sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Menina Bexigosa"


Sidónio Muralha

A menina bexigosa viu-se ao espelho
soltou-se do vestido e viu-se nua
está agora vestida de vermelho,
inerte, no passeio da rua

Antes fora alegria e alvoroço
mas num baile ninguém a foi buscar
morreu o sonho no seu corpo moço
passou a noite a chorar

Tanto chorou que lhe chamaram louca
cada qual lhe levava o seu conselho
mas ninguém ninguém ninguém lhe beijou a boca
e a menina bexigosa viu-se ao espelho

Depois, fecharam a janela
vieram os vizinhos: ´Pobre mãe...´
vieram oa amigos: ´Pobre dela...´
´era tão boa e simples tão honesta,
... portava-se tão bem´
E dão-lhe beijos na testa
beijos correctos pois ninguém, ninguém
soube em vida matar a sua sede

A menina bexigosa portava-se tão bem´
O espelho continua na parede.

3 comentários:

Luciano disse...

Muita gente associa o nome de Manuel Freire apenas à Pedra Filosofal. Pelos vistos é muito mais que isso. Muito bom.
Um grande abraço.

Graça Sampaio disse...

Que poema tão triste! Sidónio Muralha tem poemas tão bonitos! Mas este faz lembrar a situação deste país triste que não coragem de se levantar e lutar contra as suas pretensa bexigas...

Bom fim de semana!

poetaeusou . . . disse...

*
num dia treze chuvoso,
sexta-feira perigosa,
a menina bexigosa,
junta-se a um povo . . . choroso.
,
ventanias chuvosas,
(hoje)
deixo,
*