quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sonhos, ilusões ou vice-versa?

Desde muito cedo aprendi a sonhar com um mundo justo onde o homem não vivesse à custa da exploração dos seus semelhantes.
Digo desde muito cedo, porque soube também demasiado cedo o que era isso, quando com 10 anos saí da escola primária e fui directo para a fábrica de vidros trabalhar por turnos. Também demasiado cedo fui confrontado com o facto do meu avô paterno ter passado 14 anos nos carceres fascistas porque foi uns dos que em 18 de Janeiro de 1934 quis realizar o sonho de acabar com a ditadura fascista que oprimia o povo Português.
 
Durante a minha vida sempre acalentei o sonho de um dia viver numa sociedade onde cada um de nós a ela desse a nossa capacidade de trabalho e dela recebesse o que necessitava em todos os campos. Em cada dia que passa começa a nascer em mim a sensação de que que este sonho continua a ser lindo, mas cada vez mais se torna numa terrível ilusão.
 
Começo a sentir que ainda tem de nascer o homem novo capaz de concretizar esse lindo sonho. Sou dos que pensa que “a Democracia é o pior de todos os sistemas, mas ainda não foi inventado outro melhor”. O que conhecemos em alternativa, ruiu como um castelo de areia destruindo o “sonho” de milhões de homens que nele acreditavam.
 
Não sendo um estudioso da matéria em termos do nascimento de novas realidades que pelo mundo se vão desenvolvendo, vivo preocupado com o pior animal que a natureza criou, sim o homem com todos os defeitos que o leva a cometer os mais monstruosos actos com a ambição de poder, politico e económico. Vão sobrevivendo naturalmente aqueles que lutam por justiça.
 
Este post não é mais do que o seguimento do anterior em jeito de rescaldo de alguns acontecimentos dos últimos dias  e me levaram a sentir que o meu sonho estava de novo vivo, mas que aos poucos se foi tornando numa verdadeira desilusão.

5 comentários:

L.O.L. disse...

Fica a impressão que todos os nossos sonhos são em vão. Triste. Muito triste. :(
Abraço

quem és, que fazes aqui? disse...


Estive a ler o seu texto anterior. E o meu medo, já não é receio, é que esta viagem terrífica siga sem paragem.

Onde pára a memória coletiva? Onde estão as gentes de Abril?

Parece que o país foi anestesiado e que agoniza lentamente, gostando.

Raios partam estes fdp (desculpe, mas só assim) que nos estão a roubar a vida, a dignidade e o acreditar.

Beijo

Laura

Francisco Clamote disse...

Também acredito, Rodrigo, que é preciso um homem novo, ou, dito de outra forma, nascer de novo para termos uma sociedade justa. Infelizmente, não está ao alcance da mão, como temos de concluir face aos falhanços das tentativas realizadas nesse sentido. Que fazer? Lutar pela liberdade e justiça, embora tal seja mais fácil de dizer do que de realizar.Abraço.

Rogério Pereira disse...

A descrença , a lamuria e a pressa em ver realizado algo que resultará do trabalho continuado de gerações, impedem-me de comentário mais extenso...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Rodrigo
Embora nesta matéria não seja pessoa para desistir, sinto que é cada vez mais difícil podermos acreditar num Mundo Novo.
Nos primeiros tempos da globalização, procurei encarniçadamente lutar contra ela, porque saltava à vista que, mais cedo ou mais tarde, chegaríamos a esta situação.
Fui dos que- embora não sendo seu apoiante- sempre deu razão às palavras de Sócrates, porque tal como ele, sabia que a crise era global e não um problema especificamente português. Que tenderia a agravar-se com um governo de direita.
Infelizmente, alguns partidos de esquerda não perceberam isso e preferiram, inconscientemente, apostar no tiro no escuro, entregando os destinos do país à direita mais retrógrada e incompetente que nos governou desde o 25 de Abril.
Hoje em dia, já não é apenas o problema português que me preocupa, Rodrigo. É um problema do mundo ocidental que pressinto a ruir, emaranhado na sua teia de contradições. Vêm aí tempos muito mais difíceis do que aqueles que vivemos agora. Para Portugal e para o mundo. É essa a razão da minha descrença, mas recuso-me a deitar a toalha ao chão.
Desculpe o espaço que lhe tomei,Rodrigo
Abraço e bom fds