho da solução governativa que se segue, ainda no contexto da actual composição da Assembleia da República. Porém, para que tivesse legitimidade popular, seria necessário que se verificasse uma condição insuperável no actual quadro parlamentar: que os deputados que nestes quinze meses têm apoiado a coligação dessem agora o dito por não dito. Esse exercício até podia vir a ser conseguido por uma daqueles exercícios de engenharia partidária em que o PSD, nomeadamente, é particularmente hábil. Mas estes tempos deixaram de ser favoráveis às manobras da mão invisível da política de secretaria. Num instante, as praças e as ruas do país iriam encher-se para exigir a reposição da soberania popular, porque a composição do actual parlamento já é uma imagem substancialmente distorcida da vontade dos portugueses.
 
Portanto, mais vale atalhar e resolver esta situação pela via da aplicação das regras democráticas e constitucionais: dar a voz ao povo e confiar no sentido do seu voto. Por muito complexa e laboriosa que viesse a ser a constituição de uma solução alternativa de governo, é a escolha que neste momento mais se aproxima da vontade dos eleitores. E para a superação da conjuntura económico-financeira este aspecto tem uma importância que em caso algum deve ser menosprezado. Os ganhos de legitimidade obtidos, porque é esse o principal valor que neste momento está em causa, representaria uma relevante contribuição para as soluções políticas que viessem a ser equacionadas.
 
Por todas estas razões, e à velocidade e imprevisibilidade com que os acontecimentos políticos estão a desenrolar-se, é uma prioridade começar a tratar a agenda da governabilidade do país, interpelando para tanto o PS, o PCP e o BE. Assumindo-se a hipótese de nos próximos anos as maiorias absolutas estarem excluídas, dado o estado de espírito dos eleitores, isso reforça a tese de uma solução inclusiva no espaço político-partidário entre o PS e o PCP. Ao tornar-se eleitoralmente determinante, esse acontecimento teria condições para desbloquear as desconfianças e hesitações reinantes, contribuindo para imprimir outra dinâmica ao pólo da esquerda. Havendo elementos que permitem acreditar que naquele campo as diferenças são compatíveis de articular e que existem caminhos a explorar cujo sentido podem dar lugar a uma resposta que retire os portugueses do garrote financeiro em que o colocaram, então todas as iniciativas que contribuíssem para equacionar a sua concretização deviam fazer prova de vida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"Apetece cantar"


Um poema de Miguel Torga
 
Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

sábado, 20 de outubro de 2012

"O Regresso do Relaxoterapeuta"



Apesar de andar pouco participativo nestas andanças, raramente me escapa aquilo que os meus bloggers de referência vão publicando. Hoje tive a agradável surpresa de encontrar um “velho” companheiro da bloga, voltar ao activo. Como achei o post “delicioso” aqui o reproduzo com a devida vénia.



"E daí, talvez..."


"O despertador marcava 4:23. Nas últimas duas horas e três quartos assistira de olho arregalado à passagem de cada minuto, como quem desfia dolorosamente as contas de um rozário, implorando ao divino a graça da fé. Ou pelo menos a Graça cabeleireira, que é bem-boa.

A malvada insónia e as palavras do Pinheiro de Azevedo martelando-me na cabeça, estavam a transformar o merecido tempo de repouso numa angústia quase igual à vertigem de... um... discurso... de... Vitor... Gaspar. Com a breca, o Pinheiro de Azevedo tinha toda a razão - "Estou farto de brincadeiras, ok? ... fui sequestrado, já duas vezes, já chega. Não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia. " E a mim também me chateia Pinheiro, não gosto de ser sequestrado e muito menos de untar o vesgo de vazelina esterilizada, orçamento após orçamento. Sobretudo quando é o próprio arquitecto do miraculoso programa de emagrecimento e rejuvescimento, o frenético... ministro... Vitor... Gaspar, a confirmar que Portugal continua a esbanjar sem critério, desvendando que o país investiu na sua educação uma pipa de massa. Da grossa. Tá bom de ver, mais um péssimo investimento, mais um negócio ruinoso para um país demasiado generoso. Antes o dinheiro tivesse sido gasto em bolota que assim sempre lhe punhamos um presunto ao fumeiro e já nos sentíamos ressarcidos, uma vez que o vagaroso alfário insiste em retribuir o que ruminou durante algumas décadas. Mas fique sabendo caro... Gaspar, que por mim pode deixar-se de mesuras e de cerimónias, vá andando que não me deve absolutamente nada desses anos em que se deliciou em prados verdejantes. Chô! Chô!

