domingo, 5 de junho de 2011

O Voto


Na política,

Mas não só...

O voto decide,

O voto penaliza,

O voto engana,

O voto ajuíza,

O voto nivela,

O voto tira o sono,

àquele que não quer perder,

quer passar a viver,

debaixo das luzes da ribalta.

O voto,

até aliena a consciência,

de quem só quer é ter poder,

para poder manipular a sorte,

a sua e a dos outros.

Daquele que quer ficar detentor da verdade,

e estar sempre na dianteira,

e que por certo, até enquanto dorme,

deixa o ceptro,

os símbolos,

os adornos,

na mesinha de cabeceira,

porque assim não é roubado,

e dorme mais descansado,

sonhando que reina de verdade.

Mas o voto não é sagrado,

Não é eterno,

O voto também caduca.

Ao político,

Até ao santo,

também lhes foge o poder dos dedos,

desenfreadamente,

Num ápice, caduca a validade do título.

Sai-lhes o tiro pela culatra,

e a expectativa volatiza,

cai por terra.

A alma?

Fica-lhes desfeita em água.

Não, benzida ou benta, como queiram,

mas completamente encharcada,

pela inveja,

pelo escârnio,

pela maledicência.

São rodeados por muita gente importante,

que os apoia e dá suporte.

Mas o povo é quem mais ordena.

Onde é o que eu já ouvi esta?

Há muito.

Pois, agora,

Neste tempo de pós-modernidade,

Até o voto electrónico,

Nos quer adulterar a vontade,

e nos comanda a cabeça!

O melhor para todos,

será por certo,

dar um voto de confiança

a nós mesmos e ao Amor...

beatriz barroso


9 comentários:

Isa GT disse...

Já fui votar... mas neste, o amor não foi para aqui chamado... sinto mesmo que é a minha obrigação e dentro do que há... tentar escolher o melhor possível :)

Bjos

Anónimo disse...

Num dia em que se espera um povo consciente que ordene, a escolha destas palavras para hoje faz igualmente sentido.
Um bem haja!

Fada do bosque disse...

Eu fui votar... considero que devemos dar o benefício da dúvida a quem nunca teve o poder na mão e não julgar por antecipação!
"A liberdade só pode advir da responsabilidade e que esta não surge sem a razão, a denuncia de que o mundo moderno, e as suas crises, têm por responsável uma “espécie de vício de irrealismo”, todas as decisões modernas partem do pressuposto da “melhor das hipóteses” ignorando sempre que algo pode correr mal e que a actual crise podia ter sido evitada se assim não fosse"
Roger Scruton

Carlos Albuquerque disse...

Já fui votar, e fi-lo por duas vezes!
A segunda foi numa sondagem à boca das urnas, da Universidade Católica para a RTP.
O voto nem sempre é o que o amor dita...
No meu blogue fiz declaração de voto para que os meus amigos e leitores ficassem a conhecê-lo.
Um abraço, Rodrigo.

Gisa disse...

Um voto de confiança a nós mesmos e na nossa capacidade de alterar as coisas já é um bom começo.
Um grande bj querido amigo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

O voto é o ópio do povo :-)

Luís Coelho disse...

O voto para mim é acreditar naqueles que se propõem governar.
Porem depois de instalados no poleiro tratam de se governar a eles e aos amigos esquecendo o povo que lhes deu o voto.
Ainda assim continuarei a votar ainda que seja apenas naqueles que nunca serão poder, mas não permitirão maiorias absolutas.
Quero
Posso
e Mando

Anónimo disse...

Um voto por pessoa é anti-democrático, porque cada a cada cidadão é retirada a opção de uma segunda escolha (terceira, quarta, quinta...). Porque a minha segunda escolha só pode ter 0 votos meus?? e todo o meu poder de voto só pode ir para um partido?? Isto promove o anti-democrático e estúpido voto útil, agravado pelo método de hondt. Deixei o povo votar com 5 votos, por exemplo (8, 5, 3, 2, 1)

Anónimo disse...

Alem disso o povo só pode votar para eleger os seus governantes (o que é difícil) e é lhe vedado o direito democrático de votar para avaliar os seus governantes nos finais dos seus mandatos. Apesar dos média insistirem na Mentira que quando elegemos estamos a avaliar - Não estamos - estamos apenas a eleger. Um cidadão pode querer avaliar mal a competência e honestidade (até) dos governantes em quem elegeu e ainda assim achar que os outros ainda são piores e voltar a votar nos mesmos. Ou, pelo contrario, um cidadão pode querer avaliar bem a competência e honestidade dos que elegeu e ainda assim querer mudar por achar que a alternância é melhor para o seu país. Por isso é urgente ampliar o poder popular de voto , dando a possibilidade de avaliação ao povo (com efeito no valor das reformas dos políticos eleitos pelo período em que foram eleitos). Toda esta mudança na lei eleitoral é possível com maioria simples pois é constitucional.