terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Palavras dos Outros (1)

Política
Receita
João Paulo Guerra
06/12/11 00:05
--------------------------------------------------------------------------------

Causou algum choque na opinião pública - ou, pelo menos, na publicada - a notícia de que “médicos do Hospital de São João foram impedidos de receitar um medicamento oftalmológico por ser mais caro do que outro receitado para o cancro mas usado na visão.”

Compreende-se o escândalo, de quem considerou tal situação "impensável num país civilizado." Mas é de crer que isto poderá ser apenas a ponta do ‘iceberg', a ínfima parte visível, que logo gerou indignação e vergonha, de uma prática que poderá estar generalizada nos centros de saúde e hospitais administrados pelo Estado.

E, a comprová-lo, está uma sucessão de notícias que se seguiram a esta. As consultas de especialidades caíram 37 por cento nos centros de saúde. Há menos meio milhão de atendimentos a crianças e jovens. A associação dos doentes com esclerose queixa-se de entraves colocados à ministração de medicamentos mais caros. "Quem quer saúde, paga-a" é um preceito constitucional não escrito mas aplicado pela casta dirigente à revelia do texto da Constituição. E assim, em certos casos, deixa de ser o médico para passar a ser o guarda-livros a receitar os medicamentos mais apropriados, não em função da adequação ao caso clínico mas do preço.

O que mais espanta nesta situação é a debilidade da denúncia, do repúdio e até mesmo da recusa em seguir tal prática que se impõe, administrativamente, a uma decisão que cabe por todas as razões ao clínico, à sua formação e consciência. Na nova ordem imposta em Portugal as pessoas estão no mais baixo patamar: os interesses mandam na finança, que manda na economia, que manda na política, que manda na burocracia, que manda no conhecimento, que gere as actividades, que comandam as vidas das pessoas, que sustentam toda a máquina que as maltrata.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Nostalgia


Canção emblemática da Marinha Grande, por muitos considerada o seu hino. Aqui na excelente interpretação de Mário Godinho, incluída no seu álbum Canto à Marinha Grande, editado pelo próprio em 1989.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Arreganhar o dente

Arreganhar o dente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Ana Hatherly
(Porto, 1929)