quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Confissão prévia de um não grevista

Faço parte de um conjunto, julgo muito numeroso de Portugueses que está impedido de fazer greve, embora esteja com ela de alma, visto não o poderem estar de corpo e a dita.

Eu explico. Pertenço a uma “classe” de Portugueses que depois de muitos anos de trabalho por conta de outrem (no meu caso 26) por razões e motivações muito diversificadas enveredaram pela via empresarial. Uns maiores e outros menores na verdade, os patrões ou empresários estão legalmente impedidos de fazer greve. Sim um empresário ao fazer greve chamam-lhe outra coisa, “lockout” e isso é proibido pela nossa legislação. Ou seja, teria que encerrar a empresa e não permitir que ninguém trabalhasse, diga-se de passagem que é a minha vontade, mas claro que não posso violar a lei.

Poder-me-ão perguntar. Se não posso delegar as minhas funções e fazer eu próprio a minha greve geral. Claro que sim (provavelmente até o farei) mas não vale, serei um grevista do tipo de quem não quer a coisa, nem vai contar para as estatísticas porque também não posso legalmente ser sindicalizado. Chatice! Até porque de todas as greves gerais feitas até hoje em Portugal esta é a que mais se justifica e claro que tal como eu muitas dezenas de milhares de pequenos empresários a ela adeririam porque para isso têm razão e certamente motivação.

Pronto não vou fazer greve amanhã. Estarei de alma com os grevistas, de corpo é só a fingir ou a fazer de conta.
Ah! Mas aqui no blogue (salvo os serviços mínimos) não há nada para ninguém!

Viva a greve geral!

9 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Caro Rodrigo
Não a pode fazer, mas está de alma (e coração, acrescento) com ela. Dá-lhe apoio. É o que importa.
Abraço

Fê-blue bird disse...

Meu amigo:
Fisicamente também não poderei lá estar, mas estou de alma e coração com todos os indignados e injustiçados deste nosso país.


beijinhos

Rogério Pereira disse...

Caro Rodrigo, claro que lhe repito o que disse o Carlos Albuquerque... mas a questão que levanta não pode ser ignorada. Os empresários titulares de micro empresas ou PMEs têm um efectivo problema de representação. Diria que as associações onde se encontram inscritos são corporações que limitam a actividade à cobrança de cotas e a dar força a entidades que naturalmente representam os interesses das grandes empresas e grupos económicos. As PMEs, que representam cerca de 70% do emprego, não têm força junto do governo, nem na concertação social. O problema pode começar a ser resolvido com a tomada de consciência da necessidade em se associarem. Sugiro ao Rodrigo a ir aqui comigo

O Puma disse...

Amanhã
portas trancadas

e um grito à janela

Janita disse...

Rodrigo.
Pelas mesmas razões por si apresentadas, obviamente que manhã estarei como sempre no meu local de trabalho.
Igualmente, de alma e coração, estarei com todos aqueles que se recusam a baixar a cabeça perante tanta injustiça social.
Um abraço.
Janita

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Faço minhas as palavras do Carlos Albuquerque, Rodrigo
Abraço

Pedro Coimbra disse...

O Carlos ainda não decidiu se assegura os serviços minimos, Rodrigo.
O Rodrigo, pelo menos isso, já decidiu.
Aquele abraço

Luís Coelho disse...

Furaste a greve.
Postaste alguma coisa que eu vi. Nem vou comentar mais nada.

Enquanto trabalhei fiz sempre greve quando me pareceram justas e por razões que a todos nos englobava.

Parece-me que as greves por serem muitas vezes mal estudadas,planeadas e informadas dão fiasco e nos últimos tempos foram muito desacreditadas.

Nunca deverão ser monopólio de um sector político. Devem ser abrangentes e muito claras.
Conseguímos vitórias até ao governo de Guterres...depois foi sempre um medir forças e cada um tinha a sua versão de números e factos...

folha seca disse...

Luis
Não furei nada. Só prestei os serviços mínimos.
Abraço