quinta-feira, 24 de março de 2011

Ressaca

Várias vezes escrevi que José Sócrates fazia parte do problema e não da solução.
Agora que se demitiu devia estar satisfeito e convencido que tive razão antes de tempo.
Mas não. O que sinto neste momento é uma grande preocupação pelo futuro imediato e temo as consequências que se vão abater sobre Portugal e os Portugueses.

Do que tenho lido e ouvido estou meio convencido que isto foi preparado pelo próprio Sócrates.
O comportamento de ontem retirou-me alguma duvida que ainda subsistia. A história da nossa Democracia tem episódios em que à última hora mesmo no fio da navalha se conseguiram encontrar compromissos para evitar crises políticas cujo resultado seria sempre gravoso.
Acreditei que podia ainda haver qualquer hipótese de entendimento até ver o deplorável comportamento do ainda Primeiro-ministro.
A falta de respeito demonstrada pelo seu comportamento ontem na Assembleia da República, deixando alguns Ministros e o grupo Parlamentar sós a enfrentar as “feras” que se juntaram num estranho coro a cantar a mesma cantiga, retirou-me qualquer duvida de que foi tudo programado para que o desfecho fosse este.

Lamentável que se vá entregar à direita mais retrógrada o poder de mão beijada.

Lamentável que as vozes discordantes que se sabe existirem no interior do PS nada tenham feito para evitar este desfecho, que vai sair bem caro a Portugal e aos Portugueses.
Quanto a José Sócrates não sofri nunca qualquer desilusão, simplesmente porque nunca tive qualquer ilusão. Quanto ao PS, sim. Acreditei durante mais de 2 dezenas de anos que a melhor solução para Portugal era este partido e por isso lhe dei o meu voto.

7 comentários:

Teófilo Silva disse...

Já somos dois com a mesma opinião. Também andei todos estes anos a ser enganado por este partido.
Um abraço,

folha seca disse...

Caro Teófilo
Eu não me sinto enganado pelo PS.
Sinto-me sim desiludido, por a parte sâ deste partido não ter intervido a tempo.
Abraço

Luís Coelho disse...

E para quê intervir...?
Sócrates foi sempre um arrogante e prepotente. Viu as asneiras e nunca se deu com vencido.
Dentro do próprio partido lhe chamaram a atenção, mas não valeu de nada. Ele era esperto mas também muito convencido e com aquele palavreado parece que arrasava tudo e todos.
Tenho pena que não haja leis para os penalizar pelos muitos erros cometidos. Certamente muitos pensariam antes de se meterem em politica.
Abandalhou o ensino, a saúde e o emprego.
Todas as verbas gastas em pagar o subsídio de desemprego deveriam ter sido empregues na reconversão da nossa industria. Hoje estaríamos melhor.
Entregaram o país nas mãos dos estrangeiros.
Para onde foram as limas da Vieira e os muitos barcos pesqueiros que mandaram abater....?
E mais não digo que me sobra de revolta..........

Pedro Coimbra disse...

O próprio PS vai sair rejuvenescido das próximas eleições, Rodrigo.
Se for a éleições com José Sócrates como líder (é provável), sairá das mesmas na busca de outro líder.
E, aquele que o Rodrigo bem identifica como parte do problema, passará à História.
A atitude de ontem foi deplorável.
Um abraço

Carlos Albuquerque disse...

Partilho as suas preocupações, quanto ao futuro imediato, e não só…!
Não estou, porém, convencido, nem para tal me inclino, que a crise foi preparada por José Sócrates. A crise estava em banho-maria, em Belém, desde o discurso de posse do PR. Despeitado, e vingativo, o PR só espreitava uma oportunidade para correr com Sócrates. Julgo que o PM a terá provocado, inadvertidamente, com a pressa de agradar à Europa conservadora que nos governa, e de sossegar os mercados predadores dos mais fracos, pensando estar assim a defender os interesses do País.
Sou, desde que me conheço, um homem de Esquerda. Assim continuarei a ser. O meu voto andou sempre por essa área. Nas duas últimas eleições dei-o ao PS, exactamente pelas razões a que o meu caro alude. Nas próximas logo verei…
Não sou simpatizante, nunca o fui, de José Sócrates. Recuso, contudo, incluir-me no grupo dos que nele vêm o centro de todos os males, o inimigo a abater. Conheço, pessoalmente, alguns dos intervenientes na vida política, desde o PCP ao CDS. Não me deixo envolver pela onda da demagogia e do populismo com que nos pretendem varrer. Não me recordo de um PM ter sido tão maltratado pela comunicação social como Sócrates, a mais das vezes sem razão! Talvez porque no seu primeiro governo tenha acabado com o privilégio da Caixa de Previdência e Abono de Família dos JOrnalistas (falo à vontade, também sou jornalista)...
Não tenho dúvidas de que o grande instigador da crise mora em Belém, silenciosamente cúmplice. Ouviram-se no Parlamento, palavras do seu pensamento, ditas por Ferreira Leite: "O que interessa não são as medidas do PEC, mas quem as aplica".
A ordem para o abate já tinha sido dada. A seudo-discussão no Parlamento não passou de uma sessão de tiro ao alvo. Sócrates saiu. Foi incorrecto e indelicado. Pois foi, mas não o recremino por não ter participado no festim dos abutres.
Agora serão as eleições. Voltaremos a ter que escolher…
Enquanto isso a direita canta, e, à Esquerda, ouvem-se vozes de regozijo pela demissão do PM. Regozijo que tenho dificuldade em entender porque a falta de qualidade dos políticos que temos (atente-se na ausência de liderança alternativa dentro do PS), e a hipótese mais que provável do PSD vir a ganhar as eleições, indiciam que será pior a emenda que o soneto.






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folha seca disse...

Meus Caros
Com tanta poeira ainda no ar é cedo para nos fixarmos em certezas absolutas.
A unica que podemos ter é que as coisas estão muito complicadas.
Sobre a responsabilidade Individual e colectiva, parece-me que tratando-se uma partido politico de uma entidade colectiva é assim que a responsabilidade deve ser assumida. Mas o Poder é uma coisa lichada. Há quem disse que "corrompe"
Ainda tenho nos ouvidos o discurso do presidente do grupo parlamentar do PS.tipo "meu querido lider".
Vamos ver...

Teófilo Silva disse...

E a tradição em política ainda é aquilo que sempre foi: A seguir a um mau, virá outro pior.
O mal não está no PS, no PSD, CDS ou outra desgraça qualquer. O mal não tem partido. O mal é o ser humano...
E fico-me pelas reticencias.