terça-feira, 3 de maio de 2011

Verdade, mentira, certeza, incerteza...

Verdade, Mentira, Certeza, Incerteza


Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
Sobre o mais alto dos joelhos cruzados.
Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?

O cego pára na estrada,
Desliguei as mãos de cima do joelho
Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos
e as minhas mãos.

Qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.

Ser real é isto.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

7 comentários:

Angélica Lins disse...

Sou grata aos bons ventos, que sempre me sopram para lugares maravilhosos como este.

Tenha um lindo dia. =)

flor de jasmim disse...

Tu e o teu bom gosto... belo este poema, assim como as palavras adequadas aos momentos que se vivem. Mentiras, incertezas, é de facto o que mais vivemos nestes tempos, cegos, só o é quem o quer...e tu consegues deixar aqui essa mensagem.
Beijinho

Isa GT disse...

Concordo com a flor de jasmim... 4 palavras muito actuais.
Estamos "soterrados" em poucas verdades, muitas mentiras, poucas certezas e muitas incertezas.

Bjos

folha seca disse...

Caras amigas
Há dias em que nos apetece dizer e escrever o que sentimos. Mas a "tecla" não acerta nas palavras "exactas". O recurso ao Fernando Pessoa ou a outros poetas é recorrente. Talvez porque aí encontre as palavras que não consigo escrever, mas que correspondem ao que efectivamente sinto.
Beijos

Janita disse...

Mentiras muitas...
Verdades,
cada qual tem a sua.
Incertezas...tantas!
Só a morte é a Certeza
nua e crua...

Peço desculpa por entrar em sua casa sem pedir licença.
Lembrei-me de o visitar
e não quis sair
sem deixar sinal
da minha presença.
Saudações.
Janita

folha seca disse...

Janita
Tantas vezes que nos temos encontrado por aí que já era tempo de uma visita. À sua casa já fui várias vezes, mas como sou envergonhado, passei sem deixar rasto (por aqui diz-se "como cão por vinha vindimada".
Obrigado pela visita e espero que volte mais vezes.
Cumprimentos

Janita disse...

Obrigada pelo bom acolhimento.

Como sei que sou vista por alguns bloguistas como persona non grata, estava com um certo receio.

Embora a minha intuição me diga quais são e desses eu me afaste sem pena nem remissão.

Janita