sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Estados de Espírito (2)

A propósito de um comentário que o Carlos Barbosa de Oliveira me deixou ontem, recuperei um texto que publiquei há quase um ano no "Largo das Calhandreiras"

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010
Desabafos...
Não sendo um conhecedor da história, ao ponto de me pôr a descrever a cronologia e o evoluir do comportamento das “massas” em relação ao conjunto de acontecimentos que marcaram a nossa “evolução” politica nas últimas 4 décadas. Há um que me parece ter-se perpetuado no tempo e atingindo, quase que uma paranóia nacional nestes últimos meses.
Trata-se de dividir os Portugueses nos “do contra e nos dos a favor”.

Argumento técnicos jurídicos à parte, mais éticas e jurisprudências, nota-se uma tendência para mandar às malvas as citadas, por parte de algumas forças politicas e o entrincheiramento nessas questões por outras. Sinto que se está a querer reduzir à discussão politica, o argumento técnico jurídico, isto é, só discute política quem tem formação “ técnico científica para o fazer” o que reduziria drasticamente o número de pessoas habilitadas a discutir politica. Mais, para simples opinadores, como é o meu caso, que ainda por cima, se atreve a ir deixando por aí algumas opiniões, será caso para dizer a mim próprio, qualquer coisa do tipo “tem mas é juízo”.
Ora bem, como comecei a ter opiniões politicas nos tempos (perdoem-me a imodéstia) em que no meio, os “intelectuais” eram raros e os “analfabetos” abundavam, onde dei os primeiros passos na actividade politica e segundo reza a história foi nos meios operários e camponeses que nasceu a aliança com os militares que fez com que em Portugal houvesse a 25 de Abril de 1974 uma revolução que pôs termo a 48 de ditadura fascista, vou continuar, enquanto isso me for permitido a opinar e se um dia o não for, provavelmente ainda sou capaz de escrever umas letras garrafais numa qualquer parede a jeito, do tipo “ABAIXO QUALQUER COISA”.

Isto para dizer que a discussão politica está hoje limitada ao Parlamento e respectivas comissões parlamentares, eventuais e extraordinárias, passando o restante pelos média, onde surgiu uma nova classe profissional (os comentadores) que segundo parece é das profissões mais bem pagas, a seguir aos jogadores de futebol (é evidente que me refiro aos craques, quer numa, quer noutra). Claro que também há a blogosfera, mas aí há “pano para mangas” que não dá para desenrolar neste post.

Mas a questão que queria deixar, era esta? Onde podem dar a sua opinião os que não tem os meios referidos à sua disposição? Têm que esperar pelas próximas eleições? Têm que esperar que uma qualquer central sindical promova uma manifestação? Sim nós os pagantes (os que ainda conseguimos) vamos andando por aí caladinhos como ratos, ou à espera que nos calhe na rifa o direito a responder a uma qualquer sondagem e aí sentirmos que “até que enfim alguém me pergunta qualquer coisa?”.

Bom fim de semana

Calhandrado por folha seca às Sexta-feira, Agosto 13.

1 comentário:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

A questão é muito bem colocada, Rodrigo, mas o que começo a sentir é que as pessoas estão cansadas de política e fogem da discussão como o Diabo da cruz.
Isso preocupa-me, poque é uma demissão de cidadania. Como alguém disse, a política começa no prato da sopa. Se cuspirmos nela, estamos a hipotecar o futuro.
Só mais uma coisa a este propósito. Dias depois das eleições, um blogger que criou uma imagem de credibilidade que não tem e se fartou de atacar o anterior governo, escrevia no seu blog: " Estou enojado da política"
Bastaram apenas mais alguns dias, para ser recrutado para um gabinete ministerial...
Deculpe a extensão do comentário, Rodrigo