quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O despautério “carnavalesco” de Passos Coelho.

Um post surripiado em "A Carta a Garcia"

Creio que toda a gente já terá entendido que a decisão do 1º ministro de acabar abruptamente com a tolerância de ponto do carnaval se está revelar verdadeiramente desastrosa. Não apenas pelo conteúdo substantivo do “diktat” com que Passos Coelho eivou a decisão, mas também pelo modo como a justificou, ou seja, um estilo abundantemente subserviente e reverente aos trabalhos da troika, para além do “timing” irrealista e ignoto como a anunciou.

É que Passos Coelho tinha a obrigação de bem recordar a catástrofe em que incorreu, em 1993, o seu homólogo de então, o 1º ministro Cavaco Silva. Como é do conhecimento geral e histórico, Cavaco iniciou com decisão similar o seu inabalável declínio que terminou com a vitória socialista em Outubro de 1995, pese embora o facto de Cavaco ter tentado “corrigir o tiro” não fazendo retirar a tolerância no ano de 1994.

O que vale por dizer que Passos vai ser o principal derrotado pelo desconchavo como tratou de forma arrogante a matéria do carnaval. É que, como é bem sabido, Passos vai confrontar-se com a desobediência de milhares de autarcas, “maxime” do PSD, dos principais municípios e dos governos regionais, para além de vastos setores da economia, da banca às maiores empresas, onde vigoram contratos coletivos que inscrevem e respeitam a tradição do carnaval. Sem falar na generalidade dos diversos níveis de ensino, a que se somam hospitais e tribunais onde há muito se definiu que só o serviço urgente seria efetuado.

Ou seja, a próxima terça-feira de carnaval vai ser um dia de verdadeira paralisação nacional reforçada e o 1º ministro e respetivo séquito vão entrar na história dos “momos”, ou por outra, dos “bufões”. Óbvio que Passos Coelho se defenderá invocando a propalada “coerência” das imposições recentes dos feriados, prouvera retorquindo com o infelizmente célebre “custe o que custar”, o que, por se tratar de um bordão de linguagem do ditador espanhol Franco, aconselharia a que Passos o devesse evitar, por mera questão de bom senso e de bom gosto.
Tudo para que conste que este é o mesmo 1ºministro que vilipendiou os portugueses apodando-os de “piegas” entre outros impropérios, num registo discursivo verdadeiramente inenarrável e grosseiro, mais próprio de quem pretende amedrontar e aterrorizar os cidadãos que sofrem os sucessivos acréscimos do desemprego, o aumento da austeridade vazada em cima da austeridade, os cortes dos subsídios de férias e de Natal, a que acresce a recente baixa do produto interno bruto (PIB) e a consequente e inevitável ausência de medidas que favoreçam o crescimento económico.

Passos Coelho, a ver também pelo desgoverno e má coordenação do executivo, de que os dislates de Relvas, afrontando o Parlamento, não indiciam nada de primaveril, vai passar um mau bocado com a batalha perdida em que se transformou o despautério carnavalesco. Pode passar-lhe por cima o vagão pesado da derrota e a consequente demissão.

Osvaldo Castro

6 comentários:

L.O.L. disse...

Caro Rodrigo.
Penso que esse parvalhão (desculpe o termo ofensivo no seu blog) tomaria a mesma medida caso pudesse recuar no tempo.
Um abraço.

Rogério Pereira disse...

O excelente desempenho do governo, no (previsível) carnavalesco comunicado da troika irá fazer esquecer o incidente?
Não sei... na verdade é uma (triste) possibilidade.

(o texto do Osvaldo é um bom texto)

Luís Coelho disse...

Esses ditadores de morte e desgraça, haverão de cair como os anteriores.
E mais não digo porque se falo direi muitas palavras tão feias quanto eles

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Sabe o que penso, caro Rodrigo? O homem teve dois objectivos com isto. Primeiro, mostrar que é melhor do que Cavaco e que as pessoas amoucham. Lixou-se!
Segundo: Mostrar à troika que é um bom aluno, muito corajoso e podem contar com ele para impor mais austeridade. É por esa via que ele espera, quando as coisas aqui começarem a dar para o torto, arranjar um tachito lá fora.

O Puma disse...

Sem o devido respeito

que se fundam também


no carnaval

Pedro Coimbra disse...

Não concordo nada, Rodrigo.
Comparar 93 com 2012 é um disparate.
Não estou a dizer qque concordo com a abolição da tolerância de ponto.
Estou a dizer que Cavaco impôs e queimou-se.
Passos Coelho vai sempre dizer que TEVE QUE fazer assim.
Quem impôs não foi ele, foi a troika.
Esse vai ser sempre o argumento dele.
E vai passar.
Aquele abraço