sexta-feira, 25 de maio de 2012

José Mário Branco 70 anos

Para quem nunca deu grande importância aos seu próprios aniversários e passou muitos, quase sem dar conta, não fosse um ou outro telefonema de um familiar ou amigo, hoje graças às novas tecnologias começa a ser difícil a gente esquecer-se (ou fazer-se esquecido) do aniversário dos mais próximos e daqueles que não sendo próximos em termos sanguíneos ou de intimidade acabam por nos ser muito queridos.
De facto acho que assisti a 2 ou 3 espectáculos ao vivo com o José Mário Branco, o mais próximo que dele estive foi da plateia para o palco.
No entanto o J.M.B faz parte dum leque de cantores que marcou a minha vida e a forma de nela estar.
Muito se poderia escrever sobre este cantaautor, maestro, compositor, orquestrador encenador e mais uma série de coisas que não faço intenção de para aqui trazer, porque outros mais conhecedores e entendidos certamente o farão.
No entanto não poderia deixar de prestar aqui a minha homenagem ao José Mário e agradecer-lhe o facto de um dia me ter feito perceber que a “Cantiga é uma Arma”



Nota:
José Mário Branco compôs para a peça "A Mãe" de Bertolt Brecht  pelo grupo de teatro A Comuna e gravou um disco com o nome da peça, i em 1978. Esta é uma das canções que como todas tem música do Zé Mário e as letras também baseadas nos textos de Brecht.

As canseiras desta vida

As canseiras desta vida
tanta mãe envelhecida
a escovar
a escovar
a jaqueta carcomida
fica um farrapo a brilhar

Cozinheira que se esmera
faz a sopa de miséria
a contar
a contar
os tostões da minha féria
e a panela a protestar

Dás as voltas ao suor
fim do mês é dia 30
e a sexta é depois da quinta
sempre de mal a pior

E cada um se lamenta
que isto assim não pode ser
que esta vida não se aguenta

-o que é que se há-de fazer?

Corta a carne, corta o peixe
não há pão que o preço deixe
a poupar
a poupar
a notinha que se queixa
tão difícil de ganhar

Anda a mãe do passarinho
a acartar o pão pró ninho
a cansar
a cansar
com a lama do caminho
só se sabe lamentar

É mentira, é verdade
vai o tempo, vem a idade
a esticar
a esticar
a ilusão de liberdade
pra morrer sem acordar

É na morte ou é na vida
que está a chave escondida
do portão
do portão
deste beco sem saída
qual será a solução?

Obrigado José Mário Branco por tudo o que nos deste e que assim continueis por muito, muito tempo!

5 comentários:

Luciano disse...

Um dos meus intérpretes preferidos da Música Portuguesa. Sempre bom ouvir um grande músico.
Abraço.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

JMB é um dos meus preferidos, mas passou-me ao lado o seu aniversário.
Ainda bem que o recordou aqui, Rodrigo, porque ele bem merece ser lembrado por todos nós.
Abraço e bom fds

Rogério Pereira disse...

José Mário Branco e Brecht

Ele foi o aniversariante, mas nós os prendados.

(a cantiga será sempre uma arma
Já uma canção... umas vezes sim, outras não)

quem és, que fazes aqui? disse...

Estou a ficar velha... e, por isso, não comento!

Bom fim de semana! Beijo

Laura

heretico disse...

abraço, meu caro.

por o teres trazido a nosso convívio.