Não sei se foi da noite mal dormida, se de me sentir sequestrado, ou se da greve dos padeiros, e daí talvez. A verdade é que senti de novo uma enorme vontade de... é pá, desculpem lá mas agora vou almoçar!..."
 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Amélia Muge - Nevoeiro (poema de Fernando Pessoa)


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
 
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
 
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!”

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

Jorge Palma - À Espera do fim


NOTA: Penso que esta canção pertençe ao album "Só" editado em 1991. Sem nunca ter sido, ou considerado um cantor de intervenção, os temas que cantou e canta na sua já longa carreira, têm uma particularidade especial de mexerem comigo. Como digo no canto superior direito deste blogue, aquilo que publico tem a ver com o meu estado de espiríto. Hoje deu-me para isto. Bom Domingo!
(post reeditado) 09-10-2011

sábado, 13 de outubro de 2012

Carlos Mendes - "Vagabundo do Mar" poema de Manuel da Fonseca


Do álbum "Vagabundo do Mar" (1997).
Poema de Manuel da Fonseca.
Música de Carlos Mendes

Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré...

Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...

Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?

Sei lá.

Fosse o que fosse
não tenho rota marcada
ando ao sabor da maré.

É, por isso, meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.

E agora,
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
aos vagabundos do mar.

Manuel da Fonseca

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"COMO CÃES DE RABO NA BOCA"

por Peter Pung
"O Sr. Zé produziu um Pão e vendeu-o por 1 Euro. No ano seguinte trabalhou mais e melhor e conseguiu produzir 2 Pães mas só os conseguiu vender por 0,75 euro (aos dois) porque o preço do Pão caiu. No ano seguinte os 3 Pães que produziu foram vendidos apenas por 0,25 Euro. O PIB do País do Pão estava em queda. O pânico instalou-se. Não havia um tal de "Crescimento".
O Governo de Padeiros preocupado com o CRESCIMENTO ECONÓMICO promoveu o endividamento do Sr. Zé para que este produzisse ainda mais Pães e assim o PIB crescesse.
Infelizmente nada aconteceu.
O Preço do Pão baixou.
No ano seguinte o governo decidiu endividar-se para ajudar ao endividamento do Sr. Zé para que este produzisse ainda mais Pães.
Mas o Preço do Pão voltou a encolher e o País não cresceu.
No ano seguinte o Governo resolveu tomar uma medida inovadora: promover o endividamento dos consumidores de Pães para aumentar o Consumo e fazer crescer o PIB.
O Preço do Pão desceu ainda mais e o PIB do País não cresceu.
A crise instalou-se. Se o País do Sr. Zé fosse uma animal seria um daqueles cães que ficam tontos de tanto tentarem morder a cauda sem sucesso.
Algo estava mal.
O Governo reflectiu, analisou e concluiu que o problema é só um : a empresa do Sr. Zé, o Sr. Zé, os clientes do Sr. Zé e o Estado estavam todos sobre endividados !!!
Chamaram Advogados e Economistas famosos. Debateram ideias e até fizeram análises jurídicas e econométricas complexas.
Depois de muitas análises laboratoriais ganharam coragem e em nome do Pão foi decidido :
1) Assumir frontalmente que o Sr. Zé trabalha muito pouco e que tem um problema;
2) Que perante níveis de produtividade e competitividade tão baixos há que liberalizar o seu despedimento e reduzir os descontos que faz para a sua velhice para que assim se consiga exportar para o grande mercado internacional do Pão;
3) Para convencer os Credores de que o Sr. Zé vai conseguir pagar todas as sua dívidas e até aumentar as Exportações reduziram-lhe, com um aumento brutal de impostos, o dinheiro disponível para o Consumo do Pão e para os Investimentos na actividade.
(Dois anos mais tarde.....)
Passaram dois anos e o Sr. Zé é mais feliz.
Vendeu a padaria para uma loja dos chineses, fugiu da dívida e emigrou para a Suíça.
Está empregado numa padaria que faz Pães com uma Arte como nunca viu fazer. Sabores e recheios incríveis. A padaria até tem uma marca e tem uma forma de se relacionar com os clientes como nunca viu em Portugal. Agora tem tempo para ir ao Teatro e Exposições de pintura. Lê mais e até está a tirar um curso sobre Gestão e Artes Gastronómicas na Universidade do Pão. Os filhos estudam coisas que só os "Estrangeiros aprendem"....esperam um dia serem tão criativos e inovadores que não há PREÇO que os agarre.
Sonha um dia voltar a Portugal para mostrar não é nenhuma besta incapaz e que nunca lhe deram Oportunidades.
Manda saudades e pediu-me para vos dizer que o problema não é a dívida como nos dizem. É do PREÇO."

