sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um "conto" de Natal

Eu e o meu irmão mais velho (viriam ainda mais 2) dormíamos no mesmo quarto, numa casa onde electricidade só muitos anos mais tarde, tal como a água canalizada. Sabíamos que o Pai Natal nos presenteava sempre com uns chocolates que representavam várias figuras, embora ocas. Como comer chocolate era coisa rara a expectativa era grande. Antecipadamente lá punha-mos na chaminé um sapato de cada.
Embora muito crianças, já questionávamos a existência do Pai Natal. Se não houvesse outra razão, achávamos estranho o nosso sapato, só tinha chocolates, nada de presentes como os que víamos outros miúdos receber. Nah! Não podia ser, havia qualquer engano. Nada como “apanhá-lo “em flagrante e perguntar-lhe directamente, como é que era. Se éramos todos filhos de Deus, porque é que uns, eram mais filhos do que outros.
Numa noite de Natal decidimos manter-nos acordados. Quando o sono apertava dávamos beliscões um ao outro e assim aguentámos até que um barulho suspeito denunciou a presença do tal Pai Natal. Levantamo-nos de rompante dispostos a ter uma conversinha séria com ele.
Surpresa! Apanhamos foi o nosso Pai com a mão na massa, ou seja a distribuir equitativamente os tais chocolates pelos dois sapatos. Acabou o mito e ficou a desilusão.

Um Conto "estória" publicado aqui

7 comentários:

Fê-blue bird disse...

Meu amigo:
Agradeço-lhe ter respondido ao meu desafio tão prontamente e tão bem. Trouxe-nos uma história íntima de Natal, uma história de um Natal que muitos compreenderão muito bem.

beijinhos

O Puma disse...

Quando os pais
não são de Natal
é tudo a dividir
até as lágrimas

Anónimo disse...

Só uma pequena correcção. No tempo em que esta estória se passou, ainda não se conhecia por cá o tão generoso Pai Natal. Nesse tempo só existia o Menino Jesus, tão pobrezinho que nem tinha roupas para vestir.

folha seca disse...

Cara Fê
Percebi depois que a ideia não era bem esta, mas olhe foi assim um de repente. mas pelo menos a estoria é autentica e acho que nunca a contei duma forma escrita, saíu assim de rompante sem ler bem as regras.

Caro Puma.
Era pouco, mas devidamente destribuido, pataca a mim e pataca a ti. Eu e meu irmão apenas competíamos, no tempo em que despachavamos os referidos chocolates. Quem comia mais depressa ficava a ver o outro a "mamar" a ovelha do presépio que guardou para o fim.

Caro anónimo, de facto já se falava no Pai Natal. Agora quando apanhámos o meu pai em flagrante não estava com aqueles fatos exuberantes de Pai Natal, até porque não pensava que era apanhado em flagrante. Acho que estava assim mais para trajes menores,mas não me lembro bem-

Pedro Coimbra disse...

Mas aposto que esses chocolates tinham uma sabor muito especial.
Tão especial que ainda hoje são lembrados, não é?
Um abraço

folha seca disse...

Pedro
claro, era uma coisa excepcional, a gente lambusava-se. Até porque bacalhau e "pencas" era o mais corriqueiro na altura.
Abraço

Mário Lima disse...

Curiosamente escrevi um tema que não sei onde o coloquei, sobre a minha descoberta de que não era o Menino Jesus que colocava as guloseimas no sapatinhos. Teria por aí sete anos o que era, em abono de verdade, uma idade já bem "grande" para ainda acreditar no Menino Jesus, mas quem nasce em locais muito católicos a verdade dos factos custa a chegar.

:)

Abraço