sábado, 17 de novembro de 2012

"Ilumina-me"


Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

4 comentários:

Rogério Pereira disse...

Há poemas belos
Que se esgotam
Depois de ouvidos

Janita disse...

O poema é lindíssimo! Daqueles que se leem, releem e nunca se lhes esgota o sentido. Na minha opinião a música é que fica um pouco aquém da qualidade da poesia, principalmente no início.
Gostei, Rodrigo e agradeço-lhe a partilha deste poema tão belo.

Um beijo e bom domingo.

Gisa disse...

Rodrigo estou encantada por tuas palavras. A sensibilidade ultrapassa a tela e atinge o leitor em cheio. Lindo, simplesmente lindo.
Um grande bj e bom domingo.

quem és, que fazes aqui? disse...



Sou suspeita, gosto!

Pelo poema, pela carreira e por estar ligado à minha família.

Beijo

Laura