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"A coisa por aqui está preta"



A poesia só por si ou transformada em música acompanhou-me desde muito cedo. Houve tempos em que era a única forma de “desembuchar “e ganhar alento para nos motivarmos para as causas que muitos de nós ainda na “puberdade” já abraçávamos.
Numa fase da minha vida e de grande parte dos Portugueses em que a tristeza nos invade e nos motiva a lutar contar o miserabilismo que nos estão a impor e quando as palavras não saem, os poucos posts que tenho publicado são de canções que de uma forma ou outra me marcaram e cujo conteúdo me diz muito.
Talvez em jeito de resposta, ao “quase anónimo” que me perdoem os restantes comentadores, aqui deixo mais uma, que talvez responda às questões que deixou.
Claro que farei tudo o que for capaz e não será o desânimo que me derrota.

domingo, 7 de outubro de 2012

Farto de Voar - Sérgio Godinho


Farto de Voar

Sérgio Godinho

Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arpão
no arpão

Levo a dormir
Sonhos que andei para trás
Ergo o porvir
Trago nos bolsos a paz
Tenho um corpo na morte espetado
Só suspenso por balas dum lado
E do outro a escapar
a escapar
de raspão
de raspão

Ponho a girar
Cantos que ninguém encerra
De par em par
Abro as janelas para terra
Tenho um quarto na fome espetado
Só suspenso por água dum lado
E do outro a cair
a cair
no alçapão
no alçapão

Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão

sábado, 6 de outubro de 2012

Artigo 21.º Constituição da republica Portuguesa


Artigo 21.º Constituição  da republica Portuguesa
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Gabriel O Pensador - Pega Ladrão


Esta canção e este vídeo não foi feito, tendo Portugal como objectivo. Daí poder haver algum desenquadramento (na letra e nas personalidades) em relação à minha intenção que é óbvia.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

COSA NOSTRA PORTUGUESA

Tenho sempre algum cuidado quando publico algo relacionado com instituições e pessoas. Não conhecia o esclarecimento da Leirisport (o CBO chamou-me a atenção, mas só hoje a encontrei o desmentido).
Com um pedido de desculpas aos leitores e a quem mais se possa ter sentido ofendido, aqui fica o devido esclarecimento.
 
LEIRISPORT
RESPONDE
A MIGUEL SOUSA TAVARES
o Expresso de 21 de Julho ultimo apresenta urn artigo de Miguel Sousa Tavares (MST) intitulado "0 PREe de Direita", no qual sao feitas referencias incorretas a LEIRISPORT -Desporto, Lazer e Turismo de Leiria, EM. Ao abrigo do direito de res posta previsto na Lei de Imprensa, a administração desta empresa solicita a publicação do seguinte esclarecimento:
1-A LEIRISPORT e uma empresa detida integralmente pelo Municipio de Leiria que se dedica gestão de 18 instalações municipais, e não duas, como escreveu MST, as quais registaram, em 2011, cerca de 700 mil entradas.
2 -A LEIRISPORT promove três programas de actividade fisica, com cerca de 2 mil participantes efectivos, e organiza ou acolhe eventos empresariais, institucionais e culturais.
3 -A LEIRISPORT tern 100 trabalhadores com salarios inferiores e uma carga horaria superior aos praticados para os funcionarios da autarquia. Dos tres membros da administra~ao, apenas urn e remunerado.
4 -Na epoca 2011/2012, 0 Estadio Municipal de Leiria acolheu 11 provas de atletismo, 9 jogos de futebol (urn deles da sele~ao AA), 3 encontros de escolas de futebol, 30 treinos de sele¢es distritais, 80 treinos de árbitros (incluindo Pedro Proença e equipa), 60 treinos de raguebi e 2 de eventos da modalidade, 60 treinos de pentatlo modemo, 30 treinos de ultimate frisbee, alem de 287 eventos empresariais. 0 Estádio não esta 'as moscas'.
5 -Sugerimos a MST e demais interessados a consulta do site www.leirisport.pt. onde estilo publicadas as contas da empresa e outros documentos e informações sobre a mesma.
 
PELA LEIRISPORT, António Martinho e Manuel Mendes Nunes

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Acordai


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

Música: Fernando Lopes Graça
Poema: José Gomes Ferreira
Interpretação: Coro de Câmara Lisboa Cantat.