quarta-feira, 24 de outubro de 2012

"Apetece cantar"


Um poema de Miguel Torga
 
Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

7 comentários:

Luís Coelho disse...

Olá amigo
Obrigado por ler este poema e ao mesmo tempo ouvi-lo numa voz que nos faz estremecer interiormente.

Luciano Craveiro disse...

Uma guitarra, um contrabaixo e uma voz poderosa. ADOREI!!
Aquele abraço

Francisco Clamote disse...

Belo poema, Rodrigo. Abraço.

quem és, que fazes aqui? disse...

E os dia da ira chegarão e... não ficará pedra sobre pedra!

Beijo

Laura

Janita disse...

Rodrigo.
Vivemos mesmo dias de Ira, enraivecidos, revoltados, apetecendo-nos fazer tudo para mudar, mas pouco ou nada podemos fazer.
A sensação de impotência é horrível. Verdadeiras angústias paradas!
Excelente interpretação cantada deste belo poema de Torga.
Obrigada, Rodrigo!

Um beijo.

Rogério Pereira disse...

Um dia este poema, verso a verso se há-de inverter

Nesse dia, seremos nós os seus cantores

Rosa dos Ventos disse...

Que bela junção!

Abraço