sábado, 23 de fevereiro de 2013

Desesperados, anónimos


Noite de reunião imaginária. Empresários anónimos. Como alcoólicos anónimos, toxicodependentes anónimos... Entra-se sem dar o nome. É sentar e ouvir. E falar. Levantou a mão. O ambiente é duro. Há que confessar, reconhecer o crime, matutar nas falhas. Disse:
"Eu também criei uma empresa. Era uma coisa pequena ao princípio, uma boa localização, eu, a minha mulher e uma funcionária que ajudava na cozinha..."
 ('Ramiro Moreira' tinha aberto um restaurante há uns anos. Alinhou umas receitas especiais, havia trabalhado na restauração, juntou um dinheiro com a ajuda de uns biscates e gorjetas. E avançou, há 20 anos. Agora estava ali porque um amigo o levou... O desespero está-lhe na cara.) VER MAIS

3 comentários:

quem és, que fazes aqui? disse...



Bom dia, Rodrigo.

Li o texto e não consegui fazer com que as lágrimas não se soltassem.

Olho e, à volta, só vejo destas situações. Amanhã serei eu, também, a frequentar uma reunião dessas e a ter de confessar, em público, o meu crime - o de ter acreditado no futuro do meu país e na importância da minha profissão.

Beijinho e que a força não nos falte.

Laura

Rosa dos Ventos disse...

No fundo estamos todos no mesmo barco dos anónimos desesperados!

Abraço

Janita disse...

Rodrigo, a reunião é imaginária mas a situação é real. Li todo o artigo e fiquei arrepiada!
Se existisse uma Associação de Empresários Anónimos, eu já faria parte dela, embora não pertença ao ramo da restauração.
Já se começaram a vender máquinas e viaturas, mas como sabe quem vende em época de crise é como se estivesse a dar.
Para o ano vou pedir a reforma, mas como o meu ordenado foi sempre pequeno, será uma pensão miserável. Nem quero pensar muito nisso.

Mudando de assunto. Tenho a indicação, que tem aqui a "Canção do Desterro" da Helena Sarmento, mas não está visível ainda.

Um beijo e boa semana, Rodrigo.
Não podemos desistir!

Janita