sábado, 31 de dezembro de 2011

12 Desejos

Logo, quando soarem as 12 badaladas, respeitando a tradição vou enfiar de uma só vez pela garganta abaixo, uma dúzia de passas de uva, ou umas imitações tipo corintos ou sultanas e vou formular 12 desejos.
Como não dá para grandes pedidos dada a chata da crise vou tentar alinhavar uns 12 modestos desejos (sim porque não dá para me alambazar muito) e como não sou egoísta incluo neles o conjunto dos Portugueses (pelo menos os que merecem).

1-      Que a saúde nos não falte, porque isto de estar doente para além de ser chato e causar sofrimento, está a ficar muito caro.
2-      Que consigamos ter dinheiro para viver com o mínimo de dignidade e não nos gamem mais do que o que temos.
3-      Que não nos tornem um Povo ainda mais macambuzio e que o sorriso volte aos nossos rostos, acompanhado de uma esperançazita de que o novo ano, não seja tão mau como nos querem fazer crer.
4-      Que o Amor “alimento” essencial à sobrevivência de qualquer ser humano não nos falte.
5-      Que o pão não falte às famílias mais carenciadas, pois onde ele não há tudo ralha sem razão.
6-      Que não continuemos a ligar as nossas televisões e assistamos a guerras, assassínios em massa, fundamentalismos exacerbados com crianças, homens e mulheres a ser assassinadas e torturadas.
7-      Que os elevados gastos utilizados na guerra sejam canalizados para suprir carências inadmissíveis que parte da humanidade vergonhosamente ainda sofre.
8-      Que os políticos corruptos e incapazes sejam gradualmente afastados dando lugar a gente séria e capaz para que o destino da humanidade sofra uma inversão e não se caminhe para situações sem retorno.
9-      Que o sofrimento dos seres humanos não seja uma inevitabilidade e sobretudo que não continuem a querer-nos convencer disso.
10-   Que a justiça seja digna desse nome e que não continuemos a assistir a situações que a todos (ou quase) envergonha. Ou seja que se acabe de vez com a tal “justiça” de mão pesada para os pobres e altamente benemérita para os ricos.
11-   Que em Portugal no próximo ano seja corrigido o terrível engano em que parte dos Portugueses caíram e Portugal volte a ser um País independente e soberano e volte a ser dirigido por Portugueses que ponham os interesses do seu País e dos seus habitantes em primeiro lugar.
12-   Que em 2012 não nos deixemos acomodar e que o lamento e a reclamação passem daí. Que as pantufas aguardem e que cada um de nós faça aquilo que tem de ser feito.

        Pronto. Os meus desejos para 2012, sem qualquer ordem específica.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

À laia de balanço

É normal que qualquer um de nós “perca” alguns minutos por esta altura, em que um ano velho acaba e outro começa, a olhar para trás a ver o que é que correu mal e procurar corrigir, para que no novo as coisas corram melhor.
Acontece que involuntariamente estamos envolvidos numa engrenagem trituradora de que acabamos por estar dependentes e por muito pouco que façamos por isso, acabamos por mais tarde ou cedo pagar as “favas”.

Evitando falar de política, para mim é uma certeza “quase absoluta” que as angustias e inquietações com que nos deparamos se devem não ao sistema político em que vivemos, mas aos seus maus “actores”. Não me refiro só ao Português mas àquele grupo em que prometendo maravilhas, nos “enfiaram”. A chamada Europa que na altura era a dos nove e já mudou de nome várias vezes.

Enfim 2011 foi para mim um ano mau. As perspectivas para 2012 assustam. Espero ter saúde e capacidade para inverter as situações menos boas que tive que enfrentar e cujas consequências vão inevitavelmente ser transferidas para o próximo ano.

Como não sou do tipo de olhar para o umbigo e os outros que se “amanhem” tenho consciência de que a inversão dos maus caminhos a que nos estão a querer conduzir, como se de um rebanho se tratasse, não vou ficar quieto nem calado. Por aqui e ali e até ao limite da minha capacidade física e intelectual vou usar o meu direito de Cidadania, para dizer que não sou um “Carneiro” mas gente e como tal, assim exijo ser tratado.

Às amigas e amigos da Blogosfera (e também aos outros) um Bom 2012,

Uma canção repetida mas que reflecte o meu estado de espírito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Raul Solnado foi à Ponte

O actor publicou um texto a gozar com a Ponte 25 de Abril, sete meses depois da inauguração. A PIDE arquivou o recorte que saiu na Semana Portuguesa nº 180, de 4 a 10 de Março de 1967.

Texto de Raul Solnado “Outro dia fui atravessar a ponte. Era para não ir porque eu não me posso estar a meter em cavalarias altas, mas tanto me disseram tanto me falaram tanto me gabaram a ponte que eu assim que recebi a gratificação de Natal, fui. E não se pode dizer que eu ficasse desapontado, mas afinal aquilo não é o que eu pensava. Em primeiro lugar eu ouvi dizer que eles estavam todos muito contentes porque só levaram três anos a fazer a ponte, e que portanto tinham feito um recorde. Recorde uma bolota! Levam 3 anos a pôr uns ferrinhos para cima, dizem que é recorde e ficam todos vaidosos. E ainda por cima é mentira, porque inauguraram a ponte sem estar a obra acabada. Deixaram-lhe uns buraquinhos no chão, que ainda não taparam e uns buracos de lado que se calhar nunca mais tapam e nem tecto puseram. Quer dizer: além da corrente do rio, aquilo está cheio de corrente de ar. Enfim, isso é lá com eles, eu não sou engenheiro e muito menos americano, portanto eles que se entendam lá uns com os outros porque eu não tenho obrigação de lhes estar a lembrar coisas que a gente está mesmo a ver. Bem, o que interessa é que eu fui então por uma estrada toda aos caracóis que se chama estrada dos sucessos da ponte e andei ali, mais de meia hora às voltas, que até senti tonturas: isto foi para começar! Depois lá consegui chegar à entrada da ponte onde há uma casinha que tem lá dentro um senhor fardado que está ali a pedir dinheiro para as obras da ponte. O que eu achei esquisito é que aquilo tem um letreiro que diz “portagem”, o que eu acho que está errado porque “portagem” devia ser na ponte do Porto. Ali devia ser “almagem”, porque a casinha fica em Almada, ou “pagagem” porque é onde se paga, ou então “garagem” já que é para automóveis! Bem então lá dei os 20$00 e fiquei na espera, porque pensei que por aquele dinheiro eles forneciam os automóveis e, claro, embora mesmo assim não fosse barato, a gente sempre ficava com o carro e dava ela por ela. Mas não. A gente paga aquele dinheiro todo e eles não dão nada. Nem há música nem um filme, nem ao menos uma cerveja. Nada! Nem recibo! Por aquela exorbitância, ao menos podiam ter feito uma escada de caracol para as pessoas virem cá abaixo chapinhar na água! E o pior é que mal se apanham com o dinheiro na mão e passamos a casinha para entrar na ponte fica logo tudo proibido. É proibido buzinar, é proibido cuspir, não se podem atirar fora as pontas de cigarros e temos que engolir as “beatas”, é proibido guinar para a esquerda, mas para a direita também é, não se pode andar devagar mas depressa também não, e nem sequer se pode olhar para os barquinhos! Parece um convento! Calculem que nem se pode parar no caso da gente precisar fazer qualquer coisa… enfim… resolver qualquer aperto! E se fazermos alguma coisa que os policiais da ponte não achem graça, eles multam e ainda pontificam! Eu acho que quando só havia barcos era muito melhor. A gente pagava muito mais barato e punha as “beatas” onde a gente queria, cuspia-se que até dava gosto e ao menos sempre era um passeio de barco que se dava! E ainda por cima com uma vantagem muito grande! O tempo que se esperava na bicha para entrar no barco era um tempo que se podia aproveitar para ir passando férias. Pois! Mas eu é que já descobri como é que hei-de ir a Cacilhas de borla. Vou pela ponte de Santarém, que já não se paga, gasto os vinte escudos em melões de Almeirim, venho por ali abaixo e posso chegar a Cacilhas a muito boas horas de apanhar o barco para Lisboa. Não estou para que me aconteça o que aconteceu a um rapaz que eu conheço. Passou a ponte para lá e agora, coitadinho, está há mais de um mês a lavar pratos num restaurante a ver se consegue dinheiro para voltar para Lisboa. Livra! A mim é que já não me apanham!

(in Século Ilustrado) Este documento foi encontrado  nas duas pastas da PIDE com o nome do actor, que a SÁBADO consultou no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Surripiado aqui

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.