sexta-feira, 4 de março de 2011

Imaginemos...

Não, não vou publicar um vídeo clip dos Beatles. Talvez vá contar um sonho daqueles que a gente tem e não sabe explicar bem.

Para quem anda atento à grande quantidade de notícias, análises, comentários, debates, etc… etc… Vemos em cada dia que passa a realidade da situação do País. Verdade seja dita não consigo vislumbrar no horizonte soluções credíveis e convincentes no actual estado político- partidário. Até porque a crença em que apareça por aí um qualquer milagre, é cada vez mais escassa.

Já algumas vezes escrevi e ainda assim penso, que o problema não está no facto de ser o PS a governar Portugal. Acredito é que há no PS gente com melhores condições para o fazer do que alguns membros do Governo a começar pelo Primeiro-Ministro.

Não ponho em causa a legitimidade da actual maioria. Penso sim que a actual liderança governativa faz mais parte do problema do que da solução.

Por razões profissionais, lido diariamente com pessoas de vários extractos sociais e tendências políticas. Não consigo encontrar ninguém que defenda o actual Primeiro-Ministro. Naturalmente que há quem o faça até publicamente. Mas são membros do PS e outros próximos que fazem parte dos beneficiários da actual situação, admito que alguns o façam por convicção, mas creio serem muito poucos.

Será que eu seja anti-PS? Claramente não!

Será que defenda uma solução a curto prazo que passe por eleições antecipadas que resulte na entrega de mão beijada do poder ao PSD e à sua actual liderança? Radicalmente também não!

Sou dos que pensa que no actual estado de coisas a solução passa pelo estabelecimento de entendimentos políticos-partidários em que o interesse do País seja posto em primeiro plano para que gradualmente seja restabelecida a confiança e consigamos ver, por muito ténue que seja, uma luz ao fundo deste desgraçado túnel.

Segundo me pareceu ler, a moção apresentada por José Sócrates ao próximo congresso do PS aponta para a separação do cargo de Secretário-geral do de Primeiro-ministro. Boa altura para ficar a tomar conta do PS e deixar que alguém com melhores condições e credibilidade tome conta dos destinos do País

8 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Meu caro
Parcialmente de acordo com esta sua desinibida reflexão.
Parcialmente porque não acredito que entendimentos político-partidários (só os vejo possíveis entre o PS e o PSD) ponham o interesse do país em primeiro plano.
Quer um quer outro têm as máquinas partidárias pejadas de clientelas a satisfazer...
Movem-se no arco do poder apenas para poderem manter, intacto, o arco dos interesses de cada um.
É ver, por exemplo, as intervenções dos deputados do PSD (e de alguns do PS) na AR. São duma vacuidade confrangedora! Nada se lhes escuta que nos permita ver a tal luz por muito ténue que seja.
Sócrates, sim ou não?
Julgo que o problema não está aí.
Quem se perfila para o substituir no PS? António José Seguro? Não me parece tão seguro assim, capaz de dar a volta à máquina partidária e às clientelas...
Do lado do PSD, bom...Ter-se-á, uma vez mais, destapado o cesto e os lacraus soltaram-se, andam por aí, ávidos.
Creio que a solução passa por os Portugueses romperem com a bipolarização partidária a que se entregaram depois de Abril, talvez porque o MFA tenha falado em socialismo (aquando das primeiras eleições),guarda-sol a que o PS se abrigou, e Sá Carneiro se lhe tenha contraposto.
Há vida para além do PS e do PSD (e mesmo no interior destes partidos), que é preciso resgatar.
Será que os Portugueses um dia o entenderão?

Anónimo disse...

Pegando nas duas últimas frases do comentário anterior, em que a uma afirmação se segue uma interrogação, eu, português bem informado, com um passado de activa vida política, confesso que não entendo.
Se se exclui a possibilidade de um entendimento à esquerda e também se assume que os interesses das clientelas políticas do PS e do PSD impedem essa coligação, se em democracia a vontade popular se exprime através do voto nos partidos, vamos resgatar quem? e como?
Para meu desespero, acho que estamos perante uma equação sem solução, na justa medida em que a incógnita se chama Sócrates e mesmo que a substituam pela outra chamada Coelho, a solução é impossível.
Sou dos que está convencido que o modelo Liberal, em que assenta a agenda escondida de Passos Coelho,que aposta no desmantelamento do Estado Social,o que significa a privatização da saúde deixando para os indigentes com atestado de pobreza a assistência mínima; a privatização da educação, canalizando recursos do Estado, sob o chapéu da liberdade de escolha, para as escolas privadas e de forma residual, as escolas públicas para os filhos dos pobres; a privatização da Caixa Geral de Depósitos, com passagens pela liberização dos despedimentos via revisão constitucional, etc.
Assim sendo, mesmo discordando da forma como o PS tem sido dirigido, abominando os fartos exemplos de carreirismo que garantem taxos a boys, sem estatuto e experiência que explique remunerações escandalosas, ainda quero acreditar que um modelo verdadeiramente social-democrata (já nem lhe chamo socialista), pode garantir condições de governablidade que garantam políticas sociais que a Europa do Norte mantem, conservando o mínimo de dignidade da pessoa humana.
A peça que está deslocada neste puzle, chama-se Sòcrates.
O que há a fazer é tentar forçar a definição de um líder, dentro dos partidos, com provas dadas, que seja credível e em que os portugueses possam confiar.

Carlos Albuquerque disse...

Lamento ter que o dizer aqui neste blogue pelo qual tenho grande respeito e consideração (peço desculpa por isso): comentários anónimos não me suscitam qualquer tipo de resposta.

heretico disse...

