Para aí no final dos anos 70 do século passado, existiam
entre 6 a 8 fábricas de vidro manual na Marinha Grande a funcionar. Claro que
são conhecidos os célebres problemas do sector, nesses tempos algo conturbados.
Na verdade e falando de cor penso que haveria para aí cerca de 3000 postos de
trabalho nestas empresas que ao longo do tempo foram sendo encerradas. Outras
nasceram, mas o destino acabou por ser o mesmo.
Recordo aqui um episódio que me marcou e que demonstra como
os “Portugueses” em geral contribuíram para sepultar grande parte da nossa
indústria.
Um dia fui convidado para ir beber um copo a uma cervejaria
que tinha acabado de abrir. Logo reparei que grande parte dos copos eram de
origem estrangeira. Dado que o proprietário até era filho de um industrial do
ramo, inquiri-o sobre o porquê de numa terra onde a actividade principal era a
fabricação de vidro e grande parte dos clientes viveriam dos rendimentos dessa
actividade, do porquê? A resposta foi a de que havia que gastar o mínimo possível
e como tal os tais copos serviam muito bem. Indignei-me e penso que se a
memória me não falha nunca mais lá pus os pés.
Claro que a tal cervejaria há muito deixou de existir, tal
como a totalidade das fábricas existentes também.
Este assunto poderia e deveria ser muito mais aprofundado e
transportado para muitos outros sectores da nossa economia. A ânsia de comprar
mais barato, a “mania de que o que é estrangeiro é que é bom” levou a que
muitos sectores da nossa indústria sofressem em terras Lusas a concorrência que
não lhes permitiu sobreviver.
Na verdade cada um de nós deve pôr a mão na consciência e
para além de culparmos as políticas erráticas praticadas, quantos de nós
somados a tantos outros não demos e continuamos a dar, o nosso contributo para a
situação depauperante da nossa economia.
Sou dos que pensa que é possível arrepiar caminho, assim
queiramos e a nossa consciência o determine. Se já não é possível ressuscitar o
que morreu, salvemos o que está vivo!

