Senhor folha seca
Desculpe o abuso mas queria contar-lhe um estória que se merecer a sua atenção, gostava de ver publicada.
Andam para aí alguns funcionários públicos a dizer que nós, os trabalhadores do privado não vamos ser tão penalizados como eles neste tal esforço para vencer a crise. Peço desculpa, mas estou farto desta conversa que quanto a mim tem o objectivo de dividir para reinar. Vejamos: hoje é véspera de mais um feriado, ou seja do dia de todos os Santos. Não percebo porque é que há um dos Santos todos e depois há mais uma catrefada de feriados por causa de uns outros Santos. Isto de haver uns Santos que são mais que outros, não está bem. Mas?
Pronto eu até não sou contra, porque quantos mais feriados menos a gente trabalha.
Mas este meu desabafo tem outra razão. Como sei que grande parte dos funcionários públicos hoje não trabalham “fazem ponte” eu que ontem há noite estava com uma forte dor nas costas, decidi também não trabalhar e pedir uns dias de baixa e para não perder tudo teriam que ser pelo menos 15 dias, de que iria receber 65% do ordenado base menos os primeiros 3 dias. Não sei bem mas acho que no sector publico, quem está doente ou de atestado recebe sempre por inteiro, penso eu.
Às 4 da manhã lá estava eu no posto médico da Marinha Grande (fazia um frio de rachar) e já lá estava gente desde as 7 da tarde do dia anterior.
Ora acontece o seguinte, estava lá um papel com a lista de médicos que hoje estão ausentes. Dum total de 18 médicos, 12 não vão estar. Porra, 12 médicos a fazer ponte, acho que até dava para fazer uma nova ponte das Tercenas que está encerrada pelo risco de ruir.
E pronto lá tive que aguentar até que os serviços abrissem para levar uma justificação para o meu patrão, perder um dia de salário (coisa que no sector publico parece também não acontecer) e ir gastar uns dinheiros no Endireita, porque esse como é do privado não faz ponte e está ao serviço.
Pronto. Desculpe, mas a gente tem que desabafar, faz bem aos nervos.
José (pseudónimo) não vá o Diabo tecê-las.
Nota: Claro que perante sí estou devidamente identificado.
PS: Esta estória foi devimente comprovada. Embora 1 dos 12 esteja no serviço de urgências.

