segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Morte Saiu á Rua - José Afonso



Texto revisto e reeditado
Faz hoje 50 anos que o militante comunista José dias Coelho foi assassinado pela PIDE à queima-roupa em plena rua.

Quando hoje se questiona a legitimidade dos políticos e até a sua existência é bom lembrar que tal como os homens, os políticos não são todos iguais. Há políticos sérios e há políticos que se aproveitam por o serem, para servirem os seus interesses pessoais e de grupo. Durante a ditadura muitos homens deram o peito às balas para que a mesma ditadura fosse derrotada e a liberdade conquistada. Alguns desses continuam a lutar pela liberdade e a defender as conquistas de Abril. Nos tempos que correm, mais do que nunca, depois dessa madrugada libertadora é preciso juntar forças e cerrar fileiras pela defesa da constituição da Republica Portuguesa.

“Eram oito horas da noite, de 19 de Dezembro de 1961. José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho dera à sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins Capilé à frente de uma manifestação popular”

Lembremos hoje José dias Coelho, ouvindo outro homem grande, da resistência antifascista, na canção que lhe dedicou”

O assassinato levou o cantor Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a canção “A morte saiu à rua”.

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Quando as pessoas incomodam pelos ideais que defendem ... matam-se ...
Parece que hoje voltámos ao mesmo, mas quando se morre por aquilo que se acredita já foi uma vitória.
Os carrascos haverão de receber prémios iguais...ainda que não morram à bala como eles fizeram haverão de morrer torturados pelo mal que praticaram.

Desejo-lhe a si e aos seus um Santo Natal e um feliz Ano Novo.
Que para todos sem exclusão traga muita Paz e Amor, Concórdia, Saúde e Pão.

Pedro Coimbra disse...

A morte saiu à rua e levou a Cesária e Vaclav Havel.
Que descansem paz.
Boa semana, Rodrigo!!

Raimundo Narciso disse...

Olá Rodrigo aqui fica uma abraço para ti. Roubei parte do teu post e coloquei-o aqui: http://memoriasdopresente.blogspot.com/