sexta-feira, 20 de abril de 2012

"A minha balada do desespero"


Sexta-feira à noite porra outra vez chiça nenhum cabrão me vai pedir dinheiro seja banco fornecedor fornecedora de energia eléctrica agua gás luz telemóvel sim eu sei que a todos vós eu devo sim seu cabrões de merda eu sei eu sou gente séria e só não pago porque não posso sim seus cabrões olhem para a minha vida e perguntei-me o quanto a mim me devem antes de me apresentarem a conta eu troco as minhas dividas pelos meus créditos e vai sobrar muito muito a meu favor por isso deixem-me uns dias em paz não não me lixem o fim de semana a mandar as meninas dos call center ligar-me a toda a hora merda eu pago deixem-me respirar eu pago merda eu pago mas deixem-me receber primeiro receber o que a mim me devem sim seus agiotas dos bancos foram vocês que se fartaram de me oferecer créditos a taxa quase zero sim seus especuladores das redes telefónicas vocês davam tudo e mais tudo telefonar era quase de borla sim seus burlões do gás canalizado era mais barato mas quando eu não tinha dinheiro para comprar a garrafa não comprava e agora vocês têm a torneira sempre aberta e se não pagar cortam e não tenho alternativa porque se encarregaram de montar circuitos que não dá para alterar e voltar à botija sim mas o homem da mercearia que me vai fiando também vai engelhando o nariz e sem o arroz a massa e mais umas coisitas é que não dá porra eu já mal como mal durmo já só bebo água da torneira e já não faço outros coisas que seria natural fazer porra deixem-me em paz este fim de semana não me chateiem voltem voltem à carga mas só na próxima segunda feira será pedir muito

Encontrado por aí sem autor e sem link possível. Sim tentei trazer para aqui uma conversa tida hoje ao fim da tarde com alguem que podia ser um dos muitos personagens dum teatro macabro a que  obrigatóriamente assistimos diáriamante, a falta de pontuação é de propósito para que cada um de nós  a ponha no sitío certo, se o encontrar. neste caso era apenas um operário ligado ao ramo da construção civil que vive com 3 meses de salário em atrazo.
E quando nos calhar a nós, será que a isso estamos imunes?

5 comentários:

acácia rubra disse...

Esta e a NOSSA balada do DESESPERO !

PORRA! CHEGA!

Beijo

Rogério Pereira disse...

Este é uma vítima da má estatística.

O Gaspar está-se cagando. O que é preciso é cumprir com o assinado...

Fê-blue bird disse...

Meu amigo este desespero tocou-me profundamente.
Vivemos todos em fila à beira do precipício, uns caem primeiro, mas a fila é longa.
Muito triste e preocupante!


beijinhos

mfc disse...

Um desabafo que gostava de ter escrito por tanto o ter sentido!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Conheço, infelizmente, alguns casos semelhantes...
Abraço