domingo, 23 de setembro de 2012
sábado, 22 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Acordai
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Música: Fernando Lopes Graça
Poema: José Gomes Ferreira
Interpretação: Coro de Câmara Lisboa Cantat.
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Música: Fernando Lopes Graça
Poema: José Gomes Ferreira
Interpretação: Coro de Câmara Lisboa Cantat.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
"Isto não fica assim"
18 Set 2012 Edição Público
Cipriano Justo
No curto prazo de uma semana este Governo ficou rodeado de inimigos por todos os lados menos por um, a porta de saída, o único caminho amigo que ainda lhe sobra para sair pelo seu próprio pé. O caos não é o Governo demitir-se, ou ser demitido, o caos está instalado na vida dos portugueses e as reacções às medidas anunciadas a 7 e 11 de Setembro só vieram revelar a intensidade da ira que se foi acumulando desde que teve início a aplicação das medidas de austeridade. No 15 de Setembro, em todas as praças do país, o que vinha dividindo o Governo dos portugueses sofreu tal fractura que ficou exposto em toda a sua crueza o osso do problema: é preciso que tudo mude para que a democracia continue a ser o melhor dos sistemas.
Viu-se, para quem ainda tinha dado o benefício da dúvida, que vindo de onde vêm, os programas de ajustamento só se dirigem a quem passa a vida a ajustar-se às precárias condições de vida. E agora também àqueles que sempre imaginaram que o assunto não lhes dizia respeito ou nunca lhes bateria à porta. Mas a partir da altura em que os de baixo e os do meio se unem pelo mesmo sentimento — quando as condições subjectivas fazem a sua entrada em cena e se sobrepõem à hierarquia dos egoísmos — bem podem os de cima ameaçar com as mais atrozes penas do inferno, que nada destrói essa cumplicidade, até que uma nova síntese venha instaurar uma nova relação de forças.
Embora viessem a acumular-se sinais que indicavam estarem a ser ultrapassados os limites da tolerância para com a acção de alguns ministros, alguns deles objecto de escárnio e do anedotário nacional, os anúncios de 7 de Setembro canalizaram para o Governo as fúrias que até então iam sendo alimentadas e mantidas em ambiente controlado. Basicamente, nesse fim de tarde, o que disseram aos portugueses é que nem imaginavam o que os esperava a partir de 1 de Janeiro de 2013, que os esperava a descida aos infernos. Aquilo por que tinham passado desde que este Governo iniciou funções era, afinal, só o início de uma caminhada sem fim à vista.
Esta situação inesperada para as direcções dos partidos do centro-esquerda e das esquerdas criou um novo contexto no qual vão decorrer os congressos do PCP e do BE. As suas agendas sofreram uma súbita alteração nas prioridades: o que fazer dessas medidas, que resposta aos milhares de manifestantes, que alternativas para estas políticas? E no centro das respostas, a governabilidade do país obrigará a resolver a equação a que até agora todos se têm eximido: que política de alianças é possível e desejável construir para dar outro rumo ao país? Vários dirigentes daqueles partidos estiveram entre os milhares de manifestantes que saíram à rua para se opor ao Governo, mas nesta altura esse gesto ou tem consequências políticas ou não passa de um esotérico exercício de acrobacia partidária. É que nesta marcha, diferentemente do que simbolicamente se assinala no 25 de Abril e no 1.º de Maio, o que ficou sinalizado foi qualitativamente outra coisa, a radical oposição à austeridade dos que vivem exclusivamente dos rendimentos do seu trabalho, dos precários, dos desempregados e dos pensionistas. Porém, o saldo das declarações daqueles que se pronunciaram no calor do desfile era de que o Governo perdera a legitimidade popular mas que a oposição receava entrar em cena. E essa, sim, é a verdadeira face da crise política. O interesse do país ou coincide com o interesse dos portugueses ou não passa de uma figura de retórica para encobrir a defesa dos interesses particulares. O segundo programa de austeridade em que se transformou o elenco das medidas preconizadas pelo Governo, carecendo de legitimidade popular, exige o escrutínio dos eleitores se não for radicalmente alterado. Caso contrário, aos que desceram à rua a 15 de Setembro não lhes restará outra alternativa senão o caminho da rua, outra vez, desta vez em duplicado.
Viu-se, para quem ainda tinha dado o benefício da dúvida, que vindo de onde vêm, os programas de ajustamento só se dirigem a quem passa a vida a ajustar-se às precárias condições de vida. E agora também àqueles que sempre imaginaram que o assunto não lhes dizia respeito ou nunca lhes bateria à porta. Mas a partir da altura em que os de baixo e os do meio se unem pelo mesmo sentimento — quando as condições subjectivas fazem a sua entrada em cena e se sobrepõem à hierarquia dos egoísmos — bem podem os de cima ameaçar com as mais atrozes penas do inferno, que nada destrói essa cumplicidade, até que uma nova síntese venha instaurar uma nova relação de forças.
Embora viessem a acumular-se sinais que indicavam estarem a ser ultrapassados os limites da tolerância para com a acção de alguns ministros, alguns deles objecto de escárnio e do anedotário nacional, os anúncios de 7 de Setembro canalizaram para o Governo as fúrias que até então iam sendo alimentadas e mantidas em ambiente controlado. Basicamente, nesse fim de tarde, o que disseram aos portugueses é que nem imaginavam o que os esperava a partir de 1 de Janeiro de 2013, que os esperava a descida aos infernos. Aquilo por que tinham passado desde que este Governo iniciou funções era, afinal, só o início de uma caminhada sem fim à vista.
Esta situação inesperada para as direcções dos partidos do centro-esquerda e das esquerdas criou um novo contexto no qual vão decorrer os congressos do PCP e do BE. As suas agendas sofreram uma súbita alteração nas prioridades: o que fazer dessas medidas, que resposta aos milhares de manifestantes, que alternativas para estas políticas? E no centro das respostas, a governabilidade do país obrigará a resolver a equação a que até agora todos se têm eximido: que política de alianças é possível e desejável construir para dar outro rumo ao país? Vários dirigentes daqueles partidos estiveram entre os milhares de manifestantes que saíram à rua para se opor ao Governo, mas nesta altura esse gesto ou tem consequências políticas ou não passa de um esotérico exercício de acrobacia partidária. É que nesta marcha, diferentemente do que simbolicamente se assinala no 25 de Abril e no 1.º de Maio, o que ficou sinalizado foi qualitativamente outra coisa, a radical oposição à austeridade dos que vivem exclusivamente dos rendimentos do seu trabalho, dos precários, dos desempregados e dos pensionistas. Porém, o saldo das declarações daqueles que se pronunciaram no calor do desfile era de que o Governo perdera a legitimidade popular mas que a oposição receava entrar em cena. E essa, sim, é a verdadeira face da crise política. O interesse do país ou coincide com o interesse dos portugueses ou não passa de uma figura de retórica para encobrir a defesa dos interesses particulares. O segundo programa de austeridade em que se transformou o elenco das medidas preconizadas pelo Governo, carecendo de legitimidade popular, exige o escrutínio dos eleitores se não for radicalmente alterado. Caso contrário, aos que desceram à rua a 15 de Setembro não lhes restará outra alternativa senão o caminho da rua, outra vez, desta vez em duplicado.
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