quarta-feira, 4 de julho de 2012

"Cavalo à Solta"


Vários cantores cantam Cavalo à Solta, de Fernando Tordo e Ary dos Santos, RTP 1986

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ser independente sem ser apático. Tomar partido sem ter partido.

Ouve um tempo em que ter partido e não correr riscos significava que se era da UN ou mais tarde de A.N.P.

Mas havia outros que não o podendo mostrar, tinham Partido. Quase até à conquista da liberdade havia de facto 2 partidos em Portugal o do Fascismo e o que lutava contra o anterior.
Não é meu objectivo referir os sofrimentos dos que se atreveram a ser do Partido que durante décadas e décadas lutou contra o fascismo coisa que já fui fazendo e certamente  voltarei a fazer.

Sem pretender fazer história queria apenas recordar que das grandes lutas da classe operária e de outras camadas, das grandes acções eleitorais que a história nos transmite só foram possíveis e tiveram o impacto que tiveram porque a elas aderiram grandes camadas da nossa população naturalmente sem partido embora os mais conscientes e conhecedores soubessem que por trás havia um grande partido e claro que, pelas limitações existentes a ele não podiam aderir.
Teria que recorrer a pesquisas para os enumerar em grande parte, mas este escrito não é mais do que uma tentativa de acrescentar algo mais ao meu post de ontem.

Recordo as acções que se realizaram durante 1973 e uma vaga ideia das de 1969. Sei que as de 1973 durante a fantochada eleitoral assumiram quase um caracter insurreccional dada a convergência em torno da candidatura do MDP/CDE dos dois partidos então existentes embora um deles, o PS ainda mal acabava de nascer herdando no entanto o património político dos seus fundadores e suas organizações.

A campanha eleitoral de 1973, a denúncia da fraude em que estas eleições se tornaram, deram um contributo (impossível de quantificar) decisivo aos acontecimentos que se verificaram alguns meses depois, naquela radiosa madrugada de Abril.

Quantos homens e mulheres estiveram envolvidos, quantos arriscaram, quantos pagaram caro a ousadia, mesmo não sendo membros de qualquer partido.

Porque é que hoje, homens e mulheres independentes cujo percurso político foi sempre ”pelo lado esquerdo da vida” não podem promover iniciativas que se destinam a contribuir para alterar o caminho catastrófico por onde caminhamos.
Porque é que se pretende denegrir as pessoas que querem fazer coisas, porquê a sobranceria com que alguns dos partidos de esquerda olham para estes movimentos independentes, porque é que se pretende impedir que militantes desses partidos participem?

Talvez o que se pretenda não seja mais, de que a apatia, o desinteresse crescente em grandes camadas da nossa população mesmo sofrendo na pele o que sabemos, aumente e de facto a politica se torne uma coisa só para os políticos.

Pena que o toque não seja a UNIR.

"Página em Branco"

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Unidade. Precisa-se?

Estas letras que tento alinhavar em forma de post, que como é habitual não sei se chegarão a ser publicadas, não é mais do que um exercício repetido de passar ao ”papel” o sentimento de revolta e frustração que me acompanha de manhã à noite agravado pelas notícias que vou ouvindo e lendo.
Não sou nada apologista da ideia de que na política se aplica o velho ditado popular de que “ atrás de mim virá quem bom de mim fará” não! Não vou nessa e até acho que há culpados do ponto de vista politico que serão para sempre responsáveis por terem escancarado as portas à direita ultraliberal com os resultados que se estão a ver e (quase a generalidade dos cidadãos) a sentir na pele. Não me refiro a ninguém individualmente mas às estruturas politico- partidárias que em devido tempo não perceberam, que era preciso mudar de timoneiro. Penso que perceberam mas “enquanto o pau vai e vem folgam as costas”.

Escrever no fim de um dia sobre mais uma quantas patifarias hoje conhecidas, mais uns dados postos à vista, mais o aumento da sensação de que o desastre está aí e os esforços para acudir às vítimas é prejudicado por cada vez mais e mais precisarem de socorro, traz-me a sensação de que pregar no deserto já pouco adianta especialmente quando acabamos por passar a vida a “refilar” sobre aquilo que mais nos toca esquecendo muita vez que  tudo o que é mal feito acaba por em nós ter efeito, mesmo que não o sintamos de imediato.

Enquanto isto o que é que vemos? O mais puro oportunismo politico apontando claramente para um desgaste (gradual) da actual maioria e aí sim, em 2015 cá estamos para assumir as rédeas do poder. Mas se podemos centrar isto nas declarações do novel secretário do PS, não podemos ignorar que nas outras forças de esquerda também não aparece o necessário pontapé de saída. Enquanto isso, quando grupos de cidadãos se mostram capazes de “empurrar” os partidos tradicionais juntando várias tendências de esquerda e independentes o que é que vimos? Uma tentativa de desmobilização fazendo até com que alguns activistas sintam que estão a ir contra as orientações dos partidos onde militam e conhece-se o resultado de quando isso acontece.

Paciência!

domingo, 1 de julho de 2012

Canção de Domingo - Poesia de Mário Quintana musicada


Canção de Domingo

Que dança que não se dança?
Que trança  não se destrança?
O grito que voou mais alto
Foi um grito de criança.


Que canto que não se canta
Que reza que não se diz?
Quem ganhou maior esmola
Foi o Mendigo aprendiz.

O Céu estava na rua?
A rua estava no céu?
Mas o olhar mais azul
Foi só ela quem me deu!

Mario Quintana in: Canções