quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A PIEGUICE DOS HOMENS

António Lobo Antunes - (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)"

Poema aos homens constipados 
Pachos na testa, terço na mão, Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel, Três aspirinas, creme na pele Grito de medo, chamo a mulher. Ai Lurdes que vou morrer. Mede-me a febre, olha-me a goela, Cala os miúdos, fecha a janela, Não quero canja, nem a salada, Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada. Se tu sonhasses como me sinto, Já vejo a morte nunca te minto, Já vejo o inferno, chamas, diabos, Anjos estranhos, cornos e rabos, Vejo demónios nas suas danças Tigres sem listras, bodes sem tranças Choros de coruja, risos de grilo Ai Lurdes, Lurdes fica comigo Não é o pingo de uma torneira, Põe-me a Santinha à cabeceira, Compõe-me a colcha, Fala ao prior, Pousa o Jesus no cobertor. Chama o Doutor, passa a chamada, Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada. Faz-me tisana e pão de ló, Não te levantes que fico só, Aqui sozinho a apodrecer, Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Esperança


Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso* (in LP "Roupas de Pátria, Roupas de Mulher", Orfeu, 1986, reed. Movieplay, 2004; 2CD "Antologia 1982-1990", Movieplay, 2005)ao vivo com a Tuna de Veteranos e Coral Polifónico de Viana do Castelo, no Teatro Sá de Miranda, em Maio de 2008.

Sem palavras...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Frouxidão...

Parece-me que fora do arco do poder, filiais e sucursais já pouca gente tem duvida que a eleição desta maioria logo a seguir a um Presidente da Republica, que cada vez que abre a boca, sai asneira ou entra mosca, foi um terrível engano que estamos todos a pagar bastante caro. Quando digo todos, não incluo as excepções que sempre existem.

Apesar de ser apologista e defensor do respeito pela vontade do Povo expresso nas urnas sou também apologista de que quem ganha as eleições com falsas promessas e mentiras descaradas não se lhe deve permitir acabar o mandato, sob pena de que as malfeitorias sejam tantas que a regressão seja de tal ordem que pelo caminho que as coisas estão a levar não faltará muito para que nos nossos bilhetes de identidade onde actualmente consta a nossa Nacionalidade seja posto um ponto de interrogação, dada a entrega por “trocados” de grande parte dos sectores básicos da nossa economia e consequentemente da nossa soberania.

Naturalmente que para se chegar a este ponto muita coisa aconteceu. Ao longo dos tempos também por aqui fui deixando as minhas modestas opiniões e naturalmente não as vou repetir.

Mas se me preocupa a completa incompetência e dependência de quem detém os principais órgãos de soberania, mais me preocupa a frouxidão da chamada oposição.

Dos três partidos com assento parlamentar que pela lógica representam quem não se revê nesta maioria, o que vemos? Para além de intervenções parlamentares com mais ou menos acutilância, cá por fora vemos o PS a arrumar a casa, o PCP a lançar a sua força avançada e o que ela representa com as tradicionais greves e manifestações, sem qualquer inovação e o B.E, que para além do Parlamento não se vê praticamente em mais lado nenhum.

Entretanto crescem em sectores multifacetados da opinião pública, movimentos que utilizando as novas tecnologias de comunicação tomam a dianteira na denúncia de muitas das arbitrariedades e abusos que se vão conhecendo. Se isso é importante não se iludam os que pensam que as “revoluções” se fazem frente a um teclado de computador. Basta um apagão na internet e tudo não passou de fogachos.

Oposição faz-se com acções político partidárias (as outras são complementares) As esquerdas têm que deixar as suas capelinhas e discutir em conjunto como pôr termos ao descalabro que está a atirar Portugal para uma situação insustentável. Se não o fizerem também eles serão culpados e julgados pela sua inacção.