"Creio que a solução passa por os Portugueses romperem com a bipolarização partidária a que se entregaram depois de Abril..." está dito! e concordo...

... e acrescento: acabar com os preconceitos anti-comunistas.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Concordo com o post e com o comentário do Carlos Albuquerque. Devo acrescentar uma coisa: não gosto de Sócrates (nunca gostei...) mas a forma como ele tem sido ratado pela comunicação é tão desprezível e ignominiosa, que por vezes sou tentado a sair a terreiro em sua defesa.
Não tenho memória de um político que tenha sido atacado de forma tão baixa e, como sei o que move certa comunicação social, até me arrepio só de pensar no que vem a seguir.
Infelizmente, a personalidade de Sócrates não lhe permite perceber que prestaria um grande serviço ao país e ao PS se seguisse a solução que o meu amigo aponta no final do post. Assim sendo, há que procurar alternativas à bipolarizaÇÃO ps/psd, se quisermos sair deste atoleiro.

Pedro Coimbra disse...

E quem seria a alternativa a Sócrates dentro do PS?
Essa é um questão que ainda não vi respondida.
Um abraço

folha seca disse...

Meus caros
Já se ouviram sugestões do tipo "Suspenda-se a Democracia por 6 meses". "Crie-se uma novo tipo de ditadura", para alem de outras "parvoíces".
Eu sou dos que pensa que será sempre no quadro da Democracia que terão que se encontrar soluções e respeitando os ultimos resultados eleitorais. A solução passa invitavelmente por um acordo que não exclua ninguem da solução.
Agora a questão de fundo é se José Sócrates terá condições para liderar um processo destes. Claramente que não. Creio haver no PS gente com créditos firmados para poder liderar um processo de "Salvação Nacional", antes que seja tarde (demais).
Abraços

P.S. Caro Carlos Albuquerque.
A minha ligação `blogosfera começou num blogue local "Largo das Calhandreiras" Onde o uso do anonimato era a norma. daí alguns leitores que por aqui me vão acompanhando por vezes ainda o usem. A mim não me faz diderença, desde que o façam com o respeito devido.

folha seca disse...

Caro Carlos Albuquerque
O meu amigo A.Constâncio enviou-me uma cópia do mail que lhe remeteu. Creio faze todo o sentido pulicá-lo aqui
Abraço

Boa noite meu caro

Fui eu que publiquei um comentário no blogue do Folha Seca como anónimo.
Permita-me o abuso de o contactar directamente, mas só desejo explicar que tentei com o nickname de Vinagrete que normalmente uso, mas não consegui e a única forma que encontrei, foi usar o “anónimo”.
De qualquer forma, deixe que lhe diga que, nestas coisas da blogosfera, mais do que a assinatura, a maioria das vezes falsa, ou de um qualquer pseudónimo que ninguém identifica, o importante é discutir ideias, com elevação, colocando o debate ao nível de pessoas educadas.
Para quem me conhece, a simples ideia de que eu seria capaz de me esconder por detrás do anonimato para emitir opiniões, é impensável.
Considero-me uma pessoa politicamente bem informada, com largos anos de militância, desde o MPLA em Angola, onde participei na UNTA, central sindical daquele movimento, passando depois pelo PCP após o meu regresso, partido pelo qual fui eleito vereador da CM da Marinha Grande de 1986 a 1989, a seguir pela Plataforma de Esquerda com o Osvaldo, José Luís Judas, Raimundo Narciso e muitos outros, até ao PS em 1993, que me convidou para integrar a lista às Autárquicas em que se recuperou a Câmara à CDU e onde estive 12 anos consecutivos como Vice-Presidente.
Hoje sem filiação partidária, porque não me identifico com o funcionamento carreirista das máquinas partidárias, onde nunca me deixei integrar e sempre me recusei a participar em listas para órgãos locais ou distritais, dedico-me à minha pequena empresa e observo, atento mas impotente, o que se vai passando à nossa volta e nos faz pensar como sair deste limbo, onde, lenta mas inexoravelmente, nos vamos atolando.
Quando comentei a seu post, a minha intenção foi tentar perceber como é que se pode resgatar alguma coisa e romper a lógica do Centrão, quando os partidos à esquerda do PS, entrincheirados em posições radicais e dogmáticas, competem entre si para ganharem espaço e influência, mas recusando-se, de forma total e absoluta, a participar em qualquer plataforma de poder que envolva responsabilidade política.
Como é que se pode tentar quebrar o quadro de bipolarização em que vivemos, quando as posições são cada vez mais extremadas quer da esquerda inconsequente e sem ideologia como é o BE, quer da consequente e politicamente importante como é o PCP, que assenta a sua actividade política no movimento sindical, altamente reivindicativo e até, muitas vezes irresponsável e nas organizações populares de base.
Não é possível chegar a compromissos credíveis com qualquer destas forças e elas não se cansam de proclamar essa impossibilidade. Resta o CDS/PP/Paulo Portas, que se comporta como uma qualquer prostituta que irá para a cama com quem lhe pagar os favores sexuais, mas não me parece que esta parceria possa trazer algo de novo, com o elevado risco de se contrair uma doença venérea.
Acredito na democracia. Logo, não existindo democracia sem partidos, tenho que acreditar nos partidos. Seguindo este raciocínio, a minha expectativa é que possam surgir, dentro dos partidos, verdadeiros lideres, que ponham o interesse do País acima dos seus interesses próprios. Que se apresentem sem mácula (nem precisam ser santos) e nos façam acreditar, pelo exemplo e pelo culto da verdade e da seriedade, que valerá a pena fazer sacrifícios.
O problema é… Eles existem?

Cumprimentos

Armando Constâncio