sábado, 30 de abril de 2011

Limoeiro - Ronda dos Quatro Caminhos

Quando esta noite publiquei este vídeo, logo me lembrei de o dedicar a 2 dos meus bloggers de referência. À Ana Paula Fitas que em a “Nossa Candeia” tem feito um trabalho meritório em defesa das causas das minorias, entre elas o povo Cigano cujo vídeo tem uma parte com música “Cigana” e ao Osvaldo Castro que em a “Carta a Garcia” tem defendido sem cedências oportunistas as causas em que acredita. Dedico-lhe a parte do Coro Alentejano, dado que nos próximos tempos vai ter que acompanhar e participar em acções que certamente vão ser acompanhadas por muita música tradicional Alentejana, pois fruto de algumas ambições carreiristas por aqui  o “meu” Deputado foi afastado do nosso Distrito, mas aceitou o desafio e vai ser o 2º candidato por Beja pelo PS.
Obrigado Ana Paula Fitas. Boa sorte caríssimo Osvaldo Castro

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Joaquim Carreira

Joaquim Carreira

(finado a 25.04.2011)

Naquele longínquo ano da minha meninice

Chegaste, anunciado, da primeira prisão.

Já não sei bem quem foi que o disse

Que te aguentaras bem, dizendo não.

Prisioneiro da PIDE e do fascismo

Eras um exemplo da luta marinhense

Que, abraçando convicto o comunismo

Mostraste que o terror, a razão nunca vence.

Depois veio a liberdade dos cravos d’Abril

Que te encontrou de novo encarcerado

E foste mais um, libertado entre mil,

Que povoou Portugal, resgatado.

E vieram outras lutas, desta vez dialécticas

Para impor uma razão a outra razão.

Nem sempre tuas ideias foram as mais proféticas,

Mas eram a voz do teu coração.

Quem sempre foi livre, ignora as torturas

Que se faziam naquele triste tempo

É fácil esquecer essas amarguras

Como fácil será caíres no esquecimento

Repousa pois, amigo Carreira

Já não tens mais razão para lutar

Talvez nalgum tempo, e d’alguma maneira

Teu exemplo de luta se venha a lembrar.

Sérgio Bento

Com a devida vénia ao Jornal da Marinha Grande e ao Sérgio Bento deixo aqui um poema dedicado a Joaquim Carreira.
Quero tambem realçar o trabalho jornalistico feito pelo Jornal a propósito do seu falecimento, relembrando alguns dos aspectos da sua vida.
Não podia deixar de referir o artigo do Henrique Neto, um amigo de sempre e dos que  sempre estiveram presentes.


Teoria de Churchill, Ultrapassada?

Sociedade civil acordou e está na rua à procura do consenso que falta entre partidos (link do Jornal i)

A escolha dos novos órgãos políticos está marcada apenas para 5 de Junho mas desde a queda do governo a 23 de Março que a sociedade civil tem dado sinais de que quer ter uma palavra a dizer. Em pouco mais de um mês, três manifestos vieram ganhar espaço entre os partidos.

"Um Compromisso Nacional", subscrito pelo três antigos Presidentes da República e ainda por António Barreto, Lobo Xavier ou Artur Santos Silva, "Convergência nacional em torno do emprego e da coesão social", com nomes como Manuel Alegre, Vasco Lourenço, Carvalho da Silva, João Proença ou João Ferreira do Amaral, e ainda o "Manifesto dos 74 nascidos depois de 74", que juntou Marta Rebelo, Ricardo Araújo Pereira, José Luís Peixoto ou Chullage.

"A sociedade civil tem estado mais acordada que nunca. Estes três manifestos são reflexo de três sectores, três gerações e três quadrantes diferentes", diz Marta Rebelo ao i, assumindo que o "manifesto de 74" traz "percepções e visões do momento de uma geração nascida depois de 1974 e por isso não tem uma agenda e é muito directo". A ideia de que a sociedade está mais desperta é partilhada por Boaventura Sousa Santos, subscritor de dois dos manifestos que circulam: "Compromisso Nacional" e o "Convergência pelo emprego". O sociólogo sustenta ao i que estes manifestos "são movimentos de uma sociedade civil que não tem tradição. Havia um medo que foi adquirido durante a ditadura de Salazar que tem sido agora vencido, devido ao receio das medidas de austeridade que aí vêm". Boaventura acredita que a crise ainda não atingiu em cheio os portugueses, pelo que espera que "quando entre em força nos bolsos dos cidadãos, vai haver mais manifestações", como a de 12 de Abril, da chamada geração à rasca.

