terça-feira, 15 de maio de 2012

MANIFESTO PARA UMA ESQUERDA LIVRE

Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.
As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.

Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.

Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.

É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.

Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.

É a nós todos que cabe construir:

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.

UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.


9 comentários:

Observador disse...

O meu apelo vai, sempre foi, no sentido da liberdade - onde a libertinagem não cabe - e de uma verdadeira democracia. Aquilo com que se brinca.

Estes nossos dirigentes não merecem o ar que respiram.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Esta minha tarde no dentista está a ser muito proveitosa, Rodrigo!
Já brinquei com a imagem do meu novo blog, já actualizei o blog da semana ( uma vez mais obrigado pelo aviso) e já assinei a petição.
Não é que acredite na possibilidade de a esquerda se emendar, porque o desentendimento é genético. Aqui e em quase todos os pontos do globo, a esquerda não se entende e abre sempre o caminho à direita. Depois lamenta-se. Por vezes, penso se o objectivo da esquerda não é mesmo passar a vida a lamentar-se e a acusar a direita...
Abraço

Isa GT disse...

Se calhar ainda se lembra de há muito, muito tempo eu fazer aqui um desabafo sobre a esquerda não se unir... será que vai ser desta?

Bjos

Rogério Pereira disse...

Olá Rodrigo, a leitura só não me deixou desolado pois já era um conteúdo esperado.... Um dia, talvez escreva algo sobre "O que desune a esquerda". É que sem isso, que é reconhecer a doença, não há medicamento que vença...

Rogério Pereira disse...

Esquecia de dizer que fiz link...

O Puma disse...

Com submarinos à vista

nunca seremos pescadores
porque todas as águas serão turvas

Pedro Coimbra disse...

Rodrigo,
Não sou um tipo de esquerda.
Mas quero uma esquerda forte em Portugal.
E foi por isso que assinei oi manifesto.
Aquele abraço

Anónimo disse...

Lá estão uns tantos descontentes do PS a lavar a face e a branquearem as responsabilidades do PS na situação actual.É normal nestas alturas aparecerem sempre alguns dirigentes e apoiantes do PS a darem uma de esquerda,quando no fundamental são responsáveis pelas politicas que o PS implementou com a troika ! Mais do mesmo.

folha seca disse...

Caras e caros amigos
Divulguei e assinei este manifesto porque me pus de acordo com o seu teor. Naturalmente que faltam ali muito mais coisas.
No fundo sou dos que pensa que há que agitar as aguas e mais vale uma valente enchurrada do que continuarmos a viver à beira de um pantano onde abunda toda a espécie de parasitas que nos sugam o sangue.
Mais vale uma tentativa mesmo que "mal amanhada" do que "esperar que aconteça". Sim há uma esquerda "livre" como dizia o Zeca "sou o meu próprio comité central".
Abraços