sábado, 11 de fevereiro de 2012

Soneto do Trabalho



SONETO DO TRABALHO

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

Este poema , foi retirado do livro "Vinte anos de poesia do poeta Ary dos Santos. Na pesquisa que fiz, sei que foi musicado por Fernado Tordo por quem foi cantado e é esta a voz que tenho gravada na memória, mas parece que a primeira gravação foi feita pela Tonicha , apesar de a Simone a ter também cantado numa revista.

3 comentários:

acácia rubra disse...

Rodrigo

Se soubesse como espero que esse dia chegue, que o povo se levante, acordasse e percebesse que, embora tarde, poderemos sempre fazer do tarde cedo!

Beijo

joão quitério disse...

Amigo Rodrigo,

Um povo á mingua de trabalho e pão,
governado por gente minguada de alma,e cheia de certezas e soberba só pode mesmo cerrar o punho e dizer basta...
Poema bem escolhido do Ary dos Santos. Muito actual.
abraço
João Quitério

Fê-blue bird disse...

Meu amigo, sinto um arrepio ao ler este poema.
Acho que vem da saudade de outra época, de outro querer.

Beijinhos e bom fim de semana