Marta Rebelo, que esteve nessa manifestação, fala de "uma geração desiludida e assustada, que está a experimentar na pele dificuldades pela primeira vez. Muitos estão a fugir do país". A fuga, segundo a antiga deputada do PS, deve-se "a um trambolhão. Estamos a sentir que as promessas do 25 de Abril eram relativas. Crescemos com a ideia que o ensino superior seria óbvio, que depois viria um emprego e uma vida estável". Marta Rebelo reconhece que Portugal ganhou a democracia e a liberdade de expressão, mas que faltou "revolução na economia". "Não temos economia, temos um vazio que foi mascarado pelo FMI nos anos 80 e pela entrada na então CEE", sustenta.

O FMI está de novo em Portugal mas Boaventura alerta que "na Grécia e na Irlanda as coisas não têm melhorado. Há uma oportunidade em Portugal para mudar". O sociólogo justifica assim ter assinado dois manifestos, um que pede compromisso, "uma maioria desejável e inovadora de esquerda, entre PS, BE e PCP", e o outro, sobre convergência no emprego e coesão social, que consubstancia essa maioria.

Já Marta Rebelo - ex-dirigente socialista que nos últimos tempos tem feito muitas críticas à actual direcção - esclarece que "falhámos todos, abandonámo-nos e demos de barato que tínhamos tudo", afirmando que é pelo facto de Portugal pertencer à zona euro, "felizmente", que "nos podem ajudar". A geração a que pertence e que está presente no "manifesto dos 74", é "global, coisa que não éramos desde os Descobrimentos". A antiga deputada socialista está confiante que este manifesto, juntamente com os outros dois, "vai ser ouvido por quem de direito, que com certeza está com os ouvidos especialmente abertos. O facto de virem de sítios diferentes, aliado ao contexto eleitoral, faz com que se deva estar atento a quem se queixa e a quem aconselha".

Boaventura Sousa Santos acredita que com estes manifestos da sociedade civil "poderá criar-se uma pressão de personalidades e de pessoas comuns que defendam o bem-estar, a justiça social e a democracia. A pressão não pode ser só de espíritos iluminados mas sim de todos". Marta Rebelo concorda que a defesa do consenso é central aos três documentos.

O sociólogo vai mais longe e diz que apenas unidos se pode fazer face à crise, revelando que conhece bem a estratégia da ajuda externa. "O FMI destrói a classe média e o desemprego. Dominique Strauss-Khan [director-geral do FMI] diz o contrário, mas porque é um oportunista político que é candidato à presidência francesa. António Borges [director do Departamento Europeu do FMI] diz o contrário". Boaventura revela aliás que quando foi ouvido pela troika, em nome do Observatório Permanente de Justiça, "o FMI só quis ouvir de que forma a saber se podiam facilitar os despedimentos e os despejos".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um post "Aparvalhado"

Sinto que para se perceber, ao ponto de sobre isso se escrever era necessário dedicar muitas e muitas horas a leituras e audições das notícias que sobre Portugal, vão a cada momento surgindo. Para além do tempo necessário era ainda, também saber ler com alguma fluência (Inglês pelo menos) e dominar a linguagem macroeconómica.

Para um triste e comum cidadão é complicado perceber e descodificar aquilo que nos vai chegando, sendo ainda cada vez mais difícil tomar opção pelas várias propostas de solução apresentadas pelas várias tendências das já existentes e daquelas que vão surgindo como cogumelos após o final das chuvas de inverno. Não as cito porque para confusão já basta a minha. Mas nos últimos tempos para além dos cronistas crónicos e comentadores habituais, têm surgido grupos sabe-se lá soprados por onde, que têm soluções para tudo e mais alguma coisa para resolver os gravíssimos problemas do País. Qual FMI qual carapuça. A gente tem por aqui quem saiba resolver tudo. São uns tais 74 de antes, outros 74 nascidos depois, mais uns à rasca e outros menos. A massa cinzenta está aí em grande força. Dai-lhes uns institutos uns Ministérios, encomendem-lhes uns estudos e fica tudo resolvido…

Desculpem (como diria alguém, que já não diz) mas estou a “confundir o toucinho com a velocidade”. É que para além de estar à rasca, estou assim a ficar numa de aparvalhado.