quarta-feira, 14 de março de 2012

Teria George Orwell Razão?

Ouvi parte da notícia na rádio. Procurei saber mais e encontrei este artigo cujo link aqui deixo.
Não pude deixar de reflectir sobre a exposição a que todos estamos sujeitos dada a concentração dos nossos dados pessoais em tudo o que é sítio.

Certamente que já se interrogaram como é que as nossas caixas de correio electrónico (e também as outras) são tão conhecidas. Diariamente somos “alvo” de um conjunto de ofertas da mais variada gamas de produtos e serviços. Interrogamo-nos como é que os nossos dados pessoais são assim conhecidos. Sabe-se que há empresas especializadas em recolher e comercializar esses mesmos dados. Quase que já não pensamos no assunto. No entanto uma coisa é oferecerem-nos produtos outra coisa é saberem quais os males de que padecemos. Se aviamos uma receita de um medicamento para as hemorróidas não é a mesma coisa se essa mesma receita é para um problema de saúde de que queremos manter em segredo ou seja partilhá-lo só e com o nosso médico e farmacêutico. Com o roubo dos dados referentes a 250 farmácias em todo o País quantos de nós não sentimos uma certa repugnância por saber que os nossos problemas de saúde vão andar por aí em bases de dados e quantas pessoas e organizações não vão ficar a saber se sofremos de frieiras, unhas encravadas ulceras no estômago ou outros problemas de maior gravidade.

Sou um adepto das novas tecnologias, mas as mesmas nunca deviam servir para vasculhar dados que são pessoais. Desgraçadamente sabemos que a nossa “justiça” faz com que o crime compense. E se no caso, aparentemente se trata de um roubo por meios informáticos esperemos que eventuais cumplicidades por acção ou emissão sejam investigadas.

George Orwell escreveu no final dos anos 40 do século passado o livro “1984”. No fundo preconizava que numa sociedade colectivista os Cidadãos seriam controlados para que se soubesse tudo acerca deles. Enganou-se. Quanto mais liberal e ultra liberal o mundo está a ficar, mais as nossas liberdades estão ameaçadas e mais vigiados estamos.

7 comentários:

Maria de Jesus Lourinho disse...

Esta "guerra" foi desencadeada pela ANF (Associação Nacional de Farmácias) mais o seu dr. Cordeiro, contra uma empresa rival no mercado.
Tanto quanto sei, os seus dados médicos não estão em perigo.
Cordialmente

Sonhadora disse...

Meu amigo

realmente com a internet nunca estamos seguro,que os nossos dados não sejam divulgados.
Infelizmente é o bom e o mau das novas tecnologias.

Beijinho com carinho
Sonhadora

Gisa disse...

Li 1984, no ano de 1984. Contava então com 19 anos. Lembro do efeito que o livro produziu sobre mim. Fiquei estarrecida e boquiaberta com tamanha intromissão e controle. Saía de uma época ditatorial no país e tudo que eu podia pensar, no auge dos meus poucos anos, era na liberdade. Nunca imaginei, na época, este contraponto entre a liberdade e o controle. No entanto, os dias atuais nos demonstram a total e inacreditável compatibilidade de existências.
Um grande bj querido amigo

L.O.L. disse...

Meu caro Rodrigo. Concordo em absoluto com a parte final do seu texto. Leva-me a pensar que realmente vivemos numa espécie de liberdade disfarçada. Acho que é isso mesmo.
Um abraço.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não tenho dúvidas que o Big Brother anda por aí há muito, caro Rodrigo. É o preço ( elevado)que temos a pagar por estarmos ligados em rede.
Abraço

Rogério Pereira disse...

Bom post e... quem aqui chegou antes de mim já disse o que eu poderia ter dito

Pedro Coimbra disse...

Tinha, Rodrigo.
Cada vez mais, e ainda mais após o 11 de Setembro, à boleia da paranóia securitária, somos vigiados a todo o momento.
Não é paranóia, é a pura realidade.
E, quem não perceber isso, é ingénuo.
Aquele abraço