terça-feira, 7 de junho de 2011

Deixando assentar a Poeira

Depois do que ouvi e li relativo aos resultados eleitorais do passado Domingo, creio que há um aspecto  insuficientemente esmiuçado, ou se foi não dei por isso.
Quem foi lendo os meus modestos escritos verificou que embora apoiante do PS há largos anos, fui manifestando alguma animosidade em relação a José Sócrates. Cheguei mesmo a escrever que seria o Coveiro do PS.

Claro que agora é fácil dizer que tinha razão antes de tempo. Não é o meu objectivo mas também não alinho na desculpabilização que por aí se vai fazendo, talvez porque o “emotivo” discurso final (devidamente escrito em antecipação melodramática no teleponto) tenha tocado algumas almas mais sensíveis.
Não, Sócrates não é isento em relação aos resultados catastróficos a que conduziu o seu Partido e o País. Portugal Tem hoje uma maioria na A. República, vai ter um governo de coligação de direita a juntar a um Presidente também de direita, não por culpa só da grave crise internacional (o chapéu que serviu para tudo). Muita coisa falhou para que esta viragem com graves consequências para o futuro imediato do nosso País acontecesse.

José Sócrates foi uma criação do aparelho do PS do qual se serviu e a quem teve que servir.

As centenas de lugares de nomeação política que com eles levavam os respectivos assessores e mais uns lugares na nossa gigantesca administração Publica (e afins) levaram a que o PS criasse uma brutal “máquina” onde o Partido se confundia com o Estado e o apoio que Sócrates parecia ter no PS não era mais do que o resultado da velha máxima, de que quem está com o chefe tem sempre um “lugarzinho ao sol”.

Ressalvo naturalmente a existência de largos milhares de militantes do PS, quer de base, quer mesmo alguns que exerceram lugares de responsabilidade institucional e governamental, que naturalmente, separo do apparatchik . Salvo poucas e honrosas excepções apenas “pecaram” pelo silêncio.

6 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Comungo totalmente da sua opinião sobre Sócrates e o desastre que ele constituiu para o PS. E receio um bocado o futuro do partido, porque Sócrates saiu, mas o aparelho mantém-se em actividade. Haverá a tentação de escolher um clone de Sócrates, embora disfarçado com outras roupagens. Lamento se assim for, porque a esquerda que já está moribunda, será definitivamente enterrada.
Abraço

Carlos Albuquerque disse...

Caro Rodrigo
Afirmei no meu blogue, e aqui o reafirmo, abusando da generosidade deste seu espaço aberto à livre opinião dos seus leitores, que o discurso de demissão de José Sócrates foi digno. Digno e não "emotivo". E que mal há em que o tenha escrito e lido por teleponto? Esta é uma prática a que recorrem políticos das mais variadas matrizes políticas (e não só políticos) por esse mundo fora.
O ter considerado o discurso digno não desculpabiliza, em nada,rigorosamente em nada,a conduta de Sócrates na direcção do PS e do Governo, sobretudo a partir de 2008.
É óbvio, por demais evidente,que uma grande quota parte do desaire eleitoral do PS a ele se lhe deve. Não tenho qualquer dúvida!
Deixe que lhe diga: ouvi, na íntegra, o discurso tendo a meu lado três amigos, um deles militante do PCP, todos eles acérrimos críticos de Sócrates. Foram, como eu, unânimes em reconhecer dignidade ao discurso.
Diz o Rodrigo que muita coisa falhou para que a viragem à direita acontecesse. Não posso estar mais de acordo. O que não aceito é que Sócrates tenha sido o único coveiro. Na minha modesta opinião, que disso não passa, houveram outros contributos importantes, como o combate sem tréguas que lhe moveu o BE, o PCP e uma larga franja da nossa domesticada (por interesses financeiros e de poderosos grupos de controlo da opinião, como o de Pinto Balsemão)comunicação social. Veja-se, para não ir mais longe, a hecatombe que se abateu sobre o BE. Sócrates não pode disto ser culpado.
Sócrates foi uma criação do aparelho do PS? Claro que foi, como Passos Coelho do PSD, Portas do CDS, Louçã do BE e Jerónimo do PCP. São os partidos que criam os seus líderes e não estes que criam os partidos, penso eu.
Temo que as consequências da tomada do poder pela direita não sejam só para o futuro imediato do nosso país...
Agora o importante é como vai o PS substituir Sócrates. Se os socialistas escolherem um clone de Sócrates (para utilizar as avisadas palavras do Carlos Barbosa de Oliveira)como alguns indícios parecem deixar antever, então será o pesadelo. A esquerda entrará numa extra longa travessia do deserto, ou mesmo em rota de redução a uma expressão mínima.
Um abraço

Rogério Pereira disse...

Mais importante do que saber como sair dos escombros é saber como fazer a resistência ás novas hordas e à esta outra forma de colonizar nações. A troika está aí de modo diferente da que estiveram as Legiões Romanas. Que fazer?

Assino-me

Viriato
"regnator Hiberae magnanimus terrae"

(os comentadores anteriores falam de pessoas, eu gosto mais de falar de politicas e interesses instalados... a diferença é que, assim, se vê quem é quem chega logo quando chega. A questão é sempre o que se faz não o que se diz. Quanto muito é, também a coerência entre ambas as coisas... Resumindo: clone ou não, que venha a assumir a liderança do PS terá a vida dificil. ou cumpre com o assinado (que é claramente um programa extremado de um programa de direita) ou rompe. Acho que não há condições para a ruptura. O PS percorrerá o caminho que se lhe conheçe. Lamento, mas não tenho outra visão, de momento.

folha seca disse...

Caro Carlos Barbosa de Oliveira
Esta noite provávelmente serão conhecidos os potenciais sucessores.
Vamos esperar para ver.
Abraço

Caro Caro Albuquerque
A sua presença é sempre bem vinda e claro que nunca será considerada um abuso, mesmo quando não esteja de acordo comigo o que me parece no caso em concreto, acontecer.
Dignidade, emotividade, ensaio, falar de improviso ou por teleponto não está em causa. Se reler o post não vê em lado nenhum que tenha posto em causa a forma digna da intervenção de José Sócrates. Dei-lhe foi a minha interpretação, certa ou errada foi o que fiz.
Quanto ao resto parece-me estarmos em sintonia.
Abraço

Caro Rogério Pereira
Em primeiro lugar saudar a sua nova "personalidade" nas anteriores fez bem o papel das personalidades escolhidas. Certamente que nos aguardam boas surpresas.
Quanto aos homens, politicas e partidos. Não partilho consigo a ideia de que as pessoas são indiferentes aos caminhos trilhados. sim sei que há compromissos assumidos. Mas um partido pode ser conduzido de formas diferentes com resultados tambem diferentes.
Abraço

Pedro Coimbra disse...

Aquele discurso de "fazer chorar as pedras" só convenceu quem queria ser convencido, Rodrigo.
Aliás, acho que nunca vi José Sócrates tão calmo e aliviado.
Um abraço

Nina Pilar disse...

é...agora sabemos, esperar pra ver o que vai acontecer, se vai dar carto, cargos virou moeda de troca...

abraços