segunda-feira, 2 de julho de 2012

Unidade. Precisa-se?

Estas letras que tento alinhavar em forma de post, que como é habitual não sei se chegarão a ser publicadas, não é mais do que um exercício repetido de passar ao ”papel” o sentimento de revolta e frustração que me acompanha de manhã à noite agravado pelas notícias que vou ouvindo e lendo.
Não sou nada apologista da ideia de que na política se aplica o velho ditado popular de que “ atrás de mim virá quem bom de mim fará” não! Não vou nessa e até acho que há culpados do ponto de vista politico que serão para sempre responsáveis por terem escancarado as portas à direita ultraliberal com os resultados que se estão a ver e (quase a generalidade dos cidadãos) a sentir na pele. Não me refiro a ninguém individualmente mas às estruturas politico- partidárias que em devido tempo não perceberam, que era preciso mudar de timoneiro. Penso que perceberam mas “enquanto o pau vai e vem folgam as costas”.

Escrever no fim de um dia sobre mais uma quantas patifarias hoje conhecidas, mais uns dados postos à vista, mais o aumento da sensação de que o desastre está aí e os esforços para acudir às vítimas é prejudicado por cada vez mais e mais precisarem de socorro, traz-me a sensação de que pregar no deserto já pouco adianta especialmente quando acabamos por passar a vida a “refilar” sobre aquilo que mais nos toca esquecendo muita vez que  tudo o que é mal feito acaba por em nós ter efeito, mesmo que não o sintamos de imediato.

Enquanto isto o que é que vemos? O mais puro oportunismo politico apontando claramente para um desgaste (gradual) da actual maioria e aí sim, em 2015 cá estamos para assumir as rédeas do poder. Mas se podemos centrar isto nas declarações do novel secretário do PS, não podemos ignorar que nas outras forças de esquerda também não aparece o necessário pontapé de saída. Enquanto isso, quando grupos de cidadãos se mostram capazes de “empurrar” os partidos tradicionais juntando várias tendências de esquerda e independentes o que é que vimos? Uma tentativa de desmobilização fazendo até com que alguns activistas sintam que estão a ir contra as orientações dos partidos onde militam e conhece-se o resultado de quando isso acontece.

Paciência!

4 comentários:

Rogério Pereira disse...

Paciência?
Sim!
Porque a impaciência é reaccionária...

Volto ao meu ponto de partida: o que fazer desta vida será sempre o resultado de correlação de forças. Não das forças que nervosamente se agitam e se reclamam de esquerda, mas de uma disposição perceptível (e de consciência de classe) das massas e do seu sentir e querer. É ilusão que a situação se altere pelo simples desejo de umas centenas (ou mais) de esclarecidos ou bem intencionados.

Depois há o resto, que também é importante...

JP disse...

“ atrás de mim virá quem bom de mim fará” ?
Atrás de mim não veio e, por este andar, não virá . Onde nos levarão, neste crepúsculo, assim palma com palma, de mãos dadas?

Abraço

folha seca disse...

Caro Rogério
Como sabe tenho um grande respeito pelos militantes dos partidos de esquerda, especialmente por aqueles que o são para defender o interesse colectivo e do povo Português.
Reivindico para mim e para muitos milhares de homens e mulheres de esquerda, mas independentes o mesmo respeito. Será que para se ser de esquerda tem que se ser membro de um partido e trazer um cartão na algibeira?

Caro JP
Tem razão, no entanto sou dos que acha que pedra mol em água dura, tante bate até que fura.

Abraços
Rodrigo

quem és, que fazes aqui? disse...

Li com atenção o texto e comentários.

O meu post de hoje vai nesse sentido.

Não podemos baixar os braços, Rodrigo!

Beijo

Laura