sábado, 13 de dezembro de 2014

Recordar é viver ou sofrer?

Um copo de vidro (só isso)
Há uns tempos que uma das minhas extravagâncias semanais é ir almoçar ao clube recreativo de Casal Galego, ao Sábado onde o prato, é o tradicional cozido á Portuguesa.
Ao chegar hoje ao local e antes de perceber o que se passava logo pensei num dos ditado populares neste caso e tendo em conta o nome do Lugar “pariu a galega” ditado que ainda não percebi o real significado. Pronto, depois de voltas e mais voltas para encontrar um lugar de estacionamento, lá percebi a razão de tanta confusão. Havia um almoço de Ex- trabalhadores do Manuel Pereira Roldão que segundo apurei atingia um número superior a centena e meia.

Entre a satisfação de ver, que apesar de tudo a confraternização entre colegas duma empresa que deixou de o ser (há décadas) e uma leve mágoa (mas compreensível) por não ter sido convidado, pois também eu fui operário desta fábrica, não deixei de recordar um período da minha vida (ou seja dois) pois, foi nesta fábrica que aos 10 anos iniciei a minha actividade e depois de outras andanças aí a terminei aos 23 anos de idade. No vidro entrei em “criança” fui jovem adolescente e homem maduro (coisas que aconteciam nas varias etapas prematuramente).

Apesar de nas entradas e saídas ter encontrado vários companheiros de uma velha jornada e ser convidado a entrar no local de encontro, não o fiz talvez porque os “fantasmas” falaram mais alto. Ver dezenas e dezenas de profissionais em pleno uso das suas capacidades físicas, atirados (involuntariamente)  para a reforma antecipada, não é um bom momento. Dói, mas dói mesmo!


7 comentários:

Janita disse...

Amigo Rodrigo.

Por tudo o que se esconde por detrás deste seu aparentemente simples texto, eu vejo uma grande dor pela extinção de grande parte da indústria vidreira, onde diz que trabalhou em criança. passou a adolescente e se fez homem.

Qualquer um de nós, longe dessa experiência, olha para um copo de vidro e apenas vê um copo!
Quantas histórias haverá para contar por aqueles que, tal como o Rodrigo, revivem ao olhar para um simples copo de vidro?
Muitas, certamente!

Recordar pode ser viver, mas também pode trazer muito sofrimento. Foi essa a razão porque o Rodrigo não quis juntar-se ao grupo de vidreiros que, apesar da dura mudança, se juntam para confraternizar e reviver velhos tempos.

Gostei muito dessa sua(vossa) ida semanal ao Casal Galego, porque nos proporcionou a honra de o ler, num emocionante texto.

Rodrigo, sem pretender desvirtuar uma virgula do que escreveu e a propósito do ditado "parece que pariu aqui a galega", quando se vê muita gente junta e não se sabe o porquê, deixo-lhe um link onde há duas versões muito interessantes acerca desse dito. Curiosamente, uma do autor da crónica e outra de um/a comentarista.

http://ojaimeexplica.blogspot.pt/2009/09/parece-que-pariu-para-aqui-galega.html


Um beijinho com consideração e amizade.

Janita

Graça Sampaio disse...

Dói mesmo! Belo texto, amigo Rodrigo!

(Nunca estivemos tão mal!!)

Beijo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

A dor junta os homens

Pedro Coimbra disse...

Uma empresa que chegou a ser uma referência a nível internacional, Rodrigo.
E que desapareceu sem deixar rasto.
Mais uma das muitas que desapareceram e vão desaparecendo.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Dói mesmo, Rodrigo. Infelizmente, assisto a situações dessas com muita frequência...
Abraço

Majo disse...

~ O meu comentário não "entrou"?!

Majo disse...

~
~ Tinha afirmado que tem razão ao sublinhar a sua tristeza por ver trabalhadores saudáveis e experientes em impostas reformas antecipadas.

~ Mais triste do que esse fato, é apenas saber que uma das indústrias mas antigas de Portugal está em mão estrangeira.