quarta-feira, 4 de julho de 2012

"Cavalo à Solta"


Vários cantores cantam Cavalo à Solta, de Fernando Tordo e Ary dos Santos, RTP 1986

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura

10 comentários:

Ferreira, M.S. disse...

Olá FOlha Seca,
Bonito. Foi bom "re-ouvir" o Carlos Paião (entre outros) a cantar
Um abraço

quem és, que fazes aqui? disse...

Maravilha, poder ver numa canção todo um tempo que vivi e de que canção e cantores fizeram parte!

Obrigada!

Beijo

Laura

Luciano disse...

Meu caro amigo.
Mesmo excelente recordar este belo tema.
:)
Abraço musical.

JP disse...

Olá Rogério,
Boas recordações, velhos tempos.


Abraço

Flor de Jasmim disse...

Excelente escolha!
Boa memória!

Beijinho

Rogério Pereira disse...

"meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa"

heretico disse...

envelhecemos, mas a canção mantém-se fresca...

abraço

Observador disse...

Gostei de recordar.

Quase anónimo disse...

Extraído da RTP Memória, este vídeo é o exemplo de que todos os grandes cantores interpretaram o poeta do povo José Carlos Ary dos Santos.
Mas o vídeo tem já alguns anos. Outros podemos encontrar, bem mais recentes, que reforçam essa ideia de que Ary dos Santos continua a ser interpretado por outros grandes cantores da actualidade, afigurando-se cada vez mais como um “poeta para sempre”… É que os seus poemas continuam actuais, apesar de nos ter deixado há mais de 28 anos.
Gravado num serão em casa de Amália Rodrigues em 1968, onde estavam Vinicius de Moraes, Ary dos Santos, Natália Correia e David Mourão-Ferreira (tema no novo espectáculo de Lá Féria, ontem estreado no Politeama), deixo aqui um breve trecho, retirado de “O retrato do Poeta”, que bem poderia ser um lema para os tempos presentes: “Homem que vive só, não vive bem”…

Graça Sampaio disse...

Uma das mais belas canções da nossa música ligeira contemporânea. Mas prefiro a versão original pelo meu querido Fernando Tordo.