sábado, 11 de fevereiro de 2012

Soneto do Trabalho



SONETO DO TRABALHO

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas

Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

Este poema , foi retirado do livro "Vinte anos de poesia do poeta Ary dos Santos. Na pesquisa que fiz, sei que foi musicado por Fernado Tordo por quem foi cantado e é esta a voz que tenho gravada na memória, mas parece que a primeira gravação foi feita pela Tonicha , apesar de a Simone a ter também cantado numa revista.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um post controverso...


Amanhã realiza-se mais uma manifestação “Nacional” convocada pela CGTP e apoiada por uma série de estruturas de maior ou menor dimensão.
Claro que estou de acordo com esta, tal como estive com outras e numa delas até participei fisicamente.
 
A minha dúvida é se a repetição do mesmo tipo de acções sem objectivos mais concretos e mobilizadores não cansarão os seus participantes? Sim porque há sempre os que vão a todas, mas esses são cada vez menos, até porque a lei da vida é incontornável.
Sabe-se também que alguns sectores profissionais mobilizaram-se nos últimos tempos para este tipo de acções porque pela primeira vez lhes foram à algibeira, mas duvido que muitos desses profissionais se tornem manifestantes (militantes).

Uma manifestação chamada de Nacional que tem como objectivo dizer “Não à exploração, às desigualdades e ao empobrecimento e que outra política é possível e necessária!”. Quanto a mim é demasiado fraco, embora nas entrelinhas se leiam outras coisas. Mas porque não chamar as coisas pelos nomes? Como disse o Ary dos santos num poema que tenciono publicar amanhã “o povo não é livre em águas mornas”.

 Mesmo que a manifestação de amanhã seja grandiosa, na melhor das hipóteses reunirá 2% da população Portuguesa (menos que o nº de funcionários públicos e afins da grande Lisboa) e o resto dos sectores profissionais e sociais condenados às desigualdades e ao empobrecimento? Muito menos que as pessoas que querem outra política e a consideram necessária.
E no resto do País? Será que para os organizadores, Portugal é Lisboa e o resto é paisagem?

Desculpem o meu aparente cepticismo. Mas acho que para problemas novos há que encontrar formas novas de mobilização popular e apontar objectivos concretos a atingir. As receitas por muito boas que sejam, têm que ser usadas com contra peso e medida, sob pena de cansarem.