terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Recordações

Ainda muito jovem quando era trabalhador estudante, a professora de Português (de que não recordo o nome) deu-me a ler, para a turma um texto.
Durante a leitura e porque o seu conteúdo mexeu comigo gaguejei e a leitura saiu mal e com algum embargo na voz.

Tratava-se de uma cópia “grosseira” (julgo que nessa altura a fotocopiadora ainda não estava inventada). Não registei nem o autor nem o nome do texto. Ficou-me só a ideia de que falava de rosas e se estar forçadamente longe da família.
Durante o período lectivo fui pedindo à professora uma cópia daquele texto que me marcou. Claro que sem perceber bem porquê a professora ia fugindo à questão chegando a admoestar-me por lhe falar no assunto.
No fim do Período (julgo que para aí em 1969) a professora disse-me para ficar, pois queria falar comigo. Deu-me um envelope fechado com um papel dobrado lá dentro, advertindo-me que não o devia mostrar a ninguém e muito menos dizer a quem quer que fosse quem mo tinha dado.

Lá dentro estava o tal texto, com o título de: “rosas vermelhas” em baixo o nome de Manuel Alegre. Este o meu primeiro contacto com a escrita de Manuel Alegre. Até ao dia de ontem, nunca estive perto (fisicamente) do Poeta. Ontem estive a poucos metros. Mas de facto senti que já o conhecia há muito.

Recordei este episódio quando O Dr. Álvaro Pereira na sua intervenção (na abertura do Comício)  com a voz embargada disse que começou a declamar Manuel Alegre em 1969.

6 comentários:

Luís Coelho disse...

Um texto muito sensível e agradável.
Ninguém lhe tirará valor por ser poeta e escritor
Ninguém lhe desejará mal por defender os seus ideais, nem por se candidatar ao mais alto cargo da Nação.
Deixe o maldizer e mostre o programa e como fazê-lo cumprir ajudando-nos a sair deste marasmo....

Está a perder pontos ...muitos pontos....

Pedro Coimbra disse...

Assino por baixo o que escreveu o comentador anterior.
Alegre deixou-se enredar nas canções de escárnio e maldizer e esqueceu-se do poema.
Vai pagar um preço alto por esse erro primário.
Um abraço

folha seca disse...

Caros Luis Coelho e Pedro Coimbra
Como é obvio tenho acompanhado a pré e a campanha eleitoral.
Se se referem ao "Negócio" do Cavaco e familia com o BPN, recordo que não foi o Alegre sequer a levantar a questão. Embora naturalmente sobre isso se pronunciasse, especialmente dizendo que as coisas deviam ser clarificadas. Nisso estou de acordo. Até porque foi um negócio em que uns tantos ganharam uma pipa de massa e que vamos ser nós a pagar.
Quanto ao resto não me parece haver assim tanto maldizer. Mas pronto os meus caros provavelmente ouviram coisas que eu não.
Abraços

Flor do Liz disse...

Como sempre, ontem, emocionei-me a ouvir o Manuel Alegre, sempre o ouvi mais do que o li.
Curioso, foi aqui na Marinha Grande, na Estação de Caminhos de Ferro, que o Manuel Alegre se me dirigiu pois, tinha curiosidade, em saber de onde era este grupo de jovens muito activo, que estava quase sempre em todo lado.
Hoje, fico muito triste por ver os jovens e não só, muito encolhidos.

VIVA A CANDIDATURA DO MANUEL ALEGRE

folha seca disse...

Cara Flor do Liz
Pelos vistos ontem estivemos na mesma sala. Sala (auditório) que me faz recordar sempre com emoção o saudoso Dr.Vareda, pois recordo-o a dizer que a ultima obra que queria construir no Operário era uma auditório digno. Quis o destino que pouco tempo depois da conclusão da obra, este grande Marinhense, nos deixasse.
Quanto ao resto faço coro consigo.

VIVA A CANDIDATURA DO MANUEL ALEGRE
Cumprimentos

heretico disse...

excelente.
o primeiro texto que li de M. Alegre foi no jornal da academia de Coimbra, "Via Latina".

(parece que foi ontem lol)
abraço