terça-feira, 3 de julho de 2012

Ser independente sem ser apático. Tomar partido sem ter partido.

Ouve um tempo em que ter partido e não correr riscos significava que se era da UN ou mais tarde de A.N.P.

Mas havia outros que não o podendo mostrar, tinham Partido. Quase até à conquista da liberdade havia de facto 2 partidos em Portugal o do Fascismo e o que lutava contra o anterior.
Não é meu objectivo referir os sofrimentos dos que se atreveram a ser do Partido que durante décadas e décadas lutou contra o fascismo coisa que já fui fazendo e certamente  voltarei a fazer.

Sem pretender fazer história queria apenas recordar que das grandes lutas da classe operária e de outras camadas, das grandes acções eleitorais que a história nos transmite só foram possíveis e tiveram o impacto que tiveram porque a elas aderiram grandes camadas da nossa população naturalmente sem partido embora os mais conscientes e conhecedores soubessem que por trás havia um grande partido e claro que, pelas limitações existentes a ele não podiam aderir.
Teria que recorrer a pesquisas para os enumerar em grande parte, mas este escrito não é mais do que uma tentativa de acrescentar algo mais ao meu post de ontem.

Recordo as acções que se realizaram durante 1973 e uma vaga ideia das de 1969. Sei que as de 1973 durante a fantochada eleitoral assumiram quase um caracter insurreccional dada a convergência em torno da candidatura do MDP/CDE dos dois partidos então existentes embora um deles, o PS ainda mal acabava de nascer herdando no entanto o património político dos seus fundadores e suas organizações.

A campanha eleitoral de 1973, a denúncia da fraude em que estas eleições se tornaram, deram um contributo (impossível de quantificar) decisivo aos acontecimentos que se verificaram alguns meses depois, naquela radiosa madrugada de Abril.

Quantos homens e mulheres estiveram envolvidos, quantos arriscaram, quantos pagaram caro a ousadia, mesmo não sendo membros de qualquer partido.

Porque é que hoje, homens e mulheres independentes cujo percurso político foi sempre ”pelo lado esquerdo da vida” não podem promover iniciativas que se destinam a contribuir para alterar o caminho catastrófico por onde caminhamos.
Porque é que se pretende denegrir as pessoas que querem fazer coisas, porquê a sobranceria com que alguns dos partidos de esquerda olham para estes movimentos independentes, porque é que se pretende impedir que militantes desses partidos participem?

Talvez o que se pretenda não seja mais, de que a apatia, o desinteresse crescente em grandes camadas da nossa população mesmo sofrendo na pele o que sabemos, aumente e de facto a politica se torne uma coisa só para os políticos.

Pena que o toque não seja a UNIR.

4 comentários:

Francisco Clamote disse...

Muito bem, Rodrigo. Abraço

quem és, que fazes aqui? disse...

Não tiro uma vírgula ao que escreveu, Rodrigo.

Beijo

Laura

Rogério Pereira disse...

Sem comentários

Só falo em presença do meu advogado
Quanto à acusação: declaro-me inocente
Quanto à insinuação, será objecto de argumento para memória futura, perante o tribunal da História

Luís Coelho disse...

Bom dia amigo
Hoje acordei ainda ais cedo para poder estar aqui neste silêncio
maravilhoso e sem as interrupções que a Net nos inflige.

Nunca fui partidário e recuso a ligação a algum partido. Todos os partidos políticos tem valores e defendem doutrinas que aceito.
- Clareza, justiça e verdade

Quando se apoderam do governo são todos iguais e apenas pensam em perpetuar-se no poder absoluto.

As preocupações em manter a ideologia, a justiça e o respeito passam para um plano inferior.
Aparece logo o controlo de toda a comunicação e o favorecimento do compadrio......

Mais parecem abutres despedaçando as presas acabadas de matar com humilhações constantes...