domingo, 13 de maio de 2012

Um comentário que gostava de ter escrito.

vinagrete disse...


Caro Rodrigo

Vivemos um tempo "sem tempo".
Sem tempo para pensar.
Sem tempo para ter esperança.
Sem tempo para acreditar.
Sem tempo para protestar.
Encurralados numa argumentação ultra liberal de que a culpa é do déficite e da dívida que é dele consequência, reagem muitos como rebanho entre arame farpado.
Muitos de nós, por ventura da classe média baixa, ou até desempregados, precários e indigentes, aceitam esta explicação e atiram-se, como lobos, aos funcionários públicos, ao Sócrates e ao sistema social que é a nossa matriz, acusando-os de gastarem de mais e para além do que não tinham.
Alguns saudosistas começam a recuperara a imagem de Salazar,o impoluto, que terá deixado o Banco de Portugal a abarrotar de ouro, as finanças equilibrados, esquecendo-se de dizer que também deixou as prisões cheias de homens e mulheres privados de liberdade e sem julgamento, só por delito de opinião. Deixou um País pobre, com os grandes grupos económicos entregues a 3 ou 4 famílias, devidamente protegidas pelo estado.
Deixou uma esmagadora maioria da população no mais degradante analfabetismo, um indice de mortalidade dos mais altos do Mundo civilizado e milhares de mortos e estropiados por uma guerra colonial condenada ao fracasso.
Temos agora um primeiro ministro que demonstra querer seguir a receita dos velhos caudilhos.
Para este Betinho, que fez carreira política na JSD, que nunca esteve desempregado, "estar no desemprego ou ser despedido não é um drama, pode até ser uma oportunidade". Esta caricatura de político, que nos acusa de termos gasto de mais a comprar casa, ou carro, ou a recorrer ao SNS, é uma figura sinistra de aprendiz de tirano, que não pode ser menosprezada. Em condições políticas normais, no quadro do funcionamento democrático das sociedades modernas, este Governo já deveria ter sido regeitado pela maioria da opinião pública e as sondagens deveriam mostrar isso mesmo. Infelizmente não acontece assim, porque a "oposição eficaz", entenda-se o PS, navega em águas turvas e com um timoneiro que tirou a sua licença de navegação à vista, na mesma escola do 1º ministro.
Aqui chegados, a maioria de nós sente-se à deriva. Procura desesperadamente uma tábua onde se agarrar, sem olhar à volta, para os outros náufragos da sorte e sem acreditar que juntos, poderíamos "remover" a besta.
13 de Maio de 2012 01:04


O "Vinagrete" é um homem que conheço há bastante tempo. Quer na actividade politica, quer na profissional acompanhámo-nos por diversos caminhos. Ainda hoje temos relações, profissionais. Acresce que há uns anitos foi ele que me sugeriu a visita a um blogue de que me tornei "escriba". Pena não ter mais tempo, pois sem duvida tería muito a dizer-nos.
Abraço amigo (e desculpa)

10 comentários:

Francisco Clamote disse...

Concordo, Rodrigo.

Mery disse...

Olá, vim ler-te;
eu choro por Portugal*, tenho meus motivos, lembro dos tamancos de meu pai* rs ...
Um dia ele veio para o Brasil bem novinho pra "viver melhor", ele nunca quis, mas o mandaram(um tio). Era outra época bem difícil, acho que o tal Salazar é que imperava no "Governo, ditador cruel, eu não sei bem, mas meu pai morreu no Brasil, sempre chorando pelo Porto*...lugar onde nasceu.
Essas notícias que leio da "crise pela qual estão passando me deixa muito triste...Vale a pena continuarem unidos, a luta tem que ser *a união de todos que amam Portugal. Força!
Aqui no Brasil, também vivemos com esses corruptos safados que não têm coração, parece que ñ são brasileiros, odeio essa gente, que nos roubam e ficam dizendo que "estamos bem. Nada disso; nossa sina é pagar impostos altíssimos "só impostos, é o preço q pagamos para esses Malandros viverem nas farras comendo e bebendo às nossas custas.
DESCULPE, ME EMOCIONEI..
MUITOS BEIJINHOS PRA TODOS VOCÊS DAÍ...Mery*/do Rio de Janeiro

quem és, que fazes aqui? disse...

"Um comentário que gostava de ter escrito" também eu.

Obrigada pela partilha!

Beijo

Laura

Rogério Pereira disse...

O vinagrete, avinagrou!

Só discordo por nos situar como náufragos da sorte... e ter fulanizado a questão. Ela não é o "Passos Coelho" ela é os interesses e as politicas que ele defende. Não situar aí a questão pode levar-nos a que, quando ele sair, a coisa se repetir...

Isa GT disse...

Não escreveu mas tem o mérito de o publicar :)

De certo modo concordo com o Rogério... e o maior problema serão os estragos irreversíveis que vão ser feitos por este coelho...

Bjos

Graça Sampaio disse...

Concordo com o comentário! Só que é fácil atirar as culpas da nossa incapacidade de reação para o PS. É o povo que tem de reagir, não é o PS! Mas o povo está completamente cego (leia-se o Ensaio sobre a Cegueira) e não quer ver nada. Quer é descontos no Pingo Doce e as palavrinhas mansas do Cavaco e de outros "homens honestos" como ele! "Porque este governo não pode fazer de outra maneira perante a miséria em que o Sócrates (o anti-Cristo!) deixou o país"...

Vinagrete disse...

Obrigado Rodrigo por teres partilhado um pequeno texto, fruto de uma reação expontânea ao que acabava de ver na TV relacionado com os desempregados.
Certamente por isso, fulanizei excessivamente o meu pensamento, mas a verdade é que o "mensageiro" daquela frase foi PPC, 1º ministro eleito de Portugal, não pelo mérito das suas propostas políticas, mas antes pelo "contra voto em Sócrates" e também, porque ele "é bem parecido, tem um ar calmo, sereno e fala bem". A quantidade de votos desperdiçados nos bem parecidos, demagogos e populistas é bem maior do que aquela que supomos.
Num espaço como este, não é fácil resumir em meia dúzia de linhas, a orientação político-ideológica que está por detrás de um político tipo "farinha amparo", nem as consequências que isso trará para todos nós. Não tenho essa pretensão, nem foi essa a minha intenção. É bem mais fácil fazer perceber aos incautos que votaram nesta maioria, que elegeram uma fraude, uma marioneta, uma caricatura, que está a pôr em marcha um plano de empobrecimento generalizado dos trabalhadores, na esperança de que o capital se torne mais competitivo e nos permita algum crescimento económico à custa dos mesmos e em benefício dos "mercados".
Neste Mundo Globalizado, o dinheiro sem fronteiras controla a economia. A soberanis dos estados ficou rduzida ao Estado mínimo e a minha grande frustração é não fazer ideia como saír desta armadilha.
Um abraço.

Luciano disse...

Fiquei a pensar que os "grandes partidos políticos" são como as "grandes cantoras pimba". É a imagem que vende. Mas o que está lá dentro é...! Espera aí. Afinal não tem nada lá dentro.

Pedro Coimbra disse...

Chapelada ao Vinagrete, Rodrigo!!!
Aquele abraço e votos de boa semana

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Chapeau, Rodrigo. Comentário excelente, sem dúvida
Abraço