domingo, 24 de abril de 2011

24 de Abril de 1974

Como dizia o Sérgio "vem-me à memória uma frase batida" recordo o dia anterior á revolução do 25 de Abril.

Era um jovem com 19 anos de idade, trabalhava e estudava desde os 10 anos (no que toca aos estudos, foram interrompidos muitas vezes porque não dava para tudo) há minha frente tinha um muro completamente opaco, ou seja tinha pela frente um futuro completamente imprevisível. A única coisa que sabia é que daí a pouco tempo, tinha a tropa pela frente e consequentemente a guerra colonial e tudo que a mesma podia trazer. Ainda hoje recordo o "Maria" um jovem da Moita colega de trabalho que ao despedir-se antes de embarcar para uma das ex-colónias, nos dizia que não nos voltava a ver, o que efectivamente aconteceu pois muito pouco tempo depois veio a morrer na guerra.

Conheço a incerteza com que os jovens de hoje encaram a vida, os problemas e angustias que vivem. Mas ter pela frente como única alternativa de vida a incerteza do que pode acontecer depois de transposto aquele muro, é de facto inimaginável...

Mesmo que o 25 de Abril não tivesse trazido mais nada (e trouxe de facto muito mais) teria valido a pena.

Reprodução do 1º post publicado neste blogue em 24 de Abril de 2009

3 comentários:

Ana Brito disse...

Caro Rodrigo
A memória é a possibilidade de conservar experiências e conhecimentos e de os evocar consoante as necessidades. As experiências inscrevem-se com a sua significação presente, em particular quando elas têm que ver com a satisfação ou a decepção de um desejo ou com a angústia perante um perigo tal como aconteceu ao amigo "Maria". Centenas de vocábulos, de palavras, de cenários... voltam à memória depois de term "vegetado" durante anos no seu limiar, mas, sem dúvida, as cadeias associativas são utilizadas conscientemente como instrumentos mnemotécnicos e os "jogos de palavras" prestam-se muito a isso...
Aproveito, meu Amigo, para lhe desejar uma Páscoa Feliz, suficentemente amendoada.
Um abraço amigo e sucesso :)
Ana Brito

Fê-blue bird disse...

Amigo:
Eu tinha 17 anos, nada sabia da vida e muito menos de política. Andava a estudar na altura e lembro-me da polícia de choque a reprimir manifestações de estudantes no Instituto Comercial que então frequentava.
Lembro-me do meu pai a contestar o regime, mas a avisar-nos para nada dizer na rua.
Mas principalmente lembro-me do espírito do 25 de Abril, da explosão de festa e de liberdade, dos cravos, dos soldados e do povo.
Nunca irei esquecer o que senti!
25 de Abril SEMPRE!

Beijinhos

Isa GT disse...

Eu estava quase a fazer 17 e também não me esqueço do 24 e muito menos do 25.
37 anos passados, tem sido uma verdadeira desilusão, talvez por culpa minha, as expectativas foram postas numa fasquia demasiado alta.
Acreditei num país que, a partir dali, todos poderiam subir na vida por mérito e não pelo nome de família ou pertencer ao clube dos instalados... pura ingenuidade de adolescente...

Bjos