Tinha 22 anos quando enfrentei pela primeira vez o desemprego, já trabalhava desde os 10. Já era casado e tinha uma filha com 2 anos. Tive uma oferta para emigrar que não aceitei. Tinham passado cerca de 2 anos em que numa data inesquecível (25 de Abril de 1974) numa radiosa manhã, o Movimento das Forças Armadas apoiado por grande parte do povo Português pôs termo à ditadura fascista que oprimiu esse mesmo povo durante 48 anos.
Apesar da incerteza e carências em que durante alguns meses eu e a família mergulhámos (o subsidio de desemprego ainda não tinha sido
inventado, ou se fora era de muito difícil obtenção) nunca a saída do meu País
foi uma opção. Havia que construir um País novo e eu estava nessa.
De retrocesso em retrocesso chegámos a uma situação
desastrosa interrogando-me se essa foi a opção certa. Vivo aos 57 anos a pior
fase da minha vida. Ainda não me falta nada de essencial. Mas temo, que a muito
curto prazo me falte tudo. Depois de 47 anos de trabalho 45 de descontos para a
segurança social, não tenho direito sequer à reforma, nem ao subsídio de desemprego.
Da minha capacidade de resolver os problemas cada vez mais difíceis
com que me deparo, dependem cerca de 25 pessoas. Interrogo-me até à exaustão
sobre o que é que fiz de mal. Tudo o que ganhei, investi em condições de
trabalho para os meus colaboradores e na permanente melhoria das condições de
elaboração dos produtos que transformo e coloco no mercado alimentar. Sim
recorri ao crédito bancário. Até hoje nunca tive incumprimentos, mesmo no que
respeita a impostos e contribuições e sobretudo salários e respectivos subsidios, já não posso dizer o mesmo em relação a
fornecedores. Uma falência e uma pré-falência de dois dos meus principais
clientes provocaram-me um rombo na tesouraria muito difícil de recuperar,
sobretudo quando a quebra no consumo está aí e naturalmente as vendas estão a cair
gradualmente e como é público e notório com os esbulhos programados essa tendência
vai ainda aumentar mais.
Mas partir? Para onde? Não, não vou abandonar o meu País.
Quem está cá a mais não sou eu.
Quem cá está cá a mais é esta corja de malfeitores que tomou
conta deste País e o está a destruir, bem como às nossas vidas. Juntarei (como sempre) a minha
voz aqueles que num coro que vai engrossando cada vez mais, vão dizendo BASTA!
9 comentários:
Essa corja é que tá cá a mais. Se alguém tem que zarpar são eles. Ide eles embora para sempre. Estou farto, farto...
Se não tivesse 55anos já estava a fazer as malas e também não tenho reforma nem nunca recebi subsídio de desemprego, mas roubada... isso não tem faltado.
Acabei de pagar a minha casa aos 36 anos e agora o imi acha que a minha casa vale o dobro.
Francamente, se isto não é escravatura não sei que nome se pode dar... tenho a certeza que a maioria da população não vai aguentar.
Bjos
Boa noite Rodrigo
Aceita um grande abraço por essa tua coragem de lutar e fazer que essas 25 pessoas continuem com emprego e salário.
É confrangedor quando os teus clientes abrem falência e te deixam com maiores dificuldades.
Não sei mesmo o que possa dizer mais.
Reforço aquilo que sempre defendi:
Os governantes não sabem o que andam a fazer.
Alguns dias fico a pensar que esses malvados da Troika impõem regras e estes políticos nacionais não sabem ou não querem contrariá-los.
Ficar, lutar!
Mas a corja não emigra, Rodrigo.
Também, em boa verdade, quem os quer?
Força e coragem, Amigo!!
Aquele abraço
Rodrigo, li o "email" que me enviou. Acredito, por todas as razões e mais uma, nas dificuldades que relata e, sinceramente, só posso desejar que melhores dias venham. Mas, de facto, também eu não sei como, nem quando é que isso vai acontecer. Infelizmente, não temos PR e a esquerda tem sido incapaz de se unir. Abraço.
Basta mesmo!
Abraço
Claro que temos de ficar! E lutar! nem que seja falando e vociferando até que a voz nos doa!
FORÇA, Amigo!
Amigo Rodrigo, somos uma geração corajosa e trabalhadora e estamos a pagar caro por isso. Chega de tanta injustiça.
Estou consigo!
BASTA!
beijinhos
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