segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pontes e Pontes

Senhor folha seca

Desculpe o abuso mas queria contar-lhe um estória que se merecer a sua atenção, gostava de  ver publicada.

Andam para aí alguns funcionários públicos a dizer que nós, os trabalhadores do privado não vamos ser tão penalizados como eles neste tal esforço para vencer a crise. Peço desculpa, mas estou farto desta conversa que quanto a mim tem o objectivo de dividir para reinar. Vejamos: hoje é véspera de mais um feriado, ou seja do dia de todos os Santos. Não percebo porque é que há um dos Santos todos e depois há mais uma catrefada de feriados por causa de uns outros Santos. Isto de haver uns Santos que são mais que outros, não está bem. Mas?

Pronto eu até não sou contra, porque quantos mais feriados menos a gente trabalha.

Mas este meu desabafo tem outra razão. Como sei que grande parte dos funcionários públicos hoje não trabalham “fazem ponte” eu que ontem há noite estava com uma forte dor nas costas, decidi também não trabalhar e pedir uns dias de baixa e para não perder tudo teriam que ser pelo menos 15 dias, de que iria receber 65% do ordenado base menos os primeiros 3 dias. Não sei bem mas acho que no sector publico, quem está doente ou de atestado recebe sempre por inteiro, penso eu.

Às 4 da manhã lá estava eu no posto médico da Marinha Grande (fazia um frio de rachar) e já lá estava gente desde as 7 da tarde do dia anterior.

Ora acontece o seguinte, estava lá um papel com a lista de médicos que hoje estão ausentes. Dum total de 18 médicos, 12 não vão estar. Porra, 12 médicos a fazer ponte, acho que até dava para fazer uma nova ponte das Tercenas que está encerrada pelo risco de ruir.

E pronto lá tive que aguentar até que os serviços abrissem para levar uma justificação para o meu patrão, perder um dia de salário (coisa que no sector publico parece também não acontecer) e ir gastar uns dinheiros no Endireita, porque esse como é do privado não faz ponte e está ao serviço.

Pronto. Desculpe, mas a gente tem que desabafar, faz bem aos nervos.

José (pseudónimo) não vá o Diabo tecê-las.
Nota: Claro que perante sí estou devidamente identificado.

PS: Esta estória foi devimente comprovada. Embora 1 dos 12 esteja no serviço de urgências.

domingo, 30 de outubro de 2011

Poema Destinado a Haver Domingo


Poema: Natália Correia
Música: Aníbal Raposo
Intérprete: Helena Oliveira (in "Helena Cant'Autores Açorianos", 2007)

Bastam-me as cinco pontas duma estrela
E a cor dum navio em movimento.
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio do cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama dum domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre
E a tarde cor-de-rosa num flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre.

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.

sábado, 29 de outubro de 2011

Zeca Afonso - Traz outro amigo também.


Há dias em que nos apetece transmitir a um amigo o apreço que por ele temos. Como alguém disse “conhecidos temos muitos, amigos apenas alguns”. Sim um amigo é muita vez confundido com um conhecido a quem interessa chamar amigo por razões circunstanciais.
Tenho a sorte de nunca ter precisado de baralhar estes dois conceitos. Tenho amigos, daqueles cuja amizade até me vai permitindo deles discordar directa ou até publicamente, mas cuja amizade não sofre a mais pequena beliscadura.
Hoje apetecia-me escrever algo sobre um desses amigos, mas um pacto de silêncio obriga-me a ficar por aqui. Sei que lutador como sempre foi, vai enfrentar com a energia que já lhe conheço há várias dezenas de anos, mais este percalço. E daqui a uns tempos vamos-mos juntar e dizer. “No pasarán”.
Força meu querido amigo!