segunda-feira, 9 de julho de 2012

Dias em que apetece ir para a rua Gritar!

O tempo nunca anda para trás (como pedia aquele cantor de outros tempos). No entanto sinto que nos tempos que vivemos há alguma semelhança com o período pós 25 de Abril de 1974. Na altura os meios tecnológicos eram muito escassos. Uma  policopiadora manual ou eléctrica uma resma de papel e sai um comunicado. Para não falar das rotativas que imprimiam jornais, alguns tempos depois, o offset com maior capacidade de impressão e qualidade.

Para defender uma ideia, convocar uma manifestação, contestar uma decisão eram estes os meios, mas não bastava escrevê-los e imprimi-los era necessários distribui-los. À porta das fábricas, das escolas, das repartições, dos mercados, enfim onde houvesse gente. Era preciso gente, gente militante que não só acreditasse em ideais mas que estivesse disposto dar o corpo ao manifesto (quantas vezes em terrenos pouco propícios, com os riscos inerentes).

Depois do fascismo era tudo de esquerda e todos os partidos quase sem excepção inscreviam nos seus programas a construção do Socialismo. Nos partidos esquerdistas e nos faz de conta havia uma grande disputa pela liderança ideológica. Quantos partidos (Marxistas-Leninistas-stalinistas -Maoistas -Trotskistas e mais umas istas) havia? Disputando a herança destes teóricos.

38 Anos depois qualquer um de nós, agarrado a um computador ou afim, com grande facilidade em poucos minutos difunde pela net uma ideia, certa ou errada, faz uma partilha faz criar opinião, difunde verdades ou mentiras (mesmo que involuntariamente) faz uma petição cria um manifesto, marca um congresso, recolhe apoios e cria adversários e apoiantes.

Sim. O maravilhoso mundo da Net permite uma ampla difusão de ideias, faz chegar com uma velocidade estonteante uma novidade, um escândalo ou mais uma vigarice.
Com grande velocidade passamos de uma boa para uma má disposição.

5 comentários:

Graça Sampaio disse...

Aos dias que eu ando com uma enorme vontade como a sua!

«Não me obriguem a vir para a rua gritar
que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar!»

Ai que vontade!!!

Luciano disse...

Quero crer que nesses outros tempos havia muito mais "garra" do que agora. A "qualidade" dos meios tecnológicos à disposição de nada serve... se não existir ACÇÃO. Parece-me que o nosso povo anda cada vez mais apático. Falam, falam, falam, falam, mas actos CONCRETOS... NADA. :(
Um abraço.

JP disse...

Também me apetece sair à rua e gritar. Mas só vou ganhar uma coisa - rouquidão!
Vou voltar a citar Torga (já o fiz lá no cantinho: "Falta-nos o romantismo cívico da agressão.
SOMOS, SOCIALMENTE, UMA COLETIVIDADE PACÍFICA DE REVOLTADOS"

Abraço

Luís Coelho disse...

Pois...também me apetece gritar mas eles são surdos e cegos e por aqui todos me mandam calar...
Ainda quero ver se ele tem coragem e tomates para roubar os subsídios ao resto dos pobres deste país.
Nesse dia quero sentir a revolta das pedras e paus porque "às armas ... às armas"..."heróis do Povo" ... já há muito tempo se calaram.

mfc disse...

... e já ninguém (infelizmente) vai para as ruas gritar!