segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Barco à Deriva

BARCO À DERIVA
Poema de Antonio Miranda

Antes que os edifícios invadissem as dunas,
que os peixes expostos em entrepostos,
que os portos congestionados, ondas
estancadas, maré sem retorno, nãos.

Pássaros sem pouso, nuvens estagnadas.
Ilhas (ainda) desabitadas, escaladas impossíveis.
Sonhar. Ares degradados, repouso, vácuo
e um olhar sem rumo, sem prumo, turvo.


Dever haver uma saída, janela, fosso,
muro abrupto, caminhos interrompidos.
Deve haver uma saída, escada, cadafalsos,
mapas imprecisos, vestígios indecifráveis.


Antes que a orla virasse muralha e vidro,
horizonte tapado, visão retroversa, errática
onde os peixes, onde os pássaros, ondas, ais.
Deve haver alguma saída. Antes que os.


Digo na minha declaração de intenções, que o que publico corresponde ao meu estado de espírito. Como escrever poesia não é coisa para que tenha dotes, faço muita vez das palavras dos poetas (uns mais concidos do que outros) as minhas.

7 comentários:

acácia rubra disse...

"Deve haver alguma saída", deve.

Beijo

Rosa dos Ventos disse...

Tem de haver mesmo uma saída, Folha Seca!

Abraço

Rogério Pereira disse...

Que se alargue o número
daqueles que, como nós,
reclamam aos poetas
palavras que trazemos na voz

Eles nos ajudarão a encontrar saídas

Sandra disse...

E urge encontrar essa saída antes que o barco se afunde...

Pedro Coimbra disse...

E o Rodrigo não se está a referir ao Costa Concordia.
Enfim, esperemos que ganhe rumo andes de bater nalguma rocha.
Aquele abraço

Carlota Pires Dacosta disse...

Um rumo, uma orientação que nos leve a bom porto, isso sim era necessário
beijo

Fê-blue bird disse...

A poesia meu amigo é o meu fraco ou o meu forte ;) nela encontro sempre as palavras certas!
Como é o caso desta.

beijinhos