domingo, 13 de maio de 2012

"Como Se Faz Um Canalha"



Conheci-te ainda moço
 Ou como tal eu te via
 Habitavas o Procópio
 Ias ao Napoleão

Mas ninguém sabia ao certo
 Como se faz um canalha
 Se a memória me não falha
 Tinhas o mundo na mão
 Alguma gente enganaste
 (A fé da muita amizade
 Tem também as suas falhas

Hoje fazes alianças
 A bem da Santa União
 Em abono da verdade
 A tua Universidade
 Tem mesmo um nome: Traição

Um social-democrata
 Não foge ao Grão-Timoneiro
 Basta citar o paleio
 O major psicopata

Já são tantos namorados
 Só falta o Holden Roberto
 Devagar se vai ao longe
 Nunca te vimos tao perto
 Nunca te vimos tao longe
 Daquilo que tens pregado

 Nunca te vimos tao fora
 Da vida do Zé Soldado
 Ninguém mais te peça meças
 No fulgor dos gabinetes
 Hás-de acabar às avessas
 Barricado até aos dentes
 És um produto de sala

Rasputim cá dos Cabrais
 Estas sempre em traje de gala
 A brincar aos carnavais
 Nos anais do mundanismo
 A nossa história recente
 Falará com saudosismo

Dum grande Lugar-Tenente
 São tudo favas-contadas
 No país da verborreia
 Uma brilhante carreira
 Dá produto todo o ano

Digamos pra ser exacto
 Assim se faz um canalha
 Se a memória Não me falha
 Já te mandei pró Caetano

1 comentário:

quem és, que fazes aqui? disse...

Penso que isto é congénito. Não se aprende a ser canalha. A canalhice nasce quando se nasce. E é um pandemia neste momento porque se perdeu a vergonha e o ser canalha é uma imagem de marca que ostentam.

Zeca sempre atual.

Bom domingo!

Beijo